ESTILO

Nº edição: 512 | 18.JUL.07 - 10:00 | Atualizado em 16.01 - 11:39

A dama dos cosméticos

Depois de vender a Ox, Mariângela Bordon volta com a marca Eos e revela os planos de expansão

Por CARLOS SAMBRANA

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VARIEDADE: a Eos vende desde xampus (à esq.) até perfumes, cremes e velas aromáticas
 

Bem nascida, filha de fazendeiro, a empresária Mariângela Bordon tinha tudo para ser dondoca. Não foi o que ela escolheu. Em 1995, criou a empresa de cosméticos Ox, a contragosto de seu pai, Geraldo Bordon. Montou um galpão na fazenda da família, localizada no interior de São Paulo, e iniciou a fabricação de produtos que tinham o tutano de boi como principal componente no tratamento de cabelos. Fez fama, ganhou dinheiro e, depois que o BNDES vendeu a participação de 27% na empresa para o grupo Bertin, Mariângela decidiu se desfazer de suas ações na Ox em 2003. “Eles entraram na empresa e eu decidi vender a minha parte”, explica Mariângela. “Para uma sociedade dar certo tem que ter namoro e depois casamento. Isso não aconteceu.” A quantia ganha na transação não é revelada, mas daria muito bem para Mariângela aproveitar a vida. A empresária, entretanto, é teimosa.

 

"Cada loja da Eos deverá faturar cerca de R$ 100 mil por mês"
MARIÂNGELA BORDON: dona da marca Eos

 

“Sou empreendedora, não consigo ficar parada”, diz. Não conseguiu mesmo. Depois de um período de três anos de quarentena, ela voltou ao mercado que conhece como a palma da mão: a indústria de cosméticos.

Lançou a grife Eos, que na mitologia grega significa deusa da aurora, e já põe em prática um plano de expansão que prevê a abertura de duas lojas por ano e presença em 150 pontos-de-venda dentro de cinco anos. “Cada loja deverá faturar R$ 100 mil por mês”, diz Mariângela.

O valor gasto na abertura do novo negócio não é revelado, mas o mercado estima em US$ 5 milhões. Parte desse dinheiro foi usada na construção de um ponto na rua Bela Cintra, no coração dos Jardins, em São Paulo. A loja, dividida em 150 m2, foi criada com um conceito sensorial. Ou seja, tudo foi pensado para que o cliente possa experimentar os produtos da marca. Além de duas pias na entrada da loja, ainda há um pequeno bar e, no segundo andar, será aberto um pequeno spa até o fim de julho. Nesse ambiente, os clientes encontrarão salas de massagem e salas de banho para que possam conhecer os xampus, cremes e sabonetes da marca. Pode parecer detalhe, mas isso é crucial.

Uma pesquisa elaborada pela Canal Varejo, consultoria especializada em varejo, mostra que 78% das mulheres são resistentes a novas marcas. “Para essa consumidora, a experimentação do produto é muito importante, principalmente quando se trata de uma marca nova”, diz Patrícia Vance, coordenadora de pesquisa da Canal Varejo.

Com uma gama de 90 produtos como perfumes, sabonetes, cremes, xampus e até velas, o objetivo de Mariângela Bordon é incluir a Eos na lista de compras dos consumidores das classes A e B. Para isso, ela deverá abrir uma loja no futuro shopping Cidade Jardim, voltado para o mercado de luxo, e na ala nova do shopping Morumbi, até dezembro. Ganhar da concorrência, contudo, não será tarefa fácil. “Ela vai encontrar um mercado de alta competitividade”, diz José Roberto Martins, diretor da Global Brands, consultoria especializada em gestão de marca. No campo de empresas com lojas próprias, por exemplo, ela vai deparar com O Boticário e L’Occitane. Em vendas diretas, Natura e Avon. Isso, sem contar as outras grifes importadas. Mariângela dá de ombros. “Já nascemos em um mundo competitivo, isso é normal”, defende. A seu favor, ela terá um mercado em plena expansão. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a Abihpec, mostram que o setor saltou de um faturamento de R$ 4,9 bilhões em 1996 para R$ 17,5 bilhões no ano passado. “O Brasil é o terceiro maior mercado do mundo”, diz João Carlos Basílio, presidente da Abihpec. “E, para os próximos anos, a previsão é de crescimento.”

 

 


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