MERCADO DIGITAL

Nº edição: 668 | Mercado Digital | 23.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 17.04 - 17:34

Os últimos moicanos das telecomunicações

A Algar Telecom é uma das poucas alternativas que restaram para quem quer entrar no mercado brasileiro de telefonia. Sabendo disso, ela começa a valorizar seu ativo e amplia sua operação

Por Rodrigo Caetano

 Em seu amplo escritório na sede do Grupo Algar, em Uberlândia (MG), Luiz Alexandre Garcia, CEO da empresa, explora os recursos de seu iPad, recém-comprado nos Estados Unidos. Pelas enormes janelas do prédio, todo envidraçado, é possível avistar algumas vacas pastando em frente à casa de seu avô, Alexandrino Garcia, o fundador da companhia, e onde até hoje mora sua avó, Maria Silva Garcia. 

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"Somos uma empresa de nicho e vamos continuar assim" Luiz Alexandre Garcia,
CEO do Grupo Algar, ao lado de seu pai, Luiz Alberto Garcia, presidente do conselho da empresa

 
A cena descreve um dia comum na vida do executivo e é uma boa representação da situação da Algar, empresa de R$ 3,2 bilhões que atua nos setores de telecomunicações, agronegócios, tecnologia, aviação e turismo. A convivência pacífica entre o passado e o futuro é condição para a existência e para o crescimento da companhia. 
 
Afinal, ela controla a CTBC, a mais antiga concessionária de telefonia do Brasil, com presença em Minas Gerais e em algumas cidades do interior de São Paulo. Ao mesmo tempo, é dona de uma moderna rede de fibras ópticas, que será decisiva no próximo passo da companhia. 
 
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A Algar Telecom, uma das empresas do grupo, da qual a CTBC faz parte, está começando sua expansão em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba. A ideia não é competir no varejo com os grandes grupos de telecomunicações. 
 
O objetivo é brigar para conquistar as médias e pequenas empresas desses grandes centros nacionais, com ofertas de banda larga e de telefonia pela internet (VoIP, da sigla em inglês). Essa estratégia será fundamental para garantir a meta traçada por Luiz Alexandre para os próximos cinco anos. “Quero dobrar o tamanho do grupo”, afirma o executivo. 
 
Criada na década de 1950, a CTBC foi a única empresa de telefonia a permanecer sob controle privado após a implantação da Telebrás, em 1972. Em 1998, passou pela privatização do sistema sem mudar de dono. Hoje, é a marca de varejo do grupo e faz parte da Algar Telecom, nova empresa criada para gerenciar os serviços de telecomunicações da família Garcia. 
 
 
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Divino Sebastião de Souza, da Algar Telecom: "O diferencial da Algar é que
a empresa tem uma cara, diferente das grandes operadoras"
 
 
 
No mercado brasileiro, ela é a quinta maior empresa em telefonia fixa, celular e banda larga, atrás apenas dos grandes grupos, como Telefônica e Vivo (que pertencem a espanhóis e portugueses), Embratel, Claro e NET (que têm como sócia a mexicana Telmex), da brasileira Oi (resultado da fusão Telemar e Brasil Telecom) e da GVT (comprada pela francesa Vivendi). Diante da consolidação do setor, restaram poucas alternativas para quem quer entrar no mercado brasileiro. 
 
E a CTBC, em razão disso, acabou se transformando no último dos moicanos, em uma referência ao grupo indígena americano que é considerado extinto, para as empresas que têm intenção de investir no Brasil. 
 
E o que a torna atrativa? Observe o balanço da Algar Telecom. Em 2009, ela faturou R$ 1,1 bilhão. O lucro líquido da divisão ficou em R$ 58 milhões. No primeiro trimestre deste ano, a receita líquida atingiu R$ 365 milhões, com crescimento de 11,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. 
 
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O número de clientes chegou a 1,6 milhão, contra 1,5 milhão há um ano. Segundo relatório da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, a Algar Telecom tem baixo nível de endividamento e geração de caixa suficiente para garantir a expansão. Até 2014, está previsto R$ 1,5 bilhão em investimentos nas diversas empresas do grupo. 
 
