FINANