MERCADO DIGITAL

Nº edição: 670 | Mercado Digital | 06.AGO.10 - 21:00 | Atualizado em 22.11 - 16:10

Nokia em dois mundos

Um smartphone sofisticado e outro popular para as massas. Essas são as apostas da fabricante finlandesa de celulares para estancar sua queda de participação de mercado

Por Ralphe Manzoni Jr.

Ao longo da sua história, a Nokia reinventou-se várias vezes. A empresa foi criada em 1865, para produzir polpa de celulose às margens do rio Nokianvirta, na Finlândia. Já fabricou pneus, computadores e telefones fixos. Mas em 1992 resolveu desistir de tudo para se focar apenas em celulares. 

Em apenas seis anos, tornou-se líder mundial na produção de aparelhos móveis, posição que jamais perdeu desde então. Mas, pela primeira vez em sua trajetória recente, a companhia está ameaçada. Ela vem lenta e continuamente perdendo participação de mercado no mundo e no Brasil.  
 
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                                      Almir Narcizo > presidente da NOKIA "Somos líderes em volume no Brasil.                                          
 
E isso tem impacto nos resultados financeiros. Cada ponto percentaual perdido significa US$ 2 bilhões a menos em receita. Sem um produto rival à altura para o iPhone, Blackberry e outros aparelhos como o Android, a empresa acredita que encontrou a fórmula para reverter esse cenário: N8 mais C3 é igual  à volta dos bons tempos, na visão da companhia. 
 
Afinal, o que significam essas siglas? “O N8 será o melhor smartphone da Nokia e o C3 terá recursos de um celular inteligente por um preço arrasador”, diz Almir Narcizo, presidente da subsidiária brasileira. 
 
O N8 é o primeiro produto da Nokia com “multitouch”, recurso que o iPhone, da Apple, tem desde o lançamento, em 2007. Outros concorrentes, como Samsung, HTC, Palm e RIM, já vendem aparelhos com a tecnologia popularizada pela empresa de Steve Jobs. 
 
Mas o N8 conta também com atributos técnicos dificilmente encontrados em outros smartphones, como câmera de 12 megapixels, qualidade de vídeo de alta definição e a nova versão do sistema operacional Symbian. O Brasil será um dos três países no qual o aparelho será fabricado (os outros são Finlândia e China).  
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N8: aparelho que será fabricado em Manaus é o primeiro da Nokia a usar a tecnologia multitouch
 
A previsão é de que o celular seja lançado em setembro por R$ 1.499 (valor desbloqueado, sem subsídio das operadoras de telefonia). Se o N8 é a aposta da Nokia para concorrer no segmento de celulares topo de linha, o C3 é o smartphone para as massas da companhia. 
 
Ele custará R$ 399 no varejo. Por esse valor, o consumidor terá e-mail gratuito, acesso a redes sociais e tecnologia Wi-Fi. Mas o C3 usará a tecnologia 2G, anterior às redes 3G, que permitem acesso em alta velocidade à internet. 
 
Os dois aparelhos têm a missão de recuperar o brilho perdido da Nokia. Apesar do barulho que envolve o iPhone, da Apple, e os celulares com o sistema operacional Android, do Gooogle, a empresa finlandesa ainda é a líder de mercado. 
 
“Mas o atraso na adoção da tecnologia de tela sensível a toque tem levado os consumidores a não enxergar a Nokia como uma empresa inovadora”, afirma Gavin Byrne, analista de pesquisa da consultoria londrina Informa Telecom & Media. Os dois principais concorrentes globais da Nokia no mercado de smartphones – Apple e RIM – são focados em segmentos específicos do mercado de celulares. 
 
A Nokia não. Ela tem aparelhos para todos os tipos de clientes e bolsos – de R$ 99 a R$ 1.499. E isso é parte dos problemas financeiros da companhia, que levaram o jornal The Wall Street Journal a informar que a empresa busca um novo CEO para o lugar de Olli-Pekka Kallasvuo. 
 
No segundo trimestre de 2010, o lucro foi de 227 milhões de euros, queda de 40%. O preço médio dos celulares passou de 62 euros para 61 euros. “Ela vende um grande número de celulares com baixa margem”, diz Byrne. “E tem sido forçada a reduzir o preço dos smartphones, que tradicionalmente têm margens altas, afetando os lucros.” 
 
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C3: com e-mail gratuito e tecnologia sem fio, Wi-Fi é um smartphone para as massas 
 
Essa estratégia de preços reduzidos teve reflexo no Brasil. Em 2009, o faturamento da Nokia foi de R$ 3,8 bilhões, 25% menor do que o ano anterior. É verdade que as vendas do mercado brasileiro de celulares tiveram queda no ano passado, mas de apenas 4%. 
 
“Somos líderes em volume, mas não em receita no Brasil”, admitiu Narcizo. A coreana Samsung tomou o lugar da companhia finlandesa no País, apurou DINHEIRO. A operação brasileira também caiu uma posição entre as maiores subsidiárias da empresa, em ranking que é liderado pela China. 

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Ela era a oitava em 2008 e terminou em nono lugar em 2009, ultrapassada pela Espanha. “A Nokia está em uma curva de perda de importância e de participação de mercado”, afirma Elia San Miguel, analista de telecomunicações do Gartner. “Mas poucas empresas têm a escala, logística e capacidade de distribuição da Nokia.” 
 
O ano de 2010 é crucial para a Nokia. Além dos novos celulares, a empresa vai abrir lojas próprias no Brasil, inspirada no modelo da rival Apple. A primeira será inaugurada em meados deste mês no Rio de Janeiro. São Paulo também terá a sua ainda neste ano. “Os dois principais desafios da empresa são inovar e executar”, diz Byrne, da Informa. Se não conseguir, a empresa terá que se reinventar. Mais uma vez. 
 

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  • Oba

    em 21/08/2010 00:57:35

    Era fã da NOKIA e nem via a MOTOROLA como fabricante de celular ate comprar um Quench, a minha decisao deveu se principalmente por usar ANDROID, ser barato para a categoria e prinicpalmente ter otimos recursos. So quem tem um cel com ANDROID sabe o quanto a NOKIA esta atrasada. NOKIA é passado.

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    • Armstrong

      em 20/08/2010 22:59:57

      Muito bom!! sou fa dos aparelhos NOKIA e nao compro um diferente a anos. Na minha mão ele nunca quebra e pode despencar de alturas.Espero com ansiedade este novo lancamento.

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