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online | Oi | 28.JUL.10 - 16:34 | Atualizado em 25.09 - 09:06

Para PT, participação na Oi é estratégica

Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom, afirma que operadora não será apenas um investidor financeiro e que vai participar da gestão da Oi

Por Rodrigo Caetano

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 Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom

Para Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom (PT), a empresa não será um mero investidor financeiro na Oi. “Seremos um acionista estratégico”, afirmou o executivo, em encontro com jornalistas realizado na sede da empresa, em Portugal. Hoje, 28, a operadora acertou a compra de 22,38% da supertele brasileira, por R$ 8,4 bilhões.

A afirmação de Bava tem fundamento. Pelo acordo, a PT ficará com 10% do bloco de controle da Oi. Os grupos Andrade Gutierrez e Jereissati, mais a Fundação Atlântico, manterão os 50,1% que possuem hoje. A participação do BNDES no controle da operadora, que hoje é de 49,9%, vai cair para 39,9% (veja o gráfico abaixo).

Não somente isso, os portugueses também contarão com dois membros no conselho de administração da Telemar Participações (TmarPart) e outros dois no conselho da Tele Norte Leste Participações (TNL), controladoras da Oi. A PT também poderá indicar um diretor executivo da TmarPart e vai participar na indicação dos presidentes das controladas da Telemar.

Os portugueses terão, ainda, poder de veto no exercício de votos da Andrade Gutierrez e La Fonte (do grupo Jereissatti) nas reuniões prévias de acionistas da TmarPart e das suas controladas, em relação a determinadas matérias cuja aprovação depende de quórum qualificado, conforme os acordos de acionistas atualmente em vigor.

Segundo Bava, o objetivo da PT é crescer com base em sua capacidade de gestão, seu conhecimento em tecnologia e engenharia e sua experiência no setor de telecomunicações. A entrada na Oi abre caminho, ainda, para uma possível expansão tendo como alvo a América Latina. Dois terços do investimento português na Oi, de acordo com Bava, ficarão na empresa, aumentando seu capital. Com isso, a situação financeira da operadora brasileira deve melhorar, assim como sua competitividade, destacou o executivo. 

Golden share

O presidente do conselho da PT, Henrique Granadeiro, fez questão de ressaltar a importância da medida tomada pelo governo português na assembleia de acionistas que decidiu pela venda da Vivo por 7,15 bilhões de euros. Por meio de sua golden share, Portugal vetou a transação no momento. “Tivemos um problema (a golden share) que interrompeu um processo (a venda da Vivo). Não faço juízo de valor, mas o fato é que, se tivéssemos vendido naquele momento, o valor seria menor”, afirmou o executivo. A operadora brasileira acabou sendo vendida por 7,5 bilhões de euros.

Granadeiro também afirmou que, “obviamente”, o governo de Portugal, como acionista de referência da PT, estava sabendo de todas as negociações para a estruturação da saída da Vivo e entrada na Oi. “Não fico escandalizado, como outras pessoas, diante da participação dos governos nos negócios das empresas de seus países. Estou certo que até o presidente Obama, quando viaja, busca oportunidades para as companhias americanas”, declarou Granadeiro.

Quanto à participação do governo brasileiro nas negociações, o executivo afirmou que o “namoro” entre as duas empresas é antigo. Em 2008, Granadeiro chegou a se encontrar com o então ministro das Comunicações, Helio Costa, para tratar de uma possível entrada na Telemar. O investimento estimado, na época, seria de 3,5 bilhões de euros.

Outro ponto relacionado ao governo brasileiro que foi abordado é o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Bava afirmou que o projeto brasileiro é muito parecido com o que foi feito em Portugal, sob a liderança da PT, e colocou a empresa à disposição para contribuir com o processo. Para colocar o PNBL em ação, o governo ressuscitou a estatal Telebrás, que vai atuar como gestora do plano.

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