NEGÓCIOS
Nº edição: 663 | Negócios | 18.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 07.02 - 18:44
O novo barão da saúde?
O empresário paulistano Silvio Miglio pretende levantar US$ 1 bilhão para construir uma rede hospitalar de olho na classe C, o público consumidor que mais cresce no Brasil
Por Rosenildo Gomes Ferreira
Em 2008, Silvio Miglio, 49 anos, estava folheando um jornal quando se deparou com uma reportagem que indicava que o setor de saúde iria crescer de forma exponencial no Brasil. Foi a senha para que o empresário, que sempre atuou como consultor, passasse a prestar atenção nessa área. Menos de dois anos depois ele assumiu o controle do Hospital Santa Marina, em São Paulo, pelo qual pagou R$ 95 milhões, incluindo as dívidas.

Miglio: "Não entrei nesse negócio para fazer filantropia. Meu objetivo é ganhar dinheiro"
E Miglio já faz planos ambiciosos. Sua meta é captar US$ 1 bilhão junto a investidores estrangeiros para erguer uma rede hospitalar, tendo como foco a nova classe média brasileira. “Queremos ser o Einstein da classe C”, diz Miglio, referindo-se ao paulistano Hospital Israelita Albert Einstein – considerado referência na América Latina e frequentado por integrantes das classes A e B.
Para tirar esse projeto do papel ele contratou o consultor americano Michael Latefi, ex-vice-presidente do Bank of America, que comandou aquisições avaliadas em US$ 10 bilhões em países emergentes. Para Latefi, o setor de saúde brasileiro é um dos poucos no mundo que reúnem as condições ideais para viver um longo ciclo de consolidação.

Santa Marina: instituição paulistana, fundada há 40 anos, foi comprada
por Miglio em 2009 e será o carro-chefe da rede idealizada pelo empreendedor
“No geral, os hospitais independentes possuem administrações ineficientes, equipamentos do século passado e atuam com elevado custo operacional”, critica Latefi. O projeto desenhado por Miglio tem como principais ingredientes a verticalização dos serviços, a aquisição de modernos equipamentos e a contratação de profissionais renomados. Com isso, ele espera reduzir o custo e maximizar os ganhos. “Não entrei nesse negócio para fazer filantropia. Meu objetivo é ganhar dinheiro”, destaca ele.
Com recursos em caixa, Miglio pretende adquirir, de imediato, nove hospitais de pequeno e médio portes (até 200 leitos) e um laboratório. Todos no Estado de São Paulo. Não está descartada, numa segunda fase, a expansão para os demais Estados do Sudeste, além da região Nordeste. O modelo de operação será semelhante ao das redes consagradas, nas quais o chamado serviço de hotelaria: decoração dos quartos e alimentação, por exemplo, se destacam.

Na parte médica, a ideia é atuar desde os serviços básicos até especialidades de alta complexidade, como cardiologia. “Vamos oferecer uma medicina de ponta a preços acessíveis”, explica o empreendedor. A fórmula está sendo testada no Santa Marina, no qual Miglio já investiu R$ 30 milhões na reforma das instalações e na compra de equipamentos.
Até o final deste ano serão gastos outros R$ 20 milhões para concluir o processo de modernização da infraestrutura. Com isso, ele espera elevar de R$ 11 milhões para R$ 30 milhões as receitas do hospital em 2010. O resultado mais visível até agora foi a redução de custos, em até 50%, dependendo da atividade.
O hospital ocupa uma área de 20 mil m², possui 267 leitos e um heliponto. Situado na Vila Santa Catarina, zona sul da cidade, está cercado por bairros que contam com um contingente de dois milhões de habitantes com perfil de renda variado. “A tendência de é que no médio prazo cada vez mais pessoas, de todas as classes sociais, busquem serviços privados na área de saúde”, destaca Edison Cunha, diretor de operações da Trevisan Consultoria.
A área de saúde, contudo, não é a única aposta do empresário. Ele fundou a holding Miglio Empreendimentos e Participações para cuidar de seus interesses. São negócios na área imobiliária, em consultoria e um escritório de advocacia que deverão garantir receita de R$ 600 milhões em 2010.
Ele também estuda construir shopping centers e hotéis. Para isso, conta com uma carteira de terrenos, avaliada em R$ 300 milhões, que inclui áreas em regiões nobres da capital e do litoral de São Paulo. Se bem trabalhados, diz o empresário, eles podem gerar empreendimentos com potencial de R$ 4 bilhões.
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