NEGÓCIOS

Nº edição: 664 | Negócios | 25.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 19.07 - 12:22

Uma mulher no clube do bolinha

Quem é a americana que, a partir de 1º de julho, assume a presidência da GM no Brasil - É a primeira vez que uma montadora é comandada por uma mulher no País

Por Crislaine Coscarelli

Por mais que nos últimos anos as mulheres tenham conquistado um importante espaço no mercado de trabalho, a indústria automobilística ainda parece resistir à presença feminina. Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) indicam que, do total dos empregados do setor, elas são menos de 10%.
 

107.jpg
Cena comum: Denise, em uma reunião da GM: menos de 10% dos empregados de montadoras são do sexo feminino
 

Nos Estados Unidos, país da General Motors e Ford, a participação das funcionárias não chega a 15%. Por isso mesmo não é exagero afirmar que a GM provocou enorme surpresa ao anunciar a americana Denise C. Johnson como sua nova presidente no Brasil.

Desde o início do século XX, quando as primeiras fabricantes de carros começaram a chegar por aqui, jamais uma mulher comandou uma montadora. Entre as mudanças comunicadas pela GM, está também a promoção de Jaime Ardila, atual presidente da operação brasileira, que passará a chefiar a empresa na América do Sul.

“A prioridade é muito clara: manter o plano de renovação da linha de produtos e continuar a média de crescimento de 50 mil unidades ao ano, volume que vem sendo conquistado ininterruptamente desde 2007”, disse Ardila à DINHEIRO. Segundo a GM, Denise, que responderá diretamente a Ardila, só vai se pronunciar a partir de quinta-feira 1º, quando inicia seu trabalho no Brasil.

108.jpg

 

Aos 43 anos, Denise está acostumada a trabalhar em uma área dominada pela ala masculina. Formada em engenharia mecânica e administração de empresas pelo conceituado Massachusetts Institute of Technology (MIT), ingressou na GM logo depois de formada.

Na empresa há 21 anos, ocupou cargos nos departamentos de engenharia, manufatura e planejamento. O curioso é que a executiva sempre trabalhou nos Estados Unidos. Segundo a GM, ela nunca veio ao Brasil – pelos menos a trabalho.

Seu atual cargo é o de vice-presidente de relações trabalhistas, posição que certamente provocou certo desgaste nestes dias turbulentos vividos pela montadora. No ano passado, a gigante pediu concordata nos Estados Unidos e só sobreviveu graças a empréstimos feitos pelos cofres públicos.

Nesse período, Denise teve de enfrentar o descontentamento de funcionários, temerosos em perder o emprego – muitos, de fato, perderam. Como passou no teste de fogo, foi designada para ocupar aquele que é hoje um dos cargos mais estratégicos para a companhia.

“O Brasil ganhou ainda mais importância dentro da GM mundial após a crise e deve colocar Denise em evidência dentro do grupo”, diz André Beer, ex-vice-presidente da GM por 18 anos e atualmente consultor da área automotiva. 

A executiva chega ao Brasil em um momento favorável. Enquanto a operação da GM nos Estados Unidos acumulou prejuízos de mais de US$ 80 bilhões nos últimos seis anos, os negócios brasileiros nunca estiveram tão bem. Em 2009, a GM do Brasil obteve seu melhor desempenho na história, com o emplacamento de 595.536 veículos.

O desempenho colocou a operação brasileira no terceiro lugar entre todos os países onde a GM está presente, atrás apenas de Estados Unidos e China. Esse destaque fez inclusive com que a multinacional revisse sua decisão de concentrar todo o comando internacional da GM na China.

A partir de agora, a América do Sul, sob a liderança de Ardila, terá mais peso nas decisões globais da empresa. Em meio a essas mudanças, o Brasil ganhou o diferencial de ser presidido por uma mulher. É mais uma lição que o País pode dar para a indústria automotiva mundial.

  > Siga a DINHEIRO no Twitter

 


ASSUNTOS RELACIONADOS

Multimídia

Executivos fora do escritório

O que fazem os ceos e diretores quando tiram o terno e a gravata e quais são seus hobbies para enfrentar o estresse no trabalho.

Samsung faz sua aposta para ser a Apple das tevês

A série 8000, lançada oficialmente na sexta-feira (18) no Brasil, é o investimento da marca para ser o aparelho top de linha. DINHEIRO testou a versão ES8000 Led de 46 polegadas.

Inflação no Brasil é o foco dos investidores

Nesta terça-feira (22), sai o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A expectativa é de que o indicador acelere para 0,55% em maio.

Economia - Um vice-presidente com voz própria e personalidade forte

Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

- - Fatos em Destaque

- - Fatos em Destaque


  • Jhonyandrey Gonçalves Pinto

    em 19/07/2010 12:22:50

    Para quem quiser se aprofundar, vale a pena ler o livro Mulheres No Comando de Caitlin Friedamn encontrado em http://www.vendasdofuturo.com.br/loja/b__caitlin_______.html Esta empresa é preocupada com a sustentabilidade ambiental onde a cada compra planta uma árvore e registra em seu nome.

    Denuncie esse comentário

    Por favor, preencha todos os campos abaixo para deixar seu comentário.
    A Istoé Dinheiro pode utilizar este comentário para divulgação na revista impressa.

      Isto é compartilhar

      Divida sua leitura com seus amigos

      Colunas

      ver todos
      publicidade

      Edições especiais

      • Editora 3

      índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

      © Copyright 1996-2011 Editora Três
      É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
      Fechar [X]