NEGÓCIOS

Nº edição: 667 | Negócios | 16.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 07.02 - 12:18

"A Encol foi sequestrada"

O empresário Pedro Paulo de Souza rompe 11 anos de silêncio e lança um livro com sua versão da falência da maior construtora do Brasil

Por Guilherme Queiroz

 

Clique e ouça um resumo da reportagem

 

O engenheiro capixaba Pedro Paulo de Souza costuma contar que ergueu o maior império da construção civil brasileira do século 20 a partir de “meio Fusca”. Item único nas posses da Encol em 1961, o carro popular daria origem a um patrimônio de US$ 1,2 bilhão no apogeu da empresa, em valores de 1994. Considerada um exemplo de companhia moderna e arrojada, a Encol vendia apartamentos como água.
 

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"Agora tenho como provar o que aconteceu "
Pedro Paulo de Souza, ex-dono da Encol

 


Para fechar negócio, seus corretores aceitavam até produtos e bens diversos como parte dos pagamentos. As receitas dos lançamentos bancavam as construções vendidas anteriormente, até que um dia as fontes financeiras secaram e a Encol protagonizou a quebra mais dramática vivida por uma grande empresa brasileira até então.

Ao ter a falência decretada, em 1999, a companhia goiana deixou como legado 710 esqueletos de concreto espalhados pelo Brasil, 23 mil funcionários desempregados e 42 mil clientes sem dinheiro e sem os imóveis que haviam comprado. Entrou para a história como uma empresa mal administrada, adepta de práticas fraudulentas de gestão e de relações promíscuas com o poder público. Recluso nos últimos 11 anos, Souza agora emerge para narrar a sua versão dos fatos.

No livro Encol – O sequestro: tudo o que você não sabia (Bremen, 351 páginas), o empresário reescreve os capítulos finais da companhia e atribui sua falência a uma intrincada trama urdida por diretores do Banco do Brasil na ocasião e avalizada pelo então secretário-geral da Presidência da República do governo Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Jorge Caldas Pereira. “Agora tenho como provar o que aconteceu.

 

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Diário de um sequestro:
a partir da esq., em sentido horário: prédio inacabado da Encol em Campinas (SP); protesto de funcionários
e mutuários da casa própria lesados pela quebra da empresa; e Eduardo Jorge Caldas Pereira, que refuta
as acusações do empresa; e Eduardo Jorge Caldas Pereira, que refuta as acusações do empresário falido

 

Quero que vejam as provas. A empresa faliu e eu não sabia por quê”, disse Souza à DINHEIRO no lançamento do livro, na quinta-feira 14, em Goiânia. Durante oito anos, ele juntou relatos e documentos que revelariam uma “artimanha” para “sequestrar” a companhia. Segundo ele, o arquiteto do plano foi o então diretor de crédito do BB, Edson Soares Ferreira, que é apresentado no livro como homem de confiança de Caldas Pereira.

O dono da Encol sustenta que procurou o secretário-geral da Presidência, no início de 1994, para interceder a favor de um empréstimo no BB, no que teria sido o início do longo processo de sangria nas finanças da Encol.

Na versão do construtor, durante os dois anos que antecederam a intervenção na empresa, a diretoria do BB o manipulou, sabotou financiamentos do BNDES e do Itaú e orquestrou a saída do Banco Pactual do processo de reestruturação do grupo. "A diretoria do banco queria ficar com a empresa", diz ele.

Um empréstimo de R$ 600 milhões junto a um pool de bancos, coordenado pelo BB, teria sido inviabilizado pelos diretores da instituição quando eles elevaram para R$ 1,8 bilhão o valor estimado como necessário para salvar a empresa. As últimas 80 páginas do livro reproduzem os documentos que comprovariam essa versão.

Uma carta sigilosa do então presidente do conselho fiscal, Ely Kaufman, ao presidente do banco, Andrea Calabi, em março de 1999, revela o sumiço de um cofre do conselho fiscal do BB. Nele, haveria documentos sigilosos que, segundo Souza, provariam que a Encol tinha capacidade financeira em 1995 e não teria quebrado se não fosse a ação do banco.

Ouvidos pela DINHEIRO, os ex-executivos do BB contestam a versão do sequestro da Encol. Calabi e Ferreira não confirmam o sumiço do cofre. “Não tenho lembrança disso agora. Era um episódio cheio de acusações recíprocas. Coisas desse tipo seriam encaminhadas para a área jurídica”, diz Calabi, que assumiu o banco em 1999. Edson Soares Ferreira refuta as acusações.

“A Encol não submergiu em função de nenhum plano maquiavélico. Ela sofreu da incapacidade de sobreviver em uma economia estabilizada”, afirma. Caldas Pereira, ex-secretário de FHC, também desmente a versão do complô. “Ele já fez essas acusações ao Ministério Público, que investigou e nunca achou evidência alguma de que isso era verdadeiro. A Encol era uma bicicleta e parou de funcionar”, afirmou à DINHEIRO.

O empresário falido escolheu a data de seu 74º aniversário para lançar o livro num luxuoso hotel de Goiânia. Ele diz que tira seu sustento de serviços de consultoria para “meia dúzia” de empresas de construção sediadas em cidades como Cuiabá, Ribeirão Preto e Goiânia.

Com todo o patrimônio perdido na falência da Encol, Souza mora num apartamento de classe média no bairro Setor Oeste da capital goiana, que aluga por R$ 650 de “uma velha senhora”. E diz que voltou a frequentar bons restaurantes. Vaidoso, ainda pinta o cabelo de acaju, como nos tempos gloriosos da Encol.


