NEGÓCIOS
Nº edição: 665 | Negócios | 02.JUL.10 - 21:00 | Atualizado em 16.01 - 10:53
O sisudo Le Monde nas mãos do rei do sexo
Um dos jornais mais tradicionais da França, festejado pela esquerda e pela intelectualidade, agora pertence a um empresário que fez fortuna com telessexo
Por Eliane Sobral
Com 66 anos de vida e afundado em dívidas que ultrapassam os 100 milhões de euros, o tradicional e sisudo jornal francês Le Monde está prestes a mudar de comando. “Pièce de résistance” da intelectualidade francesa, o Le Monde saiu das mãos de uma comissão de jornalistas identificados como à esquerda do poder para cair nas de um banqueiro, de um mecenas e, quem diria, do rei da pornografia na França.

Juntos, ele assumiram as dívidas do jornal mais respeitado do país e vão investir 110 milhões de euros. Não os conhece? Vamos às apresentações: Matthieu Pigasse, 42 anos, é um banqueiro que ostenta no currículo cargos como diretor do Tesouro francês e assessor técnico de Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro da Fazenda e da Indústria da França e hoje diretor-geral do FMI. Pierre Bergé, 80 anos, é ex-companheiro do estilista Yves Saint Laurent, atua como mecenas e financia algumas publicações voltadas para o público gay.
Xavier Niel, o último do trio que vai comandar o Le Monde, é o mais polêmico de todos. Ele iniciou a sua fortuna – hoje estimada em mais de 2,4 bilhões de euros – vendendo serviços de telessexo. Em comum com os novos parceiros, Niel só tem a abastada conta bancária. Os dois primeiros são de Neuilly Sur Seine, o pedaço parisiense com a maior concentração de ricos de toda a França. Já Niel, nasceu em Créteil, no 11º arroundissement –, ou seja, a um passo da periferia.

Xavier Niel: o novo dono do Le Monde já foi acusado de explorar prostituição e caiu na malha fina francesa
Autodidata, Niel começou a vida comercializando ligações telefônicas por meio da “minitel rose”, sistema de chat online de troca de mensagens eróticas com garotas idem. Com o dinheiro que fez com o serviço, Niel tentou se desvincular do mundo da pornografia e comprou uma pequena empresa do setor de telefonia, a Fermic Multimedia, e a rebatizou de Lliad.
Era 1991 e, embora a palavra internet significasse muito pouco para o grande público, o empresário começou a investir na área. Entre as inovações lançadas por ele, estava a primeira lista telefônica eletrônica do mercado francês.
Dois anos depois, ele sairia na frente da concorrência mais uma vez e lançaria o primeiro provedor de acesso à internet, o WorldNet, vendido, em 2000, por 4 milhões de euros. Em 2002 ele daria a tacada de mestre ao pôr no mercado francês o primeiro serviço de internet, televisão e telefone num único pacote por 29 euros. A novidade mexeu com todo o setor e levou os concorrentes a imitá-lo.
Magnatas da mídia
Alguns dos jornais mais importantes do mundo estão nas mãos deles

Rupert Murdoch: fortuna de US$ 9 bilhões e títulos como The Wall Street Journal e The Sun

Sam Zell: fortuna de US$ 3 bilhões e dono do Los Angeles Times e Chicago Tribune

Carlos Slim: fortuna de US$ 53,5 bilhões e sócio no The New York Times. No Brasil tem a Embratel e Claro
Apesar de ter construído esse império, Niel não conseguiu ficar longe do setor de entretenimento adulto, no qual começou sua carreira. Em 2004, o empresário investiu em sex-shops e cabines de peep-show, aquelas nas quais os clientes pagam para ver mulheres se despirem.
Os negócios iam bem nesta área até ele ser acusado de exploração de prostituição e também de abuso de poder econômico. Neste último caso, Niel caiu numa espécie de malha fina da Receita local. O magnata chegou a passar um mês detido enquanto as investigações avançavam. Niel acabou condenado a dois anos de prisão, mas pagou fiança de 250 mil euros e foi colocado em liberdade. Daí em diante, Niel – pai de dois filhos e avesso a terno e gravata – passou a dedicar a maior parte de seu tempo a atacar o jornal Libération e o jornalista Renaud Lecadre, autor das reportagens que o levaram aos tribunais. Agora, que ironia, ele terá seu próprio jornal.
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rafael souza
em 03/07/2010 21:47:24
Continuando. Entao Carla, parabens que vc teve a oportunidade de conhecer Paris. Mas talvez nao conheca tao bem as ambiguidades de algumas palavras. A periferia (geografica) das cidades europeias pode ser regiao nobre. Os suburbios sao muitas vezes nobres. A conotacao no caso era economica
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rafael souza
em 03/07/2010 21:41:24
Carla. O bom desse quadrinho eh q as pessoas manifestam. E se antes resmungavamos dos erros de jornalistas em familia, agora falamos diretamente com eles. Assim, com o tempo, penso que contruiremos uma relacao que seja menos bronquinha.
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Carla
em 03/07/2010 15:17:31
Pobreza de jornalismo "Os dois primeiros são de Neuilly Sur Seine, o pedaço parisiense com a maior concentração de ricos de toda a França. Já Niel, nasceu em Créteil, no 11º arroundissement ?, ou seja, a um passo da periferia." Neuilly Sur Seine é na periferia.
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