NEGÓCIOS
Nº edição: 662 | Negócios | 11.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 12.06 - 18:34
Medo na ilha do luxo
Sequência de roubos no shopping paulista Cidade Jardim pode afastar seus clientes. O que fazer para reconstruir a imagem?
Por Carlos Sambrana
Um bando armado com metralhadoras entra no shopping mais luxuoso de São Paulo, desafia a segurança, invade uma joalheria e limpa todas as prateleiras. Há quem diga que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas o improvável aconteceu. Detalhe: em menos de um mês. No dia 16 de maio, ladrões levaram cerca de R$ 1,5 milhão em colares, brincos, anéis e pulseiras da americana Tiffany.

Alvo fácil: em menos de um mês, a loja da Rolex (à direita) e a da Tiffany foram assaltadas por grupos de ladrões armados com metralhadoras
Na segunda-feira 7, bandidos entraram na loja da Corsage, revendedora de relógios Rolex, e roubaram peças avaliadas em mais de R$ 120 mil cada uma. A violência, infelizmente, se tornou quase banal no cotidiano de quem vive em grandes cidades. Mas o que chama atenção nesses dois episódios é que o alvo foi um empreendimento que nasceu como uma ilha de segurança e proteção em meio ao caos urbano.
O bilionário empreendimento da JHSF, um shopping com as grifes mais renomadas do mundo, ancorado em prédios residenciais com apartamentos avaliados entre R$ 2,5 milhões e R$ 16 milhões, foi inaugurado, em 2008, como um oásis de tranquilidade. Os assaltos, dizem alguns lojistas, acabaram com essa imagem e terão impacto direto no fluxo de visitantes do shopping – estima-se uma queda de 20% – e também no psicológico de seus moradores. Diante do cenário, cabe uma indagação. Como resgatar a confiança novamente? “Vamos ter de blindar a casa. Não pode acontecer uma terceira vez”, disse Richard Barczinski, executivo da grife francesa Hermès no Brasil.

Violência escancarada: os bandidos não se deram ao
trabalho de esconder o rosto e usaram até metralhadoras
A culpa pelo ocorrido, evidentemente, não é do shopping, que já havia reforçado a segurança depois do primeiro roubo à Tiffany. “Mas mancha a imagem do empreendimento”, diz Eduardo Tomiya, diretor da BrandAnalytics. “É claro que tem um impacto negativo, mas, para reverter isso, é preciso demonstrar e reforçar a segurança”, diz Carlos Ferreirinha, diretor da MCF Consultoria & Conhecimento.
Os próprios lojistas já têm trabalhado nesse sentido. “Nós contratamos um segurança nosso para ficar dentro da loja”, diz Patrícia Gaia, CEO do grupo Armani no Brasil. A Montblanc, que foi invadida nesse último assalto, mas não foi roubada, também conta com um segurança particular.
O shopping Cidade Jardim, por meio de comunicado oficial, disse que “está definindo junto a autoridades a adoção de medidas mais restritivas de controles de acesso, entre outras que serão divulgadas posteriormente, por questões de segurança”. Não se sabe ainda quais medidas serão tomadas, mas restringir o acesso, definitivamente, não é a melhor saída. A própria história do empreendimento mostra isso.
Quando a construção do shopping e dos prédios foi iniciada havia uma favela bem próxima dali. Na época, a JHSF desembolsou cerca de R$ 2,8 milhões para retirar 70 famílias dali, num gasto médio de R$ 40 mil por barraco. A maquiagem pode até esconder, mas não resolve os problemas.
Em 1974, no auge da crise do petróleo, com o Brasil inflado pelo milagre econômico promovido pelo então ministro Delfim Netto, o economista Edmar Bacha cunhou uma expressão ainda muito atual para definir a situação do País. Ele criou a “Belíndia”, uma mescla de Bélgica com Índia, para rotular uma nação dividida por um muro de desigualdade entre ricos, com padrão de vida europeu, e pobres, que beiravam a miséria. O Brasil, apesar dos avanços, ainda se encontra nesse estado.
Um estudo do banco americano Merril Lynch mostra que o País possui 131 mil pessoas com conta bancária superior a US$ 1 milhão. Em meio a 190 milhões de habitantes, é uma quantidade ínfima. Portanto, o shopping Cidade Jardim e os moradores dos prédios do complexo, por mais que tentem, ainda são prisioneiros dessa segregação.
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teresa
em 12/06/2010 18:34:50
É bem curioso que se ache que os assaltos vao espantar clientes . Como se SP fosse um oasis de tranquilidade . As pessoas sao assaltadas diariamente na Av Paulista , na Oscar Freire , no transito , na saida do aeroporto ....... Para nao ser assaltado só se ficar em casa definitivamente .
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