ECONOMIA

Nº edição: 500 | 25.ABR.07 - 10:00 | Atualizado em 28.12 - 21:12

Dez perguntas para Maria Elena Johannpeter

"Não há nada que obrigue uma empresa a fazer seu dever social. Mas o consumidor sabe quais são as marcas amigas da sociedade"

Por Por darcio oliveira

O Brasil ainda está num estágio muito inicial de responsabilidade social?
Diria que está despertando para as questões sociais. Acredito que toda a sociedade, incluindo indivíduos, empresas e governo, tem que substituir a filosofia da caridade – que é válida mas fugaz – pela filosofia da “criação de métodos e metas de médio e longo prazo que produzam resultados sociais efetivos e duradouros para o próximo”.

Assistencialismo não resolve as mazelas do País?
O que resolve é planejamento.

As empresas estão comprometidas com o social?
Existem três eixos nos quais uma corporação precisa se posicionar: o econômico, o ambiental e o social. O econômico a empresa sabe fazer bem porque é o negócio dela. Para o ambiental existem leis que ela precisa seguir. O que sobra é o social. Não tem nada que obrigue a empresa a fazer seu dever comunitário. A não ser as leis morais ou de mercado, já que alguns consumidores ficam atentos às marcas que abraçam causas sociais. A boa notícia é que algumas empresas entenderam o recado e estão mais conscientes de seu papel como líderes sociais.

A responsabilidade virou uma divisão de negócios dentro de uma corporação?
O lucro hoje também passa por princípios que agreguem valor à marca. É uma soma de valores que a comunidade enxerga na empresa. Ele vem da união de qualidade e gestão responsável.

Mas o consumidor deixa de comprar produtos de uma empresa que não tenha vínculo com a comunidade?
Ele está mais atento, o que não significa que deixe de comprar. Mas acredito que, se você estiver diante de dois bons produtos e um deles tiver um selo social ou ambiental e o outro não, você optará pelo primeiro.

Qual o papel do Estado na responsabilidade social?
Posso citar um exemplo do Rio Grande do Sul, que tem um projeto de criação de uma rede social. É uma fundação cuja função é captar recursos no Exterior para os projetos sociais de várias ONGs do Estado. Com isso, temos o governo fazendo seu papel, que é usar sua figura institucional para trazer benefícios. Trata-se de um modelo moderno.

A interferência operacional do governo atrapalha?
O governo deve se concentrar nas suas políticas públicas para resolver problemas sociais. Numa parceria com o terceiro setor, ele já encontrará projetos prontos e tocados por agentes especializados e não precisará se envolver diretamente. Mas será essencial sua presença como fiscalizador e captador de recursos.

Quem é o grande líder social do Brasil?
Não vejo um grande líder, mas vários líderes, muitas vezes analfabetos, que são heróis em suas comunidades.

Qual o balanço desses dez anos da Parceiros Voluntários?
Eu credito o sucesso da PV a uma gestão forte. Ela é a primeira organização do terceiro setor a usar o Balance Score Card. Temos que ter metas e para atingir essas metas é necessário dispor de instrumentos que mostrem que a organização está no caminho certo. Hoje, na PV, temos projetos de educação para jovens, metodologia para capacitar voluntários, cursos de gestão e qualificação. Temos um bom trânsito com as empresas e o reconhecimento da sociedade.

O terceiro setor deve se profissionalizar?
Sou a favor do idealismo com profissionalismo. Fazer o bem é um investimento e para todo investimento é necessário um gestor que preste contas.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • Felipe Martins Pimenta Da Costa

    em 28/12/2011 21:12:22

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