NEGÓCIOS
Nº edição: 662 | Negócios | 11.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 13.06 - 16:07
Uma tevê na sua mão
Cerca de 5% dos celulares vendidos no Brasil terão o recurso de tevê digital em 2010. É uma onda que vai além da febre da Copa do Mundo
Por Ralphe Manzoni Jr.
Quando o Brasil entrar em campo no estádio Ellis Park, em Johan-nesburgo, para iniciar sua participação na Copa do Mundo da África do Sul contra a Coreia do Norte, na terça-feira 15, uma parcela dos torcedores estará com o olhar fixo numa tela pequena. Eles vão assistir à partida ao vivo de um celular ou de uma tevê portátil com tecnologia digital.

Rodrigo Ayres, da LG: 2,5 milhões de celulares com tevê digital devem ser vendidos no Brasil em 2010
“Estes equipamentos são o radinho de pilha do século XXI”, afirma Rodrigo Ayres, gerente de produto da LG Electronics, uma das muitas fabricantes que estão apostando neste novo filão. A companhia estima que 5% dos aparelhos móveis vendidos no mercado brasileiro em 2010 terão o recurso de tevê, o que significa 2,5 milhões de celulares. Além da LG, a lista de fornecedores que apostam neste segmento inclui a AOC, Nokia, Samsung, TecToy e Tele System.
E a aposta faz sentido. Segundo uma pesquisa realizada pela Telegent Systems, empresa que produz chips que são colocados em celulares para a tevê móvel, 71% de brasileiros e mexicanos assistiriam ao vivo aos jogos da Copa do Mundo em um celular enquanto trabalham, se seus aparelhos tivessem o recurso de televisão.
No mundo, há 80 milhões de aparelhos capazes de receber imagens de redes de tevê gratuitamente. A maioria deles se concentra em países emergentes. A Telegent diz que está vendendo aproximadamente 750 mil chips por mês a fabricantes de celulares de países como Brasil, Peru, Argentina, Rússia, Nigéria, Tailândia, Egito e China. O lugar com o maior mercado é a Coreia do Sul, com 27 milhões de pessoas assistindo regularmente à tevê de seus aparelhos.
Uma das razões para o crescimento deste segmento é a tevê digital. Implantada há pouco mais de dois anos, só agora ela está nas principais regiões metropolitanas do Brasil. Com isso, os donos desses aparelhos conseguem uma qualidade de imagem perfeita, livre de chuviscos, bem diferente da de modelos semelhantes, mas que usavam a tecnologia analógica.
A durabilidade das baterias aumentou, o que permite agora assistir a um jogo de duas horas sem a necessidade de recarregá-la ou de ficar preso a uma tomada. Isso significa mobilidade. O crescimento da demanda estimulou também a produção local. Foi o caso da empresa taiwanesa AOC, que passou a fabricar uma tevê portátil em Manaus. “O preço ficou cerca de 30% menor”, diz Audiene Oliveira, gerente de produtos da companhia.
Apesar do crescimento da demanda em razão da Copa do Mundo, a onda de tevê portátil e móvel não deve ser passageira no Brasil, em razão do campeonato de futebol. A coreana LG fez uma pesquisa com 400 consumidores de seus aparelhos e de concorrentes e constatou que 90% deles querem que o recurso esteja no seu próximo celular.
Entre aqueles que usavam a tecnologia analógica, apenas 20% pensavam dessa forma. “A função de tevê tende a substituir outros recursos de entretenimento”, acredita Ayres, da LG. O certo é que os torcedores brasileiros vão continuar a reclamar dos juízes nos estádios de futebol. Dessa vez, com muito mais razão. Eles estarão assistindo aos jogos ao vivo com seu novo radinho de pilha.
SU33-Wb, da Nokia: é um adaptador para tevê digital que funciona com nove modelos de celulares da empresa. Por R$ 199

GPS TS 7100 PND: é um GPS, da Tele System, que conta com tevê digital. Por R$ 1.999

TV TPD-100, da AOC: tela de 3,5 polegadas e bateria com duração de três horas e meia. Por R$ 299

Star Lte, da Samsung: grava até oito horas de programação. Pesa 92 gramas. Por R$ 499

TDP-200, da Tectoy: tela de 3,5 polegadas e peso de 275 gramas. A bateria dura duas horas. Por R$ 399

GM600, DA LG: celular com recurso interativo para tevê digital. Tela de 3 polegadas. Por R$ 700

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