MERCADO DIGITAL

Nº edição: 661 | Mercado Digital | 03.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 22.05 - 17:57

Samsung acerta o alvo

Em apenas um ano, a empresa coreana passou da quinta para a segunda colocação no mercado brasileiro de celulares. Saiba como ela conseguiu dar esse tiro certeiro

Por Ralphe Manzoni Jr.

Silvio Stagni nunca vai esquecer esse dia. Foi chamado às pressas, no começo de 2009, para a sala de Seokbeom Kim, o presidente da Samsung Electronics que havia assumido a operação brasileira há poucos meses.  Dele, ouviu a seguinte bronca: “Somos o primeiro ou o segundo colocado mundialmente em todos os mercados em que atuamos. Em celulares, estamos no quinto lugar no Brasil. Isso é uma vergonha que precisamos reverter.” Essa conversa foi o início de uma reviravolta que tirou a companhia coreana de uma incômoda posição e a colocou no segundo lugar no mercado brasileiro de celulares no primeiro trimestre de 2010, à frente da rival LG e cada vez mais perto da líder Nokia, de acordo com dados da consultoria americana Gartner. “Não medimos esforços para virar o jogo”, declarou à DINHEIRO Stagni, vice-presidente da área de telecomunicações da Samsung.

A tática utilizada por Stagni começou pela organização interna. Ele foi ao mercado em busca de profissionais para montar uma nova equipe. Trouxe executivos que haviam trabalhado nas concorrentes, entre elas a Sony Ericsson e a Motorola. Depois, procurou refazer o relacionamento com os principais parceiros de negócios. As empresas de telefonia, que compram diretamente dos fabricantes de celulares, não confiavam na Samsung. A companhia tinha problemas de entrega e falhava no planejamento. “Sentamos com as operadoras e conseguimos prever melhor a demanda”, afirma Stagni.

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'Não medimos esforços para virar o jogo. Agora, queremos liderar em smartphones'
Silvio Stagni, vice-presidente da Samsung

O passo seguinte foi aproximar-se do varejo. Até aquele momento, as vendas para Casas Bahia, Ponto Frio e C&A eram feitas por meio de distribuidores. O executivo criou uma nova área e passou a atendê-los diretamente. Com o fenômeno dos celulares desbloqueados, era vital estar presente neste canal de vendas, responsável por 35% do total de celulares vendidos no Brasil, segundo estimativas do mercado. “A Samsung está focando o mercado brasileiro e evoluiu bastante na sua relação com o varejo”, afirma Roberto Fulcherberguer, superintendente comercial da Casas Bahia.

Mas só isso não bastava para atender à ordem do chefe. Era preciso mais. Os investimentos publicitários em celulares cresceram 40%. Em 2009, a Samsung gastou R$ 53 milhões em todas as suas linhas de produtos, de acordo com o Meio & Mensagem, publicação especializada em agências e anunciantes. É mais do que a Nokia e a LG, suas principais concorrentes. A presença de promotores nos pontos de venda também se intensificou, assim como os treinamentos e as campanhas aos vendedores. “Passamos a estar na mente do consumidor e no momento da decisão da compra, que é na loja”, conta Stagni.

Mas nada disso teria efeito se a Samsung não tivesse uma linha de celulares diversificada e desejável pelos consumidores. “Ela tem modelos para todos os bolsos”, diz Célia Teixeira, diretora da consultoria GFK. No portfólio da empresa é possível encontrar celulares por menos de R$ 200 até R$ 1.899, como o recém-lançado smartphone Wave. O principal trunfo foi a aposta em produtos de médio e baixo custo, mas com recursos de celulares mais sofisticados e, principalmente, com tela sensível ao toque. “Ela investiu pesado nestes modelos de aparelho e com preços bem em conta, mesmo nos planos pré-pagos”, afirma Henrique Martin, responsável pelo blog especializado em tecnologia e celulares Zumo. A linha Samsung Star, principal representante deste tipo de produto, tem preços que começam em R$ 400 e podem chegar a R$ 800, dependendo do modelo. A companhia também lançou uma loja de música, com mais de 600 mil canções sem proteção contra cópias, e outra de aplicativos, a exemplo do que fez a Apple, com o iPhone.

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A nova aposta: em 2010, a empresa quer ganhar espaço
no segmento de smartphones com o sistema Android e o Bada

 

Todo esse esforço gerou resultado. Em 2009, a Samsung já era a terceira colocada, com uma participação de 18,5% de mercado. Nos três primeiros meses do ano, ela cresceu ainda mais, atingindo 26% e alcançando a segunda posição no ranking brasileiro de celulares, quatro pontos percentuais apenas atrás da Nokia. Antes, eram 14 pontos percentuais. Qual o próximo passo? A companhia já mira o segmento de smartphones, aparelhos mais inteligentes e de preço médio mais alto, cujos principais fabricantes são Nokia, RIM e Apple. A sua armada é uma linha diversificada de produtos, capaz de rodar os sistemas operacionais Windows, da Microsoft, o Android, do Google, e o Bada, desenvolvido pela própria Samsung. “Queremos liderar neste segmento”, avisa Stagni.  Será que desta vez ele acerta o alvo?

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • em 07/02/2012 14:41:07

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    • em 07/02/2012 10:31:53

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      • em 07/02/2012 06:37:41

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        • em 07/02/2012 02:40:09

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          • em 06/02/2012 22:47:16

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