NEGÓCIOS
Nº edição: 661 | Negócios | 03.JUN.10 - 21:00
Bandeira mexicana no Brasil
A rede Posadas pretende investir US$ 350 milhões no País. Anúncios desse tipo são comuns no setor hoteleiro. Saiba por que esse pode ser diferente
Por Rosenildo Gomes Ferreira
Nos últimos dez anos, o Brasil figurou como uma promessa distante no radar de investimentos da família mexicana Azcárraga, dona do grupo hoteleiro Posadas, com receita de cerca de R$ 1 bilhão em 2009. O clã desembarcou por aqui com a aquisição da marca Caesar Park, que pertencia à empresária Chieko Aoki. Pagou US$ 130 milhões e pretendia abrir pelo menos 20 hotéis.

Toureando a concorrência: Gutiérrez, diretor-geral do Posadas, vai enfrentar os rivais com diárias em torno de R$ 100
Mas a expansão foi tímida e apenas 13 novos empreendimentos com as bandeiras Caesar Park e Caesar Business Park foram erguidos. A situação delicada vivida pela economia mexicana, no entanto, fez com que a empresa voltasse sua atenção para a América do Sul, no geral, e o Brasil, em particular.
Prova disso é que, até 2015, o grupo planeja inaugurar 50 novos hotéis no País. Trata-se de um projeto que vai consumir perto de US$ 350 milhões e cujo foco é o turismo de negócios, além da chamada hotelaria econômica. É comum ver nos jornais anúncios de que cadeias hoteleiras estão investindo na abertura de unidades no Brasil, mas o Posadas vai entrar nesse segmento com um diferencial: trabalhar com empresas integradas.

Capilaridade: a rede One contará com filiais na maioria das capitais brasileiras
O grupo é dono de uma companhia de aviação, a Mexicana, além do programa de milhagem Fiesta Rewards, que conta com 2,5 milhões de associados e garante a troca de pontos por prêmios como diárias em seus hotéis. Isso explica, em parte, a elevada taxa de hóspedes da rede Caesar vindos dos EUA e do México: 23% e 18%, respectivamente. “Trata-se de uma ferramenta importante em um mercado muito disputado”, avalia José Ernesto Marino Neto, presidente da BSH International.
O desembarque no nicho da hotelaria econômica se dará por meio de sua bandeira One, cuja ambição é disputar espaço com a francesa Accor, dona do Formule 1 e do Ibis. São unidades despojadas nas quais o charme é a baixa tarifa, em torno de R$ 100. “O Brasil será a nossa principal alavanca de crescimento global”, dsse à DINHEIRO Francisco Gutiérrez, diretor-geral do Posadas para a América do Sul.

De acordo com analistas, a tarefa será facilitada devido a vários fatores. A retomada da economia fez com que o turismo de negócios se intensificasse. Além disso, a distribuição de renda permitiu que um imenso contingente de brasileiros viajasse pelo País afora. Sem contar a proximidade da realização de megaeventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. “O Posadas está investindo no momento certo”, opina Júlio Serson, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-SP).
Gutiérrez, que atua no setor há mais de 30 anos, sabe disso. Em 2008, apenas os estrangeiros deixaram no Brasil US$ 6 bilhões, segundo a Embratur, e esse número deverá crescer nos próximos anos. “A indústria turística brasileira tem potencial para dobrar em cinco anos”, explica. “A hospitalidade do povo e as belezas naturais ainda não foram devidamente exploradas. E essa é a nossa ambição.” Antes mesmo de colocar o plano em prática, dois novos hotéis serão inaugurados.
O Caesar Business Park de Manaus (AM), aberto há uma semana, e a unidade da mesma bandeira que será erguida em Salvador (BA) até o final do ano. Desde que tomou posse, em janeiro, o executivo já fez uma série de estudos para municiar os superiores sobre o potencial do mercado. Ele contratou a consultoria Howarth International para listar as cidades capazes de abrigar novas unidades. Já está decidido que a bandeira One estará em quase todas as capitais.
Gutiérrez também vem se reunindo com gestores de fundos de pensão e investidores privados. Eles vão bancar a obra em troca de um percentual da receita de administração do hotel. No acumulado janeiro-abril, o desempenho financeiro do Posadas cresceu 50% em relação a igual período de 2009. Gutiérrez está bem otimista. “Vamos fechar o ano com crescimento de 60% sobre o ano passado”, aposta.
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