INVESTIDORES

Nº edição: 662 | Comportamento | 11.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 17.06 - 11:59

O investidor no espelho

O brasileiro é conservador nas aplicações, mas se vê com perfil mais arrojado. Saiba como conciliar o apetite para o risco com sua carteira

Por Juliana Schincariol

Você não precisa gostar de filosofia para ser um bom investidor. Mas, como diria Sócrates, “conhece-te a ti mesmo” antes de decidir o que fazer com o dinheiro. As primeiras aplicações do questionário de Análise de Perfil do Investidor (API), adotado em janeiro pelos bancos de varejo para oferecer produtos mais adequados aos clientes, indicam que os brasileiros se acham muito mais arrojados do que realmente são e ainda buscam aplicações mais conservadoras, como a renda fixa. Das duas, uma: ou eles devem assumir mais riscos e buscar mais ganhos na renda variável, adequando a carteira ao próprio perfil, ou precisam se conhecer melhor.
 

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Carlos Ciconelli: aplica somente na caderneta de poupança, mas ele tem
perfil de investidor que aceita um pouco de renda variável

 

Tome-se, por exemplo, o caso do engenheiro Carlos Ciconelli, de São Paulo. Aos 29 anos, ele só tem aplicações em caderneta de poupança, a mais conservadora de todas as opções oferecidas pelo seu banco. Ao preencher o questionário do Santander, na terça-feira 8, a pedido da DINHEIRO, Ciconelli descobriu que tem um perfil de tolerância média ao risco.

Ou seja, deveria aplicar pelo menos uma pequena parte dos seus recursos em ativos de maior risco, como os fundos multimercados. Quem sabe 15% a 20%, o suficiente para escapar do rendimento de TR mais 0,5% ao mês. “Agora vou buscar investimentos com maior retorno que a poupança”, afirma o engenheiro. Ele não está sozinho.

Os questionários têm mostrado que os perfis moderados (tolerância média ao risco) ou arrojados (alta tolerância) aparecem mais que os chamados conservadores (baixa tolerância). Cada instituição tem sua metodologia própria, mas os resultados são semelhantes. No Banco do Brasil, que já aplicou 60 mil APIs, 53% dos clientes foram classificados como moderados e 35%, arrojados.

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Os conservadores somam apenas 12%.  Cenário parecido se repete no Santander e no Bradesco. Porém, a maior parte das aplicações no Brasil é de baixo risco. No BB, por exemplo, os fundos conservadores respondem por quase 90% da captação, de R$ 455 bilhões. De um modo geral, segundo a Anbima, somente cerca de 12% do patrimônio dos fundos no País está em carteiras mais arrojadas. No mundo, essa fatia chega a 40%.

Se de um lado as escolhas reais dos investidores espelham o passado, marcado pela inflação e os juros elevados, de outro os questionários indicam vontade de mudar. “É um sinal positivo e um desejo de mudança”, avalia Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Santander.

Com base nas novas informações, o banco prepara um novo plano estratégico de oferta de investimentos aos clientes. Para Marcos Villanova, diretor da área de investimentos do Bradesco, os resultados mostram uma evolução. “Há um campo enorme para os investimentos. O apetite ao risco aumenta à medida que se quer ganhar mais”, avalia o executivo. A estabilidade econômica e as taxas de juros historicamente mais baixas incentivam a migração dos recursos pelos clientes. Se você é um deles, como Ciconelli, está na hora de se mexer.

Uma boa forma de começar a migração é colocar a maior parte do capital em títulos de alta estabilidade e reservar uma parte menor – entre 10% e 20% – para ativos mais arriscados, sugere o executivo sênior de gestão de patrimônio do HSBC Brasil, Gilberto Poso. Todo cuidado é pouco.

“O investidor ainda não tem a percepção matemática ou financeira de como a combinação dos investimentos vai trazer mais ou menos retorno”, diz ele. É importante lembrar que o perfil do investidor não é estático e muda de acordo com cada período da vida. Não apenas a API deve ser refeita, como a carteira deve ser revisada de tempos em tempos.

 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • Eduardo Castro Alves

    em 17/06/2010 11:59:17

    Olá, goatei muito da reportagem e em especial sobre a parte de conservadorismo do investidor brasileiro. Eu gostaria de entrar em contato com a Juliana Schincariol ou com outra pessoa ligada seção de finanças, para sugerir algo envolvendo a filosofia de Value Investing, praticada por Warren Buffet.

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