ECONOMIA

Nº edição: 582 | 26.NOV.08 - 10:00 | Atualizado em 21.07 - 16:33

Rio: um canteiro de obras

Com R$ 110 bilhões em investimentos, o Rio de Janeiro é hoje o Estado que tem o maior volume de obras públicas e privadas

EIS AQUI UM PEQUENO teste de conhecimentos gerais. Pergunta número 1: onde está a mais parruda obra do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento? Pergunta 2: onde fica o principal projeto empresarial em execução no País? Pergunta 3: qual Estado reúne o maior volume de investimentos, em relação ao tamanho do seu PIB? Acertou quem cravou Rio de Janeiro nas três respostas. No PAC, o carro-chefe é o Comperj, um megacomplexo petroquímico de R$ 17 bilhões, que vem sendo tocado pela Petrobras e já consumiu R$ 900 milhões apenas nas obras de terraplenagem, em Itaboraí. Na área corporativa, destaca-se a Companhia Siderúrgica do Atlântico, a CSA, da alemã Thyssen Krupp, que é o maior projeto de aço em andamento no mundo e já emprega quase 20 mil pessoas na etapa final das obras, na baía de Sepetiba. Juntando projetos públicos e privados, o Rio tem hoje em carteira R$ 110 bilhões em investimentos, que representam 50% do PIB do Estado. "Estamos assistindo a uma virada histórica no ânimo empresarial do Estado", comemora Olavo Monteiro de Carvalho, do grupo Monteiro Aranha e presidente da Associação Comercial do Rio.

Por trás disso, há uma sintonia inédita entre os setores público e privado. Desde que tomou posse, em janeiro de 2007, o governador Sérgio Cabral começou a colocar em prática alguns conceitos da iniciativa privada e montou um conselho de administração informal, que se reúne a cada três meses. Dele fazem parte os empresários do Movimento Brasil Competitivo, liderado por Jorge Gerdau. Desse fórum veio a sugestão para que o Rio contratasse como consultor o guru Vicente Falconi, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial, o INDG. "A nossa receita cabe numa equação bem simples: mais serviço público, com menos recursos", disse à DINHEIRO o governador Cabral, que também buscou uma pragmática parceria com o governo federal, que se transformou em sólida amizade pessoal com o presidente Lula. "O que as pessoas querem é resultado."

Do ponto de vista quantitativo, os números falam por si. Em 2007, a receita total do Rio, com o ICMS mais transferências, era de R$ 32 bilhões. No ano que vem, será de R$ 40 bilhões.

À frente desse processo, está o ex-secretário do Tesouro, Joaquim Levy, que também colocou em prática outra inovação. Hoje, todas as despesas do Rio - da compra de lápis às grandes obras - são divulgadas na internet. Além disso, os fornecedores também podem consultar suas faturas, que são pagas em três dias do mês. "Não há mais nada atrasado", diz ele. Isso se deve, em grande medida, aos ganhos de eficiência. "Reduzimos a despesa anual em R$ 700 milhões", diz o secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Rui. Isso inclui decisões óbvias, como a terceirização da frota policial. A famosa cena do filme Tropa de Elite em que policiais depenam carros nas oficinas já não existe mais no Rio. Hoje, nenhum veículo pode parar por mais de 48 horas. "Além da economia de recursos, há o ganho qualitativo, que é o policial em ação na rua", diz o governador. Coincidência ou não, na semana passada saíram estatísticas da Secretaria de Segurança que apontam a sétima queda consecutiva no índice de homicídios e a menor taxa desde o início da série, em 1991.

Tudo isso se soma à percepção de que o processo decisório também se tornou mais ágil no Rio. Por sugestão de Levy, cada secretaria passou a executar seu próprio orçamento, de forma trimestral. "O resultado foi o fim da burocracia", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno. É pelas mãos dele que passam grandes projetos, como o complexo portuário do Açu, de Eike Batista, e a ampliação das montadoras instaladas no Rio. Um impulso importante para as decisões empresariais foi um estudo do Movimento Brasil Competitivo que apontou o Rio de Janeiro como o Estado com a melhor infra-estrutura do País. Neste capítulo, um projeto estruturante é a construção do Arco Rodoviário, uma espécie de Rodoanel fluminense, que ligaria, por exemplo, a região de Itaboraí, do Comperj, à baía de Sepetiba, onde está a CSA, unindo os dois maiores projetos público e privado do País.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • Roberto C. Silva

    em 21/07/2011 16:33:19

    Boa tarde, Desde 2007 o governador colocou em prática, a forma de governar dando volta nos trabalhadores, não pagando a dívida trabalhista que se arrasta a anos no estado do Rio de Janeiro. Como todos os governanates fazem, empurrando as dívidas com os trabalhadores e fazendo seu curral político,

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