INVESTIDORES

Nº edição: 661 | Bolsa | 03.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 16.01 - 11:52

BB quer o seu dinheiro

Emissão bilionária de ações do maior banco brasileiro convida o investidor a refletir: vale a pena participar?

Por Márcio Kroehn

O Banco do Brasil recuperou em sete meses a liderança do setor bancário nacional, perdida para o Itaú Unibanco em 2008, e se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. Desde o ano passado, a instituição escolheu a agressividade como alavanca para o crescimento.
 

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No meio da crise financeira mundial, o BB seguiu as ordens do governo federal (seu maior acionista) e abriu os cofres para o crédito. A medida fazia parte da política anticíclica, usada para reverter uma situação de recessão na economia. O País saiu praticamente ileso do furacão e o banco colheu bons frutos.

O lucro de R$ 10,14 bilhões em 2009 foi maior que o de qualquer concorrente. Agora, o BB vai fazer chover papéis na bolsa para fortalecer ainda mais essa posição. Sua nova oferta primária e secundária de ações, que acontecerá no final de junho, espera captar até R$ 10 bilhões. O período de reserva começa na sexta-feira 11. Vale a pena participar?

Uma coisa é certa. Banco bem administrado é o melhor negócio do mundo e o Brasil não foge à regra. O momento econômico é um dos mais favoráveis da história para ser sustentável no longo prazo. Há uma massa de pessoas ascendendo socialmente, que irá consumir inúmeros produtos bancários.

“O setor bancário brasileiro vai continuar bombando com o aumento do poder de compra da classe média”, diz Paolo Mason, diretor da WinTrade. E a nova captação do BB destina-se a maximizar esse bom momento: 85% dos recursos serão utilizados para reforçar a carteira de empréstimos, como consta no prospecto preliminar.

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Os 15% restantes, que podem chegar a R$ 1,5 bilhão, serão reservados para possíveis aquisições, não necessariamente de concorrentes. É bom lembrar que o BB reestruturou sua área de seguros há pouco tempo e firmou uma nova parceria com a seguradora espanhola Mapfre.

A intenção é que essa linha de negócio represente cerca de 30% dos resultados anuais, em linha com o que acontece no Bradesco. É uma aposta rentável, mas que exige cuidados. “A área de seguros não é muito simples para os bancos. Se for muito agressivo no preço, pode levar chumbo e arcar com sinistros maiores que os ganhos”, diz Pérsio Nogueira, analista da Planner Corretora. Independentemente disso, o BB tem apresentado uma rentabilidade elevada, acima dos maiores concorrentes. No primeiro trimestre de 2010, o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido foi de 28,8%. Itaú e Bradesco ficaram próximos a 20%.

Como em toda oferta pública, recomenda-se ler o prospecto antes de tomar qualquer decisão. Nele estão todas as informações necessárias, inclusive os fatores de risco. O banco é uma instituição de capital misto e o Tesouro Nacional detém mais de 50% do controle da instituição.

Nada leva a crer que o governo deixará de ser majoritário. Pelo contrário. É possível que o Fundo Soberano Brasileiro, criado para ser o instrumento de investimento do País, adquira uma fatia do BB. A eleição presidencial, portanto, é um risco que deve ser analisado. Aldemir Bendine, funcionário de carreira do BB, chegou à presidência em abril do ano passado pelas mãos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e deve ser substituído em 2011, como é normal em trocas de governo.

Desde a sua posse, a ação do banco subiu 59,4%, quase o dobro da do Itaú (35,6%) no mesmo período. Ainda há espaço para novas valorizações, avalia o empresário Lirio Parisotto, um dos maiores acionistas individuais do banco. “O papel ainda está represado. Vou comprar mais”, diz ele.

 

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