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Nº edição: 669 | Mercado Digital | 30.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 14.06 - 02:31

Mais um vilão no Vale do Silício?

Um filme e até o seriado Os Simpsons retratam o jovem bilionário Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, como um garoto que fez fortuna passando por cima dos amigos

Por Bruno Galo

A fama de mau de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, só faz crescer. Em outubro, o seriado Os Simpsons promete fazer graça com essa história. E, o melhor, com a sua anuência. Ao contrário de outras personalidades do mundo da tecnologia satirizadas pelo desenho animado, como Bill Gates e Steve Jobs, ele topou dublar sua participação. A história do episódio guardada a sete chaves deve girar em torno de uma rasteira que Zuckerberg dá na pequena Lisa, filha de Homer, que planeja abrir uma empresa de bicicletas. Lisa Simpson, acredite, é também o nome da advogada do Facebook.

Brincadeiras à parte, o mundo se pergunta quem é, afinal, o garoto que se tornou o mais jovem empreendedor bilionário de todos os tempos. A curiosidade sobre a história pregressa de Zuckerberg é imensa. Um jovem de olhos azuis, cabelos encaracolados, inseparáveis chinelos de borracha e cara de bonzinho que largou a faculdade de Harvard aos 19 anos. Ou um aproveitador que fez fortuna roubando ideias de terceiros? Não por acaso, um livro sobre a fundação da empresa avaliada hoje em US$ 20 bilhões se tornou um best-seller instantâneo. O título, aliás, é bombástico: Bilionários por Acidente: a criação do Facebook, um conto de sexo, dinheiro, ganância e traição.

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O teor não deixa por menos: Zuckerberg é mostrado como um jovem genioso, que fez o site para “pegar mulher” e, durante sua veloz ascensão, participou de orgias e até de um exótico jantar em um iate em que o prato principal era um coala. Tudo isso, além de passar por cima de sócios e amigos, inclusive o brasileiro Eduardo Saverin. Hoje, aos 26 anos, Zuckerberg já arregimentou 500 milhões de usuários, mais de um quarto da população online do planeta.

Se fosse um país, o Facebook só ficaria atrás de China e Índia. O livro, inédito no Brasil, deu origem ao esperado filme The Social Network (A Rede Social, em inglês) dirigido por David Fincher, de Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button, que estreará em outubro nos EUA e chegará ao Brasil em dezembro. Zuckerberg desdenha e diz que é tudo “ficção”. No mundo real, a fama de ovelha negra do Vale do Silício, região onde estão as principais empresas de tecnologia dos EUA, o persegue nos últimos meses. Nesse período, Zuckerberg mudou várias vezes as regras de privacidade do Facebook. A cada mudança os dados dos usuários se tornavam mais públicos. Outra coisa que também crescia eram as possibilidades de marketing e Bart Zuckerberg:ele topou dublar sua participação no seriado e diz que o filme sobre fundação do Facebook é ficção

No mundo real, a fama de ovelha negra do Vale do Silício, região onde estão as principais empresas de tecnologia dos EUA, o persegue nos últimos meses. Nesse período, Zuckerberg mudou várias vezes as regras de privacidade do Facebook. A cada mudança os dados dos usuários se tornavam mais públicos. Outra coisa que também crescia eram as possibilidades de marketing e de o site faturar um bom dinheiro. Logo, governos, organizações internacionais e usuários passaram a questionar a lógica comercial com que a privacidade era tratada na rede. No final de maio, sob forte pressão, Zuckerberg reviu algumas políticas e simplificou os controles de privacidade. “Cometemos um monte de erros”, admitiu. Mas a desconfiança persiste.

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Para piorar, recentemente surgiu um web designer, chamado Paul Ceglia, dizendo que Zuckerberg não é o dono do Facebook. Ceglia entrou com uma ação na qual reivindica 84% de participação na rede social. O juiz responsável pelo caso concedeu uma liminar proibindo temporariamente o Facebook de movimentar seus bens. Apesar de toda a polêmica sobre o passado de Zuckerberg e a forma como ele construiu o Facebook, a rede social está liderando uma revolução.

“Com o Facebook estamos entrando em uma nova era para os negócios”, afirma Clara Shih, autora do livro The Facebook Era, ainda inédito no Brasil. Shih, que estará no Brasil em agosto no evento Digital Age 2.0, acredita que o Facebook ajuda as empresasa criar produtos melhores, alcançar novos consumidores e vender mais. “As empresas que se engajarem com seus clientes estarão em vantagem, não importa se são pequenas, médias ou grandes companhias”, diz ela. Atualmente, 54% das maiores empresas do mundo, segundo a revista Fortune, mantêm contas no Facebook. Será que Zuckerberg entrará para a história como um vilão ou como o líder de uma nova revolução?

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