Por outro lado, ela enfrenta competição acirrada de grandes grupos de telecomunicações, com muito mais dinheiro e custo de operação menor em virtude da escala. Esse cenário, na visão da agência, torna a companhia vulnerável a mudanças de ambiente, como uma deterioração mais rápida dos serviços de voz. 
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A  entrada nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Paraná demonstra que a companhia está se preparando para valorizar os ativos. É um sinal de que a empresa pode ser vendida? Luiz Alexandre Garcia diz que não pensa em vender a área de telecomunicações. Mas não vê problema caso a oferta seja interessante. 
 
“Nós já entramos e saímos de alguns mercados no passado”, afirma Garcia. O analista de telecomunicações da consultoria IT Data, Alvaro Leal, acredita que esta pode ser uma opção colocada sobre a mesa. 
 
“Não acharia estranho (a venda da empresa). Uma empresa estrangeira poderia se interessar”, diz.  Entre os ativos da companhia está uma rede de 11 mil quilômetros de fibra óptica.  A Telebrás, que está sendo ressuscitada, nasce com uma rede de 16 mil quilômetros. A previsão para este ano é que os investimentos na Algar Telecom ultrapassem R$ 200 milhões.
 
Com seu jeito mineiro, Luiz Alexandre Garcia explica que não quer concorrer com a Telefônica ou com a Oi. “Somos uma empresa de nicho e continuaremos assim”, afirma. A estratégia é buscar as médias e pequenas empresas, segmento que tem grande demanda por serviços de telecomunicações, mas acaba recebendo o mesmo tratamento de uma pessoa física por parte das grandes operadoras. 
 
“É um setor onde nossos concorrentes não estão”, afirma Divino Sebastião de Souza, diretor-presidente da Algar Telecom. “O diferencial da Algar é que a empresa tem uma cara, diferentemente das grandes operadoras, nas quais o cliente nunca sabe com quem está falando.”
 
 
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A receita é praticamente a mesma da GVT, operadora que começou como espelho da Brasil Telecom nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte do Brasil. Após ampliar a área de atuação buscando clientes de alto valor em São Paulo e em outros grandes mercados, ela foi comprada por R$ 7 bilhões pela francesa Vivendi no ano passado. 
 
Para o analista de telecomunicações da consultoria IDC, João Bruder, a estratégia faz sentido. “A estrutura menor da Algar permite um relacionamento melhor com os clientes”, diz.  E aí o passado mais uma vez influencia o futuro da companhia. 
 
Alexandrino Garcia, o fundador do grupo, chegou de Portugal em 1919. Trabalhou como servente de pedreiro, ferreiro e mecânico antes de fundar a Algar, grupo que atualmente tem mais de 17 mil funcionários espalhados pelo Brasil. 
 
A história de como ele começou o negócio, atendendo pessoalmente aos primeiros clientes da empresa está na ponta da língua de todos os executivos da companhia. O principal slogan da Algar, “gente atendendo gente”, também remete ao seu fundador, que sempre adotou o mote como filosofia empresarial. 
 
Foi com essa mentalidade que Luiz Alberto Garcia, pai de Luiz Alexandre e presidente do conselho de administração do grupo, começou a expandir os negócios da família na década de 1980. Ele profissionalizou a companhia e adotou conceitos de governança corporativa. Nos anos 1990, o empresário chegou a figurar na lista da revista Forbes dos homens mais ricos do mundo. 
 
Apesar do constante contato com o passado, Luiz Alexandre Garcia não faz o tipo emotivo, que comanda a empresa da família com o coração e faria de tudo para evitar que ela mudasse de mãos. Seu estilo é de alguém mais objetivo, que analisa todas as possibilidades antes de tomar uma decisão estratégica. 
 
Ele é o responsável por promover uma vez por ano o evento Algar 2100, que incentiva os executivos do grupo a pensar em como estará a empresa na virada do século. E como ele acha que estará a Algar daqui a 100 anos? “Não tenho ideia. Apenas sei que serão os nossos valores que nos levarão longe.”
 

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  • DmGrNERD

    em 26/01/2012 05:39:01

    comment3,

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    • RTyJiWQNQMpEPMzWG

      em 26/01/2012 05:20:05

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