ECONOMIA

Nº edição: 669 | Economia | 30.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 17.06 - 12:05

PAC do Exército

A corporação se transforma na maior construtora do País ao deslocar 11 mil militares para tocar 80 obras, num valor de R$ 2 bilhões

Por Guilherme Queiroz

Uma sofisticada pavimentadora de concre- to trabalha na restauração da BR-101, na divisa entre a Paraíba e Pernambuco. Importada da Alemanha por R$ 4 milhões, chama a atenção pela lataria camuflada. Ela pertence ao Exército, a “construtora” encarregada da obra e, nos últimos anos, um dos mais importantes braços executores do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O governo tem delegado à farda verde-oliva uma parcela expressiva das obras federais, num portfólio que se destaca não só pelo valor, mas por sua relevância para a infraestrutura nacional. São canteiros distribuídos em rodovias, portos e aeroportos, com orçamento superior a R$ 2 bilhões. Muitas não saíam do papel, em grande parte, devido a irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Para evitar atrasos, o Exército emprega todos os 11 mil homens de sua Diretoria de Obras e Construção em cerca de 80 projetos. “O Exército é hoje a maior empreiteira do País”, reclama João Alberto Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias.

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OBRAS A JATO: militares retomam obras paralisadas no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos


A bronca é natural. Poucas construtoras no País têm hoje uma carteira de projetos como a executada – sem licitação – pelos batalhões do Exército. No PAC, há 2.989 quilômetros de rodovias federais sob reparos, em construção ou restauração, com gastos previstos em R$ 2 bilhões. Destes, 745 quilômetros – ou R$ 1,8 bilhão – estão a cargo da corporação. Isso equivale a 16% do orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes neste ano.

Os militares refutam as críticas de concorrência desleal. “Não estamos aqui para competir com a iniciativa privada. Apenas participamos do esforço do governo para diminuir as diferenças regionais e, ao mesmo tempo, ser instrumento do Estado para regular um mercado em conflito”, disse à DINHEIRO o general de divisão Jorge Ernesto Pinto Fraxe, diretor de obras e cooperação do Exército. A primeira missão nessa estratégia foi a reforma de três trechos da BR-101, principal rodovia costeira do País. É um bolo de R$ 1 bilhão que as empreiteiras disputaram, mas não saborearam, por conta das sucessivas disputas judiciais.

O governo repetiu a dose em estradas paralisadas havia anos sob acusação de irregularidades ou problemas ambientais. Casos da BR-163, conhecida como Cuiabá-Santarém e da BR-319, entre Porto Velho e Manaus, construída em 1974, mas que, abandonada pelas autoridades, foi absorvida pela Floresta Amazônica. “Faremos da BR-319 a primeira rodovia verde”, disse à DINHEIRO o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Para as empresas de transporte, a recuperação da deteriorada malha rodoviária brasileira é motivo de comemoração. “Vemos com entusiasmo o fim dos imbróglios que retardavam a recuperação de importantes trechos rodoviários”, afirma Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional do Transporte.

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Estima-se que, ao serem concluídas, as obras entregues ao Exército terão um custo até 20% menor para os cofres públicos. A corporação não pode lucrar com os serviços que presta. Como emprega os próprios oficiais e soldados, já remunerados pelo soldo, o custo da mão de obra deixa de ser um componente do preço final da empreitada. Por tudo isso, o Exército está desempenhando um papel fundamental na infraestrutura necessária para o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

O esforço é maior nos aeroportos. A Infraero entregou aos militares as obras de restauração de uma das pistas de pouso e do pátio de aeronaves do Aeroporto Internacional de Guarulhos, avaliadas em R$ 43 milhões, depois de dois anos de paralisação por determinação do TCU. Suspensos por desvio de recursos, os projetos dos aeroportos de Vitória e Goiânia também podem ser concluídos pelo Exército. “A transferência era absolutamente indispensável para retomarmos o nosso cronograma operacional”, explica Jaime Parreira, diretor de obras da Infraero.

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  • TATO.TATO

    em 04/08/2010 07:04:27

    REPORTAGEM INTERESSANTE MAS USA FATORES DE COMPARAÇÃO DISCREPANTES QUE LEVAM A CONCLUSÕES EQUIVOCADAS. O ORÇAMENTO DE 2 BILHÕES A CARGO DO EB REFERE-SE A SUAS OBRAS AO LONGO DE 3, 4 OU ATÉ 5 ANOS. DESSE MODO, SE COMPARADO AO ORÇMENTO DO DNIT NO MESMO PERÍODO ELE REPRESENTE 3% E NÃO OS 16% CITADOS.

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    • fagner

      em 03/08/2010 01:24:41

      porque não colocam filhos de bacanas para se alistarem no exército e trabalharem de servente também, afinal todos devem trabalhar em prol da nação. Agora uns trabalham e outros vivem as benesses de terem nascido em berço esplêndido, não é justo

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      • fagner

        em 03/08/2010 01:22:21

        O Complicado é so recrutar um soldado e colocá-lo para trabalhar igual burro de carroça, pagar salário mínimo ficar sobre o regime militar dos oficiais do exército que se acham deuses e todo poderoso e no final da obra dispensá-los sem direito a nada. Afinal trabalharam em prol da nação!

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        • jefferson c paulo

          em 02/08/2010 11:43:47

          Isto mostra como o governo LULA é inovador, apesar de alguns fazerem questão de não enchegar. Aqui em Vitória, a reforma e ampliação do aeroporto está paralisada a mais de 2 anos (já era para estar inaugurado). É absurdo, a população é que está perdendo.

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          • Francisco Rodrigues Lira

            em 01/08/2010 22:48:38

            É salutar o Exército está realizando as obras paralisadas devido as brigas de empreiteiras nas disputas de bolos milionários. Isso é um sinal claro, da existência de abusos praticados nos processos de licitação, que certamente encarecem e retardam as obras pública do país.

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            • jeremias

              em 01/08/2010 15:53:46

              Parabéns aos militares que estão podendo mostrar seu real poder intelectual já que no Brasil as forças armadas são utilizadas pelo governo apenas para desfilar no dia 7 de setembro. Pena que eles não estão trabalhando na BR-101 em Santa Catarina. Acredito que já teriam concluído a obra.

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              • Leandro

                em 31/07/2010 14:18:50

                Muito boa essa iniciativa, o Brasil esta refém das batalhas judiciais e das paralizaçoes de obras, espero que logo isso seja feito aqui no aeroporto de vitoria para que finalmente o Espirito Santo possa crescer sem impecilios, principalmente na area de turismo.

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                • rafael

                  em 31/07/2010 13:22:39

                  Agora so falta o governo cumprir a constituição Art 22, inciso XXI da CF diz que compete a União que pedimos verdadeiramente é a aplicação do artigo 24 do decreto 667/69, pois já é direito dos Militares das Forças Armadas não receber menos que os Policiais Militares dos Estados.

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                  • paulo Luiz Tavares de Mello

                    em 30/07/2010 21:14:01

                    Parabéns aos militares por estes serviços agora so falta transferirem os batalhões para as fronteiras.

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