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Nº edição: 666 | Estilo | 09.JUL.10 - 18:00 | Atualizado em 16.01 - 11:49

Esporte da realeza

Conheça a atrelagem, a categoria de hipismo preferida do príncipe da Inglaterra e que acaba de chegar ao Brasil. O custo para iniciantes? R$ 20 mil e pelo menos um cavalo treinado

Por Carolina Guerra

Em abril deste ano o príncipe Philip, 89 anos, marido da rainha Elizabeth II, machucou o tornozelo enquanto andava de carruagem. No ano passado, ele deu um mau jeito nas costas, depois de praticar a mesma atividade. Os dois acidentes têm origem idêntica: a atrelagem esportiva ou, em inglês, horse carriage. Trata-se de um esporte que tem por objetivo mostrar a habilidade na condução de cavalos que são atrelados a uma carruagem.
 

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Cavaleiros em prova: A atrelagem inclui as categorias com um, dois ou quatro cavalos. são três dias de competição
que incluem adestramento, maratona, maneabilidade e elegância. os cavaleiros precisam mostrar controle total dos animais

A atividade pode garantir momentos de muita ação – daí o risco de contusões. Bastante popular entre os britânicos, a atrelagem é uma desconhecida no Brasil. Por pouco tempo, já que o esporte acaba de chegar ao País. Por trás desta empreitada estão a veterinária Carolina Borja, dona do Haras São Francisco de Borja; Alvaro Coelho da Fonseca, dono da imobiliária Coelho da Fonseca, e a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).

Eles fundaram a Associação Brasileira de Atrelagem (Abrat), que irá prover informações a todos os que quiserem se iniciar na prática. “Atrelagem é um esporte familiar e tem muito para crescer no Brasil”, aponta Carolina.

Para praticar a atrelagem esportiva são necessários uma carruagem específica, um arreio e um, dois ou quatro cavalos. Estima-se que o custo para a carruagem e o arreio fique em torno de R$ 20 mil (se o veículo for importado pode ser mais caro, por causa das taxas). Não há restrições quanto à raça dos cavalos, visto que o objetivo inicial no Brasil é trazer mais e mais adeptos ao esporte. No Exterior, são utilizados cavalos das raças bretão e clydesdale.

A Abrat dá assistência para o treino do animal. Atualmente, apenas dois haras no País estão preparados para treinar os cavalos. Trata-se do Haras Larissa, de propriedade de Alvaro Coelho da Fonseca com outros investidores, e do Haras Interagro, maior criador de cavalos lusitanos no mundo.

A preparação leva cerca de dois meses, se os cavalos já estiverem domados para a montaria, e custa aproximadamente R$ 500 por mês, por animal, mais os custos de pensão do haras. Mas se o objetivo for a prática em competições, os treinos podem se estender por mais de um ano. Quanto às carruagens, a maioria ainda é importada.
 

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O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, é um fã do
esporte e já se machucou duas vezes nas provas

 

A Abrat tem planos de estabelecer uma representação comercial de algumas marcas de carruagens consagradas internacionalmente, como a alemã Kühnle, além de incentivar um produtor nacional. A Charretes Bertolo, por exemplo, já iniciou a produção. “A atrelagem era a única modalidade, entre todas as outras de hipismo, que a confederação não tinha”, diz Luiz Roberto Giugni, presidente da CBH.

“No prazo de dois anos queremos estar em competições internacionais”, completa. Apesar de o príncipe Philip ter se machucado duas vezes, a velocidade não é necessariamente o que mais importa nesse esporte. São três dias de competição que incluem provas de maneabilidade e adestramento.

Entre os quesitos avaliados estão a harmonia de movimentos e o posicionamento dos cavalos, enquanto o cavaleiro percorre trechos com obstáculos, como poça d'água e curvas fechadas. O esporte inclui, ainda, uma prova de elegância em que são avaliados até os trajes do condutor – necessariamente clássicos, com direito a chapéu, luva e blazer.
 

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Carolina Borja: para competições, a preparação dos cavalos pode levar mais de um ano

Hoje o principal centro de atrelagem no Brasil é o Haras Larissa, em Monte Mor, interior de São Paulo. Essa antiga propriedade da família Bordon recebeu investimentos da ordem de US$ 20 milhões. O empreendimento quer atrair compradores de lotes que custam cerca de R$ 370 por metro quadrado.

O haras, que pretende se tornar referência no segmento, abriga uma coleção de carruagens entre bigas de Eduardo Morais Dantas, proprietário da construtora Morais Dantas, além de veículos da família de Carolina e do próprio Coelho da Fonseca. Todos à espera de aventureiros com queda por esportes da realeza.

 

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