NEGÓCIOS

Nº edição: 669 | Negócios | 30.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 13.06 - 15:24

A derrapada da Ferrari

A armação no GP da Alemanha pode abalar ainda mais a F-1, que, por essas e outras, tem sofrido com a perda de patrocinadores

Por Eliane Sobral

 Não foi a primeira vez, mas a pergunta que torcedores, patrocinadores e esportistas se fazem é: será a última? Quando o piloto Felipe Massa recebeu a ordem e abriu passagem para o companheiro de equipe, o espanhol Fernando Alonso, assumir a liderança do Grande Prêmio de Hockenheim, na Alemanha, no domingo 25 de julho, a imagem que veio à memória dos milhões de fãs de automobilismo foi a manobra praticada pela mesma Ferrari com Rubens Barrichello e Michael Schumacher, em 2002. 

83.jpg
Final infeliz? Manobra que deu a vitória a Alonso (acima) rendeu multa de US$ 100 mil à Ferrari.
Massa não conseguiu esconder a vergonha

 
E a perplexidade com a cena de Massa abrindo, placidamente, passagem para Alonso pode ser comparável à revelação de que Nelsinho Piquet, hoje banido da categoria, bateu seu carro propositalmente no GP de Cingapura para beneficiar o companheiro de equipe – curiosamente, o mesmo Fernando Alonso que “venceu” a prova. 
 
A celeuma foi instantânea e a federação que regula o esporte, a FIA, tratou de multar a equipe em irrisórios US$ 100 mil, cerca de R$ 178 mil – uma ninharia diante dos US$ 3,9 bilhões movimentados pelo esporte todos os anos. Não foi o suficiente e uma reunião extraordinária que acontecerá em setembro pode anular a pontuação da dupla ferrarista na prova da Alemanha. 
 
Será o bastante para reparar os estragos na imagem da Fórmula 1? E como ficam a marca Ferrari e a imagem dos pilotos envolvidos? “Ainda é cedo para avaliar os estragos econômicos desse tipo de atitude, mas é claro que  ela deixa patrocinadores e anunciantes ressabiados. Ninguém vai querer associar sua marca a um esportista que não lutou pelo primeiro lugar”, avalia Flávio Conti, diretor-geral da agência de publicidade DPZ. 
 
84.jpg
Momento de decisão: a equipe ordena que Massa deixe Alonso assumir a ponta 
 
A Fórmula 1 não pode se dar o luxo de ver mais uma derrapada com passividade. Nos últimos anos, a categoria perdeu 85 milhões de euros em patrocínios – queda referente à saída de empresas como Mutua Madrilena, Royal Bank of Scotland, ING e Panasonic. Outro exemplo emblemático dessa crise foi a saída da Honda, em 2009, cujo espólio foi adquirida por uma libra pelo britânico Ross Brown. 
 
Sem citar números de audiência, o diretor-geral de comercialização da Rede Globo, Willy Haas, diz que os incidentes envolvendo troca de posição nas pistas ou mesmo o episódio ainda mais grave com Nelsinho Piquet, não afetará os negócios em torno do esporte – nem do ponto de vista comercial nem da audiência. Não é o que parece. 
 
Depois do GP da Alemanha e da manobra da Ferrari, as redes sociais na internet deram um bom panorama de como a torcida reagiu – e a maioria não gostou do que viu. Não faltaram protestos em blogs e no Twitter e anúncio de gente disposta a deixar o esporte de lado. 
 
Isso pode ser desastroso para a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão exclusiva da Fórmula 1 no Brasil. No ano passado, Petrobras, Schincariol, Santander, Renault e Mastercard, as cinco empresas que compraram cotas de transmissão, pagaram
R$ 56,3 milhões cada uma. 
 
82.jpg
 
 
Se ficaram felizes ou não com a crise de credibilidade que parece pairar sobre a categoria, os patrocinadores preferem não dizer. O banco Santanter, que pagou 200 milhões de euros para patrocinar a escuderia italiana por um período de cinco anos, limitou-se a emitir comunicado de uma linha e meia no qual diz: “Patrocinamos a Ferrari e não temos nenhum tipo de ingerência nos assuntos e orientações da escuderia.” 
 
Para o consultor de marketing esportivo César Gualdani, atitudes pouco desportivas como as que vêm acontecendo na F-1 têm impacto geral. “Tanto para as emissoras que compram os direitos de transmissão em todo o mundo como para os patrocinadores. 
 
Não estou dizendo que haverá fuga de anunciantes, mas é claro que eles já estão de olho nessas atitudes pouco éticas”, diz Gualdani. Já para o diretor de inteligência de mercado da agência de publicidade Y&R, César Ortiz, perde mais a Ferrari por deixar de lado a competição, que é a essência do esporte. “A escuderia não cometeu uma fraude. Ela diz que é uma estratégia. Ok. Mas não é isso que nos faz acordar cedo aos domingos pela manhã.”
 

ASSUNTOS RELACIONADOS

Multimídia

Inflação no Brasil em destaque nesta quarta

A FGV divulga o IGP-DI, que deve registrar inflação de 0,33% em janeiro, e o IPC-S da primeira semana de fevereiro.

O dinheiro está em São Paulo

O Estado de São Paulo pode receber R$ 40 bilhões em investimentos diretos em 2012. Luciano de Almeida, presidente da Investe São Paulo afirma que 18 projetos estão em negociação avançada, incluindo as fábricas da Foxconn e da BMW.

O plano de Mantega para garantir o crescimento

O ministro da Fazenda conta à DINHEIRO como pretende proteger a economia brasileira e assegurar um aumento de 4,5% do PIB em 2012, ano em que as incertezas ainda dominam o cenário mundial.

Economia - Um vice-presidente com voz própria e personalidade forte

Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

- - Fatos em Destaque

- - Fatos em Destaque


  • VENDAS DO FUTURO

    em 31/07/2010 20:15:38

    Produtos com a marca ferrari são encontrados em www.vendasdofuturo.com.br Esta empresa ajuda a fazer sua compra via internet e otimizar a escolha do produto. Além disso, é preocupada com a sustentabilidade ambiental onde a cada compra planta uma árvore e registra em seu nome.

    Denuncie esse comentário

    • VENDAS DO FUTURO

      em 31/07/2010 20:15:00

      Produtos com a marca ferrari são encontrados em www.vendasdofuturo.com.br

      Denuncie esse comentário

      Por favor, preencha todos os campos abaixo para deixar seu comentário.
      A Istoé Dinheiro pode utilizar este comentário para divulgação na revista impressa.

        Isto é compartilhar

        Divida sua leitura com seus amigos

        Blogs e Colunas

        ver todos
        publicidade

        Edições especiais

        • Editora 3

        índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

        © Copyright 1996-2011 Editora Três
        É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
        Fechar [X]