ECONOMIA

Nº edição: 666 | Economia | 09.JUL.10 - 18:00 | Atualizado em 08.04 - 07:55

Ruptura? Não nos investimentos

Os candidatos à eleição presidencial são extremamente conservadores na hora de aplicar seu próprio dinheiro

Por Cláudio Gradilone

Vídeo: Confira entrevista sobre o tema com o editor de Finanças da Dinheiro, Cláudio Gradilone, à editora da Istoé Online, Flavia Lima

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Continuidade ou ruptura parcial. Centro ou, com menor probabilidade, esquerda. Moderação ou um leve radicalismo. Essas são as alternativas políticas que o eleitor terá de analisar no pleito de 3 de outubro, que vai definir o sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva.

Porém, se a forma como os candidatos administram seu patrimônio pessoal for uma indicação de como eles vão proceder no governo, os brasileiros podem se preparar para quatro anos muito tediosos. Todos, sem exceção, são tremendamente conservadores e cautelosos na hora de administrar seu próprio dinheiro. “Os patrimônios têm pouquíssimo risco”, diz Luiz Jurandir Simões, consultor financeiro e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

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Imóveis e empresas: Dilma Rousseff aplica quase tudo em casas; Michel Temer tem
dinheiro em cotas de empresas de advocacia e imobiliárias

 

Simões analisou um resumo das declarações de bens dos candidatos, apresentadas nesta semana ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A variação é enorme: considerando apenas os candidatos a presidente e a vice mais expressivos na preferência do eleitorado, o patrimônio vai de espartanos R$ 149 mil de Marina Silva até R$ 1,2 bilhão de seu vice, Guilherme Leal.

Dilma Rousseff tem pouco mais de um milhão de reais e seu vice, Michel Temer, tem quase seis vezes esse valor. José Serra e Antonio Índio da Costa estão praticamente empatados, com R$ 1,4 milhão cada um.

Dilma é uma candidata conservadora com o próprio dinheiro – 76% dos recursos estão investidos em imóveis, quase todos em Porto Alegre. Para Simões, isso é conservadorismo demais. “Imóveis são uma boa reserva de valor, mas sua rentabilidade é baixa no longo prazo”, diz ele.

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Em casa e no mundo: Marina Silva investe em poucos imóveis no Acre; o bilionário vice,
Guilherme Leal, tem um terço de seu capital aplicado no exterior

Há mais um problema: a candidata é mulher, tem 62 anos e, pelas estatísticas, tem mais 20 anos de expectativa de vida. “A candidata deveria aplicar um pouco mais de dinheiro em ações, para obter um retorno melhor e ficar mais garantida na aposentadoria.”

Dilma também declarou possuir um automóvel Fiat Tipo, 1996, que avaliou em R$ 30 mil. Vai ser difícil para ela obter esse valor: um modelo desse ano custa, no máximo, R$ 9.800. Michel Temer tem mais de um terço de seus quase R$ 6 milhões em participações de empresas, tanto escritórios de advocacia quanto empresas imobiliárias.

José Serra tem a distribuição de recursos mais equilibrada: quase metade na renda fixa, 25% em previdência privada e 25% em imóveis. “É a alocação típica de um investidor maduro de classe média”, diz Simões. O conservadorismo vem de longa data.

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O certinho e o ousado: José Serra tem o perfil típico de um investidor maduro de classe média,
com ovos em várias cestas; já Índio da Costa tem barco e avião

Na eleição anterior, Serra havia declarado um patrimônio de R$ 800 mil. “Considerando-se o desempenho dos juros e da bolsa, é possível dizer que ele arriscou muito pouco com os investimentos nesse período.” Índio da Costa tem o patrimônio mais diversificado – um quarto do que possui é representado por um barco e um avião ultraleve.

Marina Silva tem poucos imóveis, em sua maioria no Acre, e pequenas aplicações financeiras. Já seu vice, como seria de se esperar de um empresário bilionário, tem investimentos no Brasil e no Exterior, participações em empresas (a Natura em especial), obras de arte e até – prevenido – um túmulo em um cemitério paulistano.

Mais de metade do dinheiro que tem está em aplicações de renda fixa, o que é condizente com sua idade e sua faixa de renda. “Quando o patrimônio de um investidor chega ao bilhão de reais, a rentabilidade é menos importante do que a preservação do capital”, diz Simões.

 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • FDZlsugXPOjNPq

    em 23/11/2011 18:23:02

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