INVESTIDORES

Nº edição: 663 | Fundos | 18.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 18.12 - 13:12

Seu dinheiro pode virar semente

Você já pode investir em negócios que ainda nem saíram do papel, mas têm alto potencial de retorno. Saiba como fazer e os riscos envolvidos

Por Márcio Kroehn

Qual a sua disponibilidade para aplicar parte de seus recursos em uma empresa que ainda nem saiu do papel? Antes direcionados para investidores institucionais, as pessoas físicas já têm a opção de participar de fundos de capital semente, especializados em novos e promissores negócios.
 

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"O histórico será criado pelo gestor com a evolução da empresa"
Matsuda, da Performa
 

O retorno líquido médio para quem topa investir no início da operação de uma companhia tem ficado em torno de 30% além da inflação, segundo os gestores desse mercado. Um bom negócio hoje em dia. Mas, para colher esse doce fruto, é preciso plantar com cuidado e ter paciência para esperar a época da colheita. E os riscos de tempestades e terras arrasadas no meio do caminho são grandes.
 
Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, há dez Fundos de Investimento em Participações (FIPs) registrados. Oito deles estão em operação. A Performa Investimentos, de São Paulo, oferece a possibilidade de aplicação a partir de R$ 20 mil. A Antera Gestão de Recursos, do Rio de Janeiro, quer investidores a partir de R$ 400 mil, bem como a Confrapar, de Minas Gerais. Para entrar, é preciso ser considerado investidor qualificado, ou seja, ter aplicações financeiras de pelo menos R$ 300 mil. A principal característica desses fundos é colocar uma empresa, literalmente, de pé.
 

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"Conselheiros independentes ajudam a companhia crescer e florescer"
Guillaume, da Confrapar


Os gestores garimpam bons projetos nas universidades brasileiras. Podem ser companhias para atuar no mercado de tecnologia, de bioenergia ou de fármacos, por exemplo. Não há informações prévias para fazer comparações e tomar a decisão de investimento, apenas expectativas de crescimento futuro. “O histórico será criado pelo gestor com a evolução da empresa”, afirma Humberto Matsuda, sócio da Performa. O importante para atrair capital de risco é ser revolucionário. “O potencial de valorização precisa ser alto”, diz Robert Binder, sócio da Antera.

Segundo os gestores, o número de projetos na praça tem aumentado. Muitos planos de negócios estão sob a avaliação rigorosa dos “jardineiros” dos fundos. Um deles é Carlos Eduardo Guillaume, sócio da Confrapar. A companhia mineira investiu em 2004 pouco menos de R$ 1 milhão na Takenet, que desenvolve toques de telefone celular. O sucesso atraiu investidores estrangeiros e a empresa foi vendida três anos depois, por R$ 100 milhões. Não é fácil achar joias como essa. Cada projeto demanda pesquisa e conhecimento dos mercados.    “É preciso cronometrar a análise e ser objetivo. O tempo de estudo para a viabilidade de um negócio demora quatro meses”, diz Guillaume.

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O caso da Takenet é uma exceção. O retorno financeiro dificilmente acontece antes de sete anos. Há situações em que pode exigir 12 anos. E o gordo retorno serve para minimizar o maior risco desse investimento: a alta taxa de mortalidade. “Metade das empresas investidas pode não sobreviver até o quinto ano de vida”, alerta Binder.

Para diluir riscos, os fundos de capital semente escolhem entre cinco e dez negócios. Isso também permite cuidar de perto de todos eles. Em média, a aplicação financeira varia de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por projeto. O dinheiro serve para organizar desde a criação de diretorias até a elaboração de estratégias de venda e distribuição dos produtos.

As empresas se transformam em sociedades anônimas, seguem regras claras de governança corporativa e publicam balanço. “Uma equipe de conselheiros independentes ajuda na consolidação e no desenvolvimento para a companhia crescer e florescer”, diz Guillaume.

 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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