MERCADO DIGITAL

Nº edição: 670 | Mercado Digital | 06.AGO.10 - 21:00 | Atualizado em 05.02 - 23:51

10 perguntas para Jim Whitehurst

Vender gelo no Alaska não parece ser um bom negócio. Agora, acrescente ao gelo um pouco de limão e uma boa dose de cachaça mineira e talvez você tenha um produto de sucesso.

Por Rodrigo Caetano

 Para Jim Whitehurst, CEO da Red Hat, maior empresa de software livre do mundo com ações negociadas em bolsa, o segredo do sucesso está justamente em transformar material bruto em produtos para grandes empresas. Sua companhia vende softwares de código aberto, ou seja, que podem ser obtidos de forma gratuita por qualquer pessoa. Como ele conseguiu faturar US$ 653 milhões no ano passado com isso é o que ele explica nesta entrevista exclusiva. 

 

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DINHEIRO – Como ganhar dinheiro com algo que pode ser obtido de graça?
 
JIM WHITEHURST – Vender software grátis é realmente difícil. Na realidade, o software livre não é um modelo de comercialização, mas sim de desenvolvimento em comunidade. A licença de uso do software é de graça, nossa receita vem da oferta de serviços que possibilitam o uso desse tipo de sistema pelas empresas, como suporte. Se daqui a três anos um cliente nosso encontrar um problema no software, nós garantimos que alguém vai conseguir resolver. 
 
 
DINHEIRO – Quais os maiores obstáculos para a Red Hat? 
 
WHITEHURST – O principal é fazer as pessoas entenderem que nosso software não é de graça. Para isso, temos de demonstrar que adicionamos inovações aos produtos todos os dias. 
 
 
DINHEIRO – Quando o sr. percebeu que poderia ganhar dinheiro com o software livre?
 
WHITEHURST – Há oito anos desenvolvemos esse modelo. Tentamos primeiro oferecer serviços de suporte, mas percebemos que não era possível ter um bom nível de serviço. 
 
 
DINHEIRO – No primeiro trimestre fiscal de 2010, a Red Hat cresceu 20% em receita. Como sustentar esse crescimento? 
 
WHITEHURST – Acredito que temos a capacidade de continuar a crescer organicamente. Mesmo no nosso maior negócio, o Linux (sistema operacional que concorre com o Windows, da Microsoft), temos significante capacidade de crescimento. Adicionalmente, estamos olhando para aquisições. 
 
 
DINHEIRO – Por que a Red Hat não está mais se posicionando como uma empresa de Linux?
 
WHITEHURST – O Linux é ainda nosso maior negócio, mas não o único. Prefiro que a Red Hat seja conhecida como uma empresa que vende infraestrutura de tecnologia. Gosto do fato de as pessoas pensarem em Linux e se lembrarem da Red Hat. Mas não aprecio o fato de pensarem em Red Hat e lembrarem do Linux. 
 
 
DINHEIRO – Como é a sua relação com a comunidade Linux?
 
WHITEHURST – Somos próximos e gastamos bastante dinheiro para contribuir com a comunidade.
 
 
DINHEIRO – E qual é o futuro do Linux?
 
WHITEHURST – Vamos continuar focando no mercado empresarial e, especificamente, em computadores de grande porte. 
 
 
DINHEIRO – Qual é a estratégia para a América Latina? 
WHITEHURST – Nossa operação no Brasil é significativamente maior do que na Índia. Nossa base instalada cresceu 100% nos últimos dois anos. 
 
DINHEIRO – Qual é a relação da Red Hat com a Microsoft?
 
WHITEHURST – Com certeza não estou na lista de Natal do Steve Ballmer (CEO da Microsoft). Temos uma relação boa e profissional. Competimos, mas trabalhamos juntos para que os sistemas operacionais funcionem em conjunto. 
 
 
DINHEIRO – O sr. tem dois filhos pequenos. Daqui a dez anos, eles vão usar Windows ou Linux?
 
WHITEHURST – Devo ressaltar que somos uma família livre de Windows. Acho que com o tempo, a importância do Windows e sua dominância nos computadores vão desaparecer. Hoje já existem muito mais aparelhos móveis, como celulares e tablets, que vão mais e mais usar o Linux ou outros sistemas. Acho que o Windows vai continuar por aí, mas não com a atual participação. 
 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • MWMOenlSJ

    em 04/01/2012 10:51:02

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