ECONOMIA
Nº edição: 662 | Economia | 11.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 17.06 - 11:32
Cofre fechado e sem chave
O ministro Paulo Bernardo veta reajustes e, com recorde na arrecadação, começa a desarmar a bomba fiscal
Por Denize Bacoccina
Até outro dia, temia-se uma crise fiscal no País. Mas com o crescimento acelerado do PIB no primeiro trimestre e a elevação de 14,5% na arrecadação, as contas públicas voltaram ao azul. Em abril, o Tesouro teve um superávit primário de R$ 16,6 bilhões, ante um déficit de R$ 4,6 bilhões em março.

"Não vamos jogar fora a credibilidade que adquirimos no campo fiscal"
Paulo Bernardo, ministro do planejamento
E, mesmo com o bom resultado, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, decidiu manter guardada a chave do cofre, apesar das pressões eleitorais. “Não tem espaço para aumentos para os funcionários públicos”, repetiu nas últimas semanas. Bernardo também é contra o reajuste de 7,72% para as aposentadorias, como aprovado pelo Congresso. E defende que o governo mantenha os 6,14% negociados com as centrais sindicais, mas o assunto será decidido pelo próprio presidente Lula.
A arrecadação de abril significa um aumento de 10,96% sobre o primeiro quadrimestre do ano passado, o segundo melhor resultado do ano. “Não tem bomba que resista a um crescimento tão robusto”, diz a economista Márcia Rodrigues Moura, do núcleo de equilíbrio fiscal da consultoria de orçamento da Câmara.
Num cenário internacional em que economias europeias têm dívidas superiores ao PIB, o Brasil deve retomar este ano a trajetória de queda na relação dívida-PIB – de 42,9% no ano passado para 40,7%. A dúvida é o que o governo fará com o aumento de receita, resultado da atividade econômica aquecida. “Não vamos jogar fora a credibilidade que adquirimos no campo fiscal”, afirmou o ministro.
Na segunda avaliação bimestral do orçamento do Ministério do Plane-jamento, com uma previsão conservadora de expansão de 5,5% para o PIB, a decisão foi contingenciar R$ 10 bilhões do orçamento deste ano, além dos R$ 21,8 bilhões já anunciados. “A projeção de crescimento pessimista é estratégica, para justificar o bloqueio dos gastos e só liberá-los quando a realidade ultrapassar a projeção”, disse à DINHEIRO o economista Felipe Salto, da consultoria Tendências.
Na quarta-feira 9, o ministro já admitiu que a previsão era conservadora demais . “Não temos um novo cálculo ainda, mas me parece que cresceremos 6% ou mais”, afirmou. Mesmo assim, ele mantém o cofre trancado.
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