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Nº edição: 661 | Negócios | 03.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 01.11 - 08:14
Au revoir, Paris
Roland Garros sofre com o pouco espaço e as instalações acanhadas. E os patrocinadores já pedem que o charmoso torneio de tênis saia da capital francesa
Por Roberta Namour, de Paris
O torneio de Roland Garros entrou novamente para a história. Pela primeira vez um Grand Slam foi transmitido ao vivo em tecnologia 3D. Assinantes da operadora de telefonia Orange puderam assistir em casa a 50 jogos tridimensionais. Mas a modernidade para por aí. Fora das telas o cenário é bem diferente. O campeonato internacional de tênis da França, cuja edição de 2010 termina no domingo 6, vive o maior dilema desde sua inauguração, nos anos 20.

Jogo em Roland Garros: as obras de ampliação podem consumir E 200 milhões
Sua sede, localizada na Porte d’Auteuil, em Paris, chegou ao seu limite. Roland Garros possui 8,5 hectares. Em contrapartida, os outros três Grand Slams, Aberto da Austrália, Wimbledon e US Open, têm de 16 a 20 hectares. Sem espaço para se expandir, a federação francesa de tênis anunciou que o torneio poderá deixar a capital do país.
Os próprios patrocinadores se queixam da estrutura. Sem quadras cobertas, as partidas são interrompidas por causa da chuva. A programação fica atrasada e o evento tem de reembolsar o público pelo jogo perdido. Isso também prejudica as transmissões pela televisão. Mesmo os torneios de Shangai e de Madrid – aspirantes a Grand Slam – estão mais avançados nesse sentido. “Corremos o risco de perder nosso prestígio. Ou nós empurramos as paredes ou mudamos de lugar”, disse Gilbert Ysern, diretor do torneio.
O que está em jogo é um evento que movimenta 170 milhões de euros a cada edição. Devido ao seu glamour, Roland Garros sempre ocupou um lugar de destaque na atenção dos amantes do tênis. Hoje a situação é outra. Enquanto a elite dos tenistas dá um show na quadra de saibro, torcedores elegantemente vestidos aguardam na fila do banheiro.
No intervalo, o espaço ficava intransitável. Nas arquibancadas, a sensação de asfixia é maior ainda. Para não esbarrar no vizinho é preciso assistir à partida com os cotovelos encolhidos. Do lado de fora do estádio, uma pequena multidão circula em busca de um ingresso de última hora. Viagem perdida. Roland Garros já atingiu sua lotação máxima.
E, mesmo assim, a maior performance em termos de espectadores não ultrapassa os 465 mil, com um dia a mais de competição do que os outros eventos. Em 2009, Wimbledon recebeu 511 mil pessoas e o US Open 721 mil. Este ano, o Aberto da Austrália atingiu 653 mil pagantes. Além disso, o torneio francês possui outra desvantagem.

No ano passado, a federação de tênis procurou a Prefeitura de Paris para discutir uma possível desapropriação de terras ao redor do local do torneio, mas não obteve uma resposta positiva. Em dezembro, foi mais enfática. Distribuiu um dossiê para outras cidades intitulado “Construção de um novo estádio Roland Garros fora de seu espaço de origem”.
Das candidatas, quatro cidades foram pré-selecionadas : Evry-Bondoufle, Gonesse, Marne-la-Vallée (onde está localizada a Euro Disney) e Versailles. Todas oferecem um espaço de pelo menos 20 hectares para o novo complexo. Versailles é a favorita. “Ela é uma cidade conhecida internacionalmente.
Imagine associar seu nome ao de Roland Garros. Nada mal, não?”, sugere Jean Gachassin, presidente do torneio. Assustada com a iminente possibilidade de perder Roland Garros, a Prefeitura de Paris voltou atrás e ofereceu um espaço adicional de 5 hectares para a construção de estádios cobertos. O custo previsto para a ampliação é de e 200 milhões, três vezes menos que o valor estimado para a mudança de lugar. No entanto, Roland Garros continuará menor do que os outros Grand Slams.
Segundo Christophe Chenut, CEO da Lacoste, a questão do tamanho não é essencial para os patrocinadores. No ano que vem, a empresa completa 40 anos de parceria com o torneio. “O mais importante é ter um estádio coberto para proporcionar jogos noturnos e na chuva” diz. Para ele, isso aumentará o tempo de exposição do torneio na televisão e trará convidados comercialmente importantes para os estandes dos patrocinadores após o horário de trabalho. A decisão sobre o futuro de Roland Garros será tomada em fevereiro de 2011. Por uma questão contratual, a Porte d’Auteuil ficará com o torneio até 2015. Até lá, o público terá de se espremer.
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