ECONOMIA

Nº edição: 668 | Economia | 23.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 13.06 - 16:42

O custo da guerra

A desastrosa ofensiva no Iraque e no Afeganistão já consumiu US$ 1,1 trilhão dos EUA

Por Hugo Cilo

Ouça um resumo da reportagem sobre a desastrosa ofensiva americana no Iraque
 
Em 11 de setembro de 2001, quando as imponentes torres gêmeas de Nova York viraram uma pirâmide de entulho, uma gigantesca atividade econômica cresceu nos Estados Unidos: a indústria do medo. Qualquer superlativo para descrever o setor de inteligência americano não é exagero. 
 

 

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Inimigo no deserto: despesa bélica dos EUA desde 2001 só é menor que o da Segunda Guerra Mundial
 

 

 
Desde aquela data, a ofensiva militar que se rotulou “guerra ao terror” já consumiu mais de US$ 1,1 trilhão, a maior despesa bélica da história depois da Segunda Grande Guerra, que custou US$ 4,1 trilhões aos cofres americanos. 
 
Os custos vão muito além dos fronts de batalha no Iraque e no Afeganistão. Um relatório secreto divulgado pelo jornal The Washington Post mostra que o contribuinte americano sustenta 1.271 departamentos públicos antiterrorismo e há 1.931 empresas privadas trabalhando diretamente na defesa do território americano, seja no treinamento de cães farejadores de bombas, seja na infiltração de informantes em comunidades de imigrantes árabes.
 
A indústria antiterror também impressiona pela geração de postos de trabalho. A atividade emprega 854 mil pessoas, duas vezes a população de Santos, e gera milhares de relatórios que, se fossem empilhados, alcançariam a altura de um prédio de seis andares por mês. 
 
“Este é um dos setores mais ativos da economia americana”, diz o economista Antonio Correa de Lacerda, professor de política internacional da PUC-SP. “É peça-chave na estratégia de manter a hegemonia e o status de polícia do mundo.” 
 
Essa indústria queima montanhas de dólares no combate a um inimigo invisível e ajuda a alimentar o déficit no orçamento dos Estados Unidos (que deve atingir US$ 1,6 trilhão em 2010). Por outro lado, é uma importante ferramenta econômica e ajudou a minimizar o impacto de quase um milhão de trabalhadores demitidos pela indústria americana neste ano. Não há sinais de que a poderosa indústria do medo reduzirá os investimentos nos próximos anos.
 

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