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online | Telecomunicações | 28.JUL.10 - 13:18 | Atualizado em 13.06 - 16:25

Operação vai reduzir o endividamento da Oi

Por Cláudio Gradilone

A operação que envolveu Oi, Vivo e Portugal Telecom vai reduzir drasticamente o endividamento da Oi e aumentar a competitividade da empresa telefônica brasileira. Essa é a avaliação dos analistas de mercado sobre a compra, pela estatal portuguesa, de 22,4% das ações da operadora brasileira.
 
O comunicado divulgado na manhã desta quarta-feira, dia 28, ao mercado informa que os portugueses vão adquirir 22,4% das ações da operadora. Essa aquisição será feita por meio de compras de participação em diversas empresas, abertas e fechadas, que dividem o controle da Oi: Telemar Participações, Telemar Norte Leste Participações e Telemar Norte Leste.
 
Ao fim do processo, a Portugal Telecom terá 10% do bloco de controle do grupo. Os grupos Andrade Gutierrez e Jereissati mais a Fundação Atlântico manterão os 50,1% que possuem hoje. A participação do BNDES no controle da Oi, que hoje é de 49,9%, vai cair para 39,9%.
 
Segundo o comunicado, a Portugal Telecom vai desembolsar até R$ 8,44 bilhões pelas ações. No entanto, a injeção de recursos na Oi será bem maior do que isso. Os demais acionistas deverão fazer aportes de capital para evitar que sua participação seja diluída. Na ponta do lápis, a Oi vai receber R$ 12 bilhões.
 
Segundo Alan Cardoso, analista da corretora Ágora, a aquisição vai reduzir drasticamente o endividamento da Oi. Hoje a operadora tem uma dívida líquida estimada em R$ 22,6 bilhões. É muito, cerca de 2,1 vezes a geração de caixa anual medida pelo indicador earnings before interest, taxes, depreciation and amortization (Ebitda). “Considerando a entrada de recursos, essa relação deverá cair para 1,3 vez o Ebitda, em linha com as demais empresas do setor”, diz Cardoso.
 
A Oi elevou seu endividamento com a compra da concorrente Brasil Telecom, em 2008, o que vinha inibindo o crescimento da empresa. “Após a aquisição, a Oi adotou uma política conservadora, que privilegiava a geração de caixa, mas agora, com a dívida equacionada, ela poderá assumir uma atitude mais agressiva no crescimento”, diz Cardoso.
 
Especulações – Cardoso não comenta, mas outros profissionais de mercado especulam se o apetite dos portugueses está satisfeito com essa aquisição. Na ponta do lápis, a Portugal Telecom vendeu muito caro a sua participação de 50% na Vivo, maior operadora de telefonia celular do Brasil.
 
A Telefónica de España, que dividia o controle da Vivo com a Portugal Telecom, tinha um problema sério. Sua única operação relevante no Brasil era a Telesp, empresa de telefonia fixa restrita ao estado de São Paulo. A dificuldade de crescimento além das fronteiras do estado e a ausência de uma operação própria de telefonia celular com quem os espanhóis pudessem buscar sinergias travou o crescimento da Telesp. Não por acaso, a empresa paulista era a menos endividada do setor – era a companhia que menos vinha investindo na expansão e na modernização de sua rede.
 
Para solucionar esse problema, os espanhóis estavam dispostos a pagar caro pela metade que não possuíam na Vivo – e pagaram. Um dos principais múltiplos que indica o valor de uma empresa é o chamado enterprise value em relação ao ebitda. Em português, é o total do valor da empresa mais suas dívidas dividido pela geração de caixa. O indicador representa em quantos anos a geração de caixa repõe o valor total da companhia.
 
A média do setor de telefonia oscila entre os 3,4 anos da Telesp até os 5,6 anos da Tim Participações. Só para comparar, os espanhóis pagaram 10,9 vezes pela participação portuguesa na Vivo. Em bom lusitano, os portugueses têm dinheiro suficiente para adquirirem o controle da Oi se assim o desejarem.
 
Faz sentido? Para mais de um analista, sim. A economia portuguesa tem pouco espaço de crescimento na Europa. Além de o continente ter de atravessar um doloroso processo de ajuste para sanear as extravagâncias bancárias de gregos, espanhóis, irlandeses e italianos, as principais economias – Alemanha e França – não devem crescer muito. Ou seja, a rentabilidade além-mar seria maior do que a europeia.
 
Todos os envolvidos negam essa possibilidade. No primeiro parágrafo do comunicado enviado ao mercado, a Oi reitera que permanece sendo uma companhia “privada e nacional, sob o controle dos grupos Andrade Gutierrez e Jereissati.” Mesmo assim, mais de um profissional de mercado acredita que a investida portuguesa pode ter mais alguns lances.

Leia mais:

> Portugal Telecom entra na supertele brasileira
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