FINANÇAS
Nº edição: 500 | 25.ABR.07 - 10:00 | Atualizado em 22.05 - 17:20
O banco do bem
Reconhecido no Exterior como líder em boas práticas socioambientais, HSBC quer repetir o feito no Brasil
Por Por márcio krohen
O executivo Emílson Alonso teria muito assunto em sua conversa com o príncipe Andrew Edward, durante o almoço da terça-feira 17 com o herdeiro do trono britânico. No encontro, Alonso poderia falar sobre os projetos sociais desenvolvidos pelo banco no País. Muito provavelmente o duque de York não ficaria surpreso. Na matriz, o HSBC, maior banco do país, é conhecido e reconhecido pela agressividade de sua atuação na área de responsabilidade social. No ano passado a instituição ganhou o prêmio global de melhor desempenho em relação à ética aplicada aos negócios pela consultoria Convalence. Ao mesmo tempo, recebeu o título de banco sustentável do ano do jornal Financial Times, a bíblia dos homens de negócios europeus. Em 2005, tornou-se o primeiro banco do mundo a zerar a conta de carbono ao comprar créditos de projetos verdes de outras empresas.
Um espetáculo, não? Pois, no Brasil, poucos conhecem essa faceta do bem do HSBC. Nos corredores da sede local, comenta-se que o banco demorou para falar de seu envolvimento com a responsabilidade socioambiental. Atualmente, são 177 projetos em andamento que beneficiam 110 mil pessoas em educação, meio ambiente, inclusão social e apoio à criança e ao adolescente. O que começou com doações e patrocínios se transformou em engajamento dos funcionários em ações de voluntariado: cinco mil dos 28 mil empregados já colaboram com as atividades sociais. Havia uma vontade represada em expor esse lado do bem, extravasada há algumas semanas quando Alonso publicou o texto “Programa de uso consciente de recursos” no blog que ele compartilha com os funcionários. Os comentários bateram recorde. “Fazíamos o bem, mas não o divulgávamos”, admite Alonso.
No ano passado o HSBC investiu R$ 12 milhões em ações sociais variadas. Outros R$ 4,2 milhões foram destinados para a Pastoral da Criança, através do cartão HSBC Solidariedade. Ana Paula Gumy, diretora do Instituto HSBC Solidariedade, explica que uma das mais importantes contribuições do instituto é o desenvolvimento das escolas rurais. Embora o agribusiness seja um dos motores do PIB brasileiro, a educação no campo é bem defasada, com professores mal preparados e escolas sem mesas e carteiras. A educação é parte importante no trabalho social do banco, desde os tempos do Bamerindus, a instituição adquirida pelo HSBC em 1997. O tradicional Natal Avenida, onde um coral se apresenta todos os finais de ano em Curitiba para milhares de pessoas, ocorre há 15 anos. O que parece ser apenas um evento é o coroamento de um projeto educacional que atende mil crianças. As práticas do HSBC vieram de fora para dentro, importadas da sede do banco, em Londres, ao contrário do que ocorreu com o ABN Amro Real, que serviu de exemplo para a matriz na Holanda (leia quadro). Emílson Alonso acredita que o momento é oportuno para falar de sustentabilidade. “Mas ser um banco do bem não é apenas um modismo”, diz ele. “É preciso ter ética e honestidade para administrar bem os recursos dos clientes. Os valores internos precisam ir além das ações sociais.”
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R$ 12 milhões foi o investimento do HSBC em 2006 em ações sociais |
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