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Nº edição: 672 | Negócios | 20.AGO.10 - 21:00 | Atualizado em 31.01 - 16:04

Inteligência artificial

A alemã Siemens aposta na tecnologia smart grid para conquistar contratos de modernização da infraestrutura elétrica do Brasil. Uma mudança que deverá custar, pelo menos, R$ 100 bilhões

Por Érica Polo

Em um futuro não muito distante, qualquer pessoa poderá acessar o medidor de luz de sua casa, por meio da internet, e programar a melhor hora – quando o preço da energia estiver mais baixo, de preferência – para ligar a máquina de lavar roupas. 

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Alta tensão: atualmente, cerca de 50% da energia elétrica brasileira está
sob a responsabillidade de sistemas e equipamentos da Siemens

 E essa é somente uma das facilidades possíveis com o medidor eletrônico que está sendo projetado pela Siemens, gigante alemã com receita global de E 76 bilhões. O desenvolvimento do equipamento é apenas uma pequena parte de um negócio muito mais amplo, e que está na mira da companhia desde 2000, conhecido pelo nome de smart grid. 

Essa tecnologia permite que os consumidores se comuniquem com as distribuidoras de energia. Para as concessionárias, o equipamento pode representar um golpe mortal nos furtos de energia, os famosos gatos, que consomem perto de 5% do fornecimento de eletricidade. 
 
Só a modernização das redes que ligam as distribuidoras às residências deve movimentar cerca de R$ 20 bilhões. Ainda não está definido, contudo, se é o consumidor ou a concessionária que vai arcar com esse custo. Mesmo assim, a Siemens já começou a se articular para conquistar uma fatia da bolada que o país tem de gastar com a modernização do seu sistema de energia elétrica. 
 
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Uma conta que, com o smart grid, pode alcançar R$ 100 bilhões, diz Cyro Boccuzzi, da consultoria ECOee.Para começar, no ano passado a Siemens ganhou um contrato, no valor de R$ 38 milhões, para desenvolver e instalar o novo sistema de gerenciamento utilizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), entidade que coordena os serviços de geração e transmissão de energia. 
 
“É um passo importante para a Siemens, que já tem presença significativa nesse setor. Hoje, equipamentos e softwares com a nossa marca são responsáveis por 50% da energia elétrica gerada no País”, diz Guilherme Mendonça, diretor de automação da Siemens do Brasil, à DINHEIRO.
 
Assim, caberá à companhia reforçar a inteligência da estrutura da ONS. A explicação para isso é que os equipamentos e softwares utilizados atualmente não suportam a entrada em operação das novas usinas (hidrelétricas, termelétricas e eólicas) previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 
 
Além dessa segurança estrutural, a Siemens espera, no futuro, vender a tecnologia associada ao smart grid como uma ferramenta de combate ao desperdício de energia nos 63 milhões de clientes residenciais das distribuidoras de eletricidade. 
 
Com isso, eles poderão acompanhar seu nível de consumo, escolhendo a melhor hora para ligar equipamentos que gastam mais, como o chuveiro elétrico e a secadora de roupas. Ou seja, uma administração de tarifas, exatamente como se pode fazer na telefonia.  “Os consumidores terão uma noção melhor do preço pago pela energia e, com isso, o País poderá evitar um desperdício da ordem de 15%”, avalia João Carlos Mello, presidente da consultoria Andrade & Canellas.
 
O smart grid se insere na linha dos produtos e serviços com viés de sustentabilidade, itens estratégicos para o futuro da Siemens. Em 2009, esse nicho rendeu E 23 bilhões, em nível global, à corporação alemã. Mesmo antes da regulamentação do funcionamento das redes inteligentes no Brasil, a subsidiária já começou a investir em pesquisa e infraestrutura.
 

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