“A diretoria do banco queria ficar com a Encol”

Qual seria a motivação dos diretores de um banco para “sequestrar” uma empresa? Pedro Paulo de Souza, ex-dono da Encol, acusa ex-executivos do Banco do Brasil de elaborar um plano para ficar com a  maior construtora de imóveis do Brasil. Ele falou à DINHEIRO:
 

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Por que decidiu escrever o livro?
Logo depois de ser preso (em 1999, durante 59 dias), estive no Congresso e  ouvi uma declaração do Jair Bilachi (ex-presidente da Previ) dizendo que o Banco do Brasil havia retirado o Banco Pactual da recuperação da Encol. Aí percebi o que estava acontecendo.

O sr. não poderia simplesmente ter encerrado a negociação com o Banco do Brasil?

Poderia, mas só depois da falência é que eu soube o que tinha acontecido. Se tivesse procurado um banco privado, a Encol não teria falido. Os que procurei foram corretos comigo. Fiquei imobilizado pela direção do Banco do Brasil.

Por que o sr. diz que a empresa foi “sequestrada”?
Foi pelo fato de o Banco do Brasil me retirar da presidência da empresa. Primeiro solicitaram que eu caucionasse minhas ações por cinco anos, com a justificativa de resolver o problema. A diretoria do banco queria ficar com a Encol.

O sr. pretende apresentar os documentos à Justiça?
Vamos preparar uma ação contra o Banco do Brasil e os diretores que prejudicaram a Encol.

 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • em 07/02/2012 12:18:40

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    • em 07/02/2012 08:19:08

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      • em 07/02/2012 04:22:37

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        • em 07/02/2012 00:26:11

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          • Carlos

            em 30/09/2011 17:46:58

            Não sei o que houve e nem aprecio FHC. Mas sei que adquiri um apartamento um apto. no Ed. Plaza Toulouse da Encol, em Belém, e, dei sorte de ter vendido antes do "rolo": o apartamento estava hipotecado ao Banco Sudameris por empréstimo concedido à Encol.

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            • MIRIAN LOPES DA SILVA

              em 24/11/2010 01:20:41

              ANTES DE VOCES FALAREM OS ABSURDOS QUE ESTAO FALANDO DA ENCOL E DO DR. PEDRO PAULO, DEVERIAM PRIMEIRO LEREM O LIVRO. FINALMENTE ELE CONSEGUIU MOSTRAR A VERDADE A SOCIEDADE BRASILEIRA. ELE JAMAIS QUIZ PREJUDICAR OS CLIENTES E OS FUNCIONARIOS E FEZ TUDO O QUE PODE PARA A ENCOL NAO FALIR.

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              • Ivan Balieiro

                em 19/07/2010 22:36:21

                Não comprem o livro a prazo. O risco de não receber é grande !

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                • Uberlandia - Carlos

                  em 19/07/2010 22:10:01

                  E ainda mais, hoje após dez anos em gente ainda lutando na justiça contra ações de pessoas que venderam terrenos em troca de duzias de aptos e como nada levaram querem imputarm aos compradores o onus do negocio mal feito, e la vai dinheiro pra advogados...........Encol, covil de ladrões.

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                  • carlos - Uberlandia

                    em 19/07/2010 22:06:30

                    De uma volta pela cidade de Uberlandia, veja vária obras inacabadas, locais onde familias moravam, eles davam 10 aptos num local que nao valiam tres, familias foram desalojadas, quem comprou ficou sem nada, quem vendeu, nada levou, malandro que tinha ao seu redor uma quadrilha tem gente rica nisso..

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                    • Gilmario Matos

                      em 19/07/2010 08:25:20

                      Como um empresario não sabia que sua empresa estava falindo veio saber após ela ter falido de fato, estranho isso então ele confesssa realmente não ter o controle de sua empresa, na parte mais sensivel o financeiro, isso é que dá se envolver com pessoas inescrupulosas como esses diretores do banco.

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                      • edson

                        em 18/07/2010 07:05:45

                        E tem alguém ainda que terá coragem de coprar seu livro, fazendo com o que relembre os desesperos vividos por aqueles que deu seu suado dinheirinho em prol da casa própria e ficou a ver navios. Essa quebradeira da encol pode sim, ter tido influência política, mas foi pura ganância.

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                        • Leandro

                          em 18/07/2010 03:27:09

                          agora convenhamos, como pode um alto funcionario do BB dizer que simplesmente nao se lembra de algo como o sumiço de um cofre? se ele dissesse isso nk aconteceu, dava pra acreditar, mas ele alega nao se lembrar, ai ja é demais. tem caroço nesse angu

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                          • Marcelo

                            em 18/07/2010 00:54:39

                            Esse cara é um caloteiro sem vergonha, mora em um apartamento alugado de uma "velha senhora", posso imaginar quem é a "velha". A Encol assim como muitas outras empresas faliram por má gestão e trambique de seus sócios a Encol deu passos muito além da sua capacidade, crescia às custas de empréstimos

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                            • Joana

                              em 17/07/2010 20:10:59

                              Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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                              • Joana

                                em 17/07/2010 20:10:36

                                Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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                                • Joana

                                  em 17/07/2010 20:09:05

                                  Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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                                  • Joana

                                    em 17/07/2010 20:07:37

                                    Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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                                    • Joana

                                      em 17/07/2010 20:02:29

                                      Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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                                        em 17/07/2010 19:57:03

                                        Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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                                        • Joana

                                          em 17/07/2010 19:55:30

                                          Que bom esclarecer o que aconteceu com a Encol, empresa da qual fui funcionária. Espero que este livro mostre o que já desconfiávamos, que a mão de terceiros foi determinante para o fim da empresa.

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