NEGÓCIOS

Nº edição: 667 | Negócios | 16.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 17.06 - 11:52

O lado digital da Cemig

A companhia de energia mineira entra no setor de data center para brigar com HP e IBM. O que ela pretende com isso?

Por Paulo Brito

No começo do ano passado, Djalma Morais, presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma gigante com faturamento de R$ 17,4 bilhões, disse com todas as letras que a empresa estava com dinheiro em caixa e pronta para ir às compras. Dito e feito: em apenas três meses, ela comprou duas empresas de transmissão de energia.

Uma foi a Terna, por R$ 2,3 bilhões, e logo depois a Brookfield, por R$ 480 milhões – ambas do setor elétrico. Mas recentemente a companhia avançou sobre uma área que, aparentemente, não tem nada a ver com o seu negócio: a informática.
 

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Siffert, da Ativas: presidente da companhia comprada pela Cemig quer
liderar um mercado que movimenta R$ 4 bilhões

 

A estatal, por meio da Cemig Telecom, seu braço de telecomunicações, comprou uma fatia da Ativas, empresa que vende serviços de infraestrutura de tecnologia da informação. O valor do negócio, R$ 6,7 milhões, é pequeno, mas as ambições da  Cemig são grandes. A expectativa é faturar R$ 200 milhões por ano a partir de 2014. Para isso, a Ativas está investindo R$ 50 milhões na construção de um data center de 11 mil metros quadrados.

À primeira vista, essa compra pode não fazer muito sentido. Mas Alexandre Siffert, presidente da Ativas, diz que uma empresa de telecomunicações, outra de sistemas de informação e um data center formam um triângulo vencedor.

 “A parceria com a Cemig Telecom tem 100% de sinergia”, diz Siffert. Motivo: por dentro dos cabos de transmissão de energia correm fibras ópticas. Pelas fibras, passam voz e dados. Por atender 29 cidades mineiras, com uma rede de quatro mil quilômetros de extensão, a Cemig Telecom quer aproveitar esse ativo que tem em mãos.

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Especialistas acreditam que a ideia da companhia é concentrar em um só local todo o processamento de dados das mais de 60 empresas do grupo Cemig e, de quebra, aproveitar a infraestrutura para atrair novos clientes.

Hoje, a Ativas já atende empresas como a locadora de automóveis Localiza e a operadora de planos de saúde Unimed. “Vamos trazer mais clientes”, afirma Siffert, da Ativas. “Pretendemos abrir filiais em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro”, diz ele. No caso do Estado fluminense, aliás, a Cemig tem a vantagem de ser dona da Light e portanto possui uma grande rede de cabos já montada.
 

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O Data Center : uma obra de R$ 50 milhões, para abrigar outros R$ 60 milhões em equipamentos e sistemas

Apesar dessa vantagem competitiva, a Ativas não terá uma vida tão tranquila. A empresa entra em um mercado onde imperam pesos-pesados como HP, IBM e Tivit. Justamente por isso, os sócios reservaram mais de R$ 60 milhões que serão usados na compra de computadores e sistemas nos próximos cinco anos.

Dados da consultoria IDC Brasil, especializada em informática, apontam que esse segmento movimenta cerca de R$ 4 bilhões por ano e tem crescido a uma taxa anual de 30%. Embora o negócio seja promissor, alguns analistas de mercado fazem uma ressalva. “Os acionistas da Cemig podem se incomodar com esse novo negócio”, diz Osmar Camilo, analista da Socopa Corretora. “Uma empresa que faz investimentos muito longe do seu foco pode inquietar os acionistas”, acrescenta.

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