NEGÓCIOS
Nº edição: 668 | Negócios | 23.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 18.12 - 17:01
Como esquentar as vendas
Uma marca de roupas de neve em pleno país tropical. Conheça as estratégias da americana The North Face para vender seus produtos no Brasil
Por Márcio Kroehn
Nada define tão bem a presença da The North Face (TNF) no Brasil como a expressão “vender geladeira para esquimó”. A marca norte-americana, conhecida pelas suas roupas acolchoadas e pesadas para enfrentar o rigor da neve, tem o desafio de vender seus artigos em um país cujas temperaturas que chegam a 40 graus.
Ao abrir sua primeira loja no Brasil há um ano, a companhia, uma das principais marcas do grupo VF Corporation, gigante que atua na moda e faturou US$ 7,2 bilhões no ano passado, teve de se adaptar ao mercado. Por isso, precisou encontrar – e ainda busca – uma fórmula para fazer sucesso em um país tropical.
“Ainda estamos testando o correto mix de produtos e o melhor conceito de loja para os brasileiros”, diz Jacob Uhland, diretor da The North Face para a América Latina. Afinal, cada passo é dado com muita cautela. E o próximo será em setembro, quando a marca abre sua segunda loja por aqui, no shopping Iguatemi em São Paulo.

Abaixo de zero: Jacob Uhland, diretor da The North Face, no
provador climatizado da loja no Shopping Morumbi
Para colocar os pés no Brasil, a TNF mapeou o mercado local durante cinco anos. O detalhado planejamento ajudou na escolha de equipamentos e artigos ligados a esportes de aventura ao ar livre praticados sob o calor do verão, como montanhismo e canoagem.
Eles equivalem a 15% do total de produtos à venda na loja do shopping Morumbi – o restante vem de roupas para o dia a dia, produtos que a grife já possui nos EUA. No mercado americano, a predominância é de artigos direcionados para o frio. “A The North Face abriu as portas de um conceito de estilo de vida aventureiro para o público brasileiro”, diz Sérgio Franco, presidente da consultoria de esportes de aventura Brazilian Adventure Society.
E novas estratégias estão sendo adotadas para conquistar os clientes dos trópicos. “Já sabemos que a corrida é um esporte que tem ganhado importância no Brasil”, diz Uhland. E a TNF já desenvolveu artigos especialmente para a modalidade.
A ligação com os corredores de longa distância está impregnada no DNA da marca. A TNF é a patrocinadora do ultramaratonista Dean Karnazes, uma das 100 personalidades mais influentes da revista Time e que percorreu 50 Estados americanos em 50 dias vencendo 42,2 quilômetros todas as manhãs.

É neste segmento que ela pode competir com marcas premium, como a Track&Field, à medida que for mais conhecida no País. Aliás, foi com a ousadia do desafio de seu patrocinado que a TNF ganhou prestígio e popularidade com o público americano.
E agora quer fazer o mesmo no Brasil. Em setembro do ano passado, a TNF trouxe Karnazes para uma prova de 24 horas em São Paulo. Ele correu um dia inteiro, passando pelos principais pontos turísticos da cidade como o Mercado Municipal e a Ponte Estaiada. Esse evento serviu para pôr a marca em evidência.
A tática de explorar artigos para corredores não quer dizer que a TNF tenha deixado de lado a sua essência. “Vemos muitos brasileiros viajando para os Estados Unidos, a Europa, o Chile ou a Argentina nas temporadas de inverno. E, para estar nesses lugares, é preciso ter equipamentos quentes e pesados”, diz Uhland.
Por isso, para evitar a compra às cegas, a marca trouxe o frio para dentro da loja. Como? Criou um provador climatizado que reproduz a sensação gélida das baixas temperaturas, mesmo se os termômetros estiverem próximos dos 30 graus. É uma maneira de mostrar a capacidade de proteção de suas jaquetas para a neve.
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