NEGÓCIOS

Nº edição: 663 | Negócios | 18.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 30.06 - 15:08

A próxima aventura da Pixar

Famosa por lançar animações em conta-gotas, a Pixar agora planeja produzir três filmes a cada dois anos e aposta nas sequências, uma receita da rival Dreamworks

Por Bruno Galo

A Pixar, estúdio de animação comprado pela Disney por US$ 7,4 bilhões em 2007, é admirada não só pela qualidade técnica de suas animações em computador. Suas histórias conquistaram crianças e adultos com roteiros universais e cheios de aventura. Desde que Toy Story chegou às telas, há 15 anos, a empresa fez apenas dez desenhos e arrecadou US$ 5,6 bilhões nas bilheterias.
 

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Criador e criatura: John Lasseter e seus personagens. Toy Story já arrecadou
US$ 8 bilhões em licenciamento e bilheteria

 

Não há um só fracasso na galeria da companhia, liderada por John Lasseter, a mente criativa por trás de todo esse sucesso. Sua principal concorrente, a DreamWorks ganhou US$ 5,7 bilhões, mas com a produção de 12 animações. Agora, um dos mais bem-sucedidos estúdios de Hollywood entra em uma nova fase com a estreia, na semana passada, de Toy Story 3 em 3D, a saga que encerra a aventura do caubói Woody e do astronauta intergaláctico Buzz Lightyear, que consumiu US$ 200 milhões e mais de mil dias de trabalho de um batalhão de animadores, técnicos e dubladores.

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Famosa por lançar seus filmes em conta-gotas, com grandes intervalos entre um e outro, ela se prepara para fazer três animações a cada dois anos. Além disso, avessa a continuações (a sequência Toy Story é uma exceção), o estúdio cedeu à uma receita da rival DreamWorks. Para 2011, está previsto Carros 2. No ano seguinte, chegará às telas um novo episódio de Monstros S.A., além de Brave, sobre uma princesa escocesa que preferia ser uma arqueira.

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“As  continuações são uma maneira fácil de ganhar dinheiero. Mas este não é o nosso estilo”, afirmou Lee Unkrich, o diretor de Toy Story 3, em entrevista exclusiva à DINHEIRO. “Voltamos aos personagens porque acreditamos que há um desejo genuíno do público em saber mais sobre eles e porque temos algo para bom contar.”

As continuações são, no entanto, uma fórmula fácil de atrair público aos cinemas e têm sido usadas à exaustão pela DreamWorks. Mas, principalmente, elas são uma maneira de faturar alto com a venda de games, livros, DVDs, além de uma infinidade de produtos associados às marcas, de brinquedos a canecas.

Toy Story e Shrek, por exemplo, são duas das mais bem-sucedidas franquias animadas de Hollywood. Cada uma delas faturou aproximadamente US$ 8 bilhões com licenciamento e bilheteria. Não é por acaso que o primeiro chega ao seu terceiro episódio e o ogro verde da DreamWorks está ganhando a sua quarta aventura (que estará nas telas brasileiras em 9 de julho).

Resta saber se ao adotar uma receita tão batida, a aura de empresa inovadora da Pixar (afinal, ela foi fundada por Steve Jobs, o mago da inovação da Apple) se perderá. Ou se ela continuará a repetir o bordão do austronauta Buzz Lightyear, um dos personagens de Toy Story. “Para o infinito... e além.”

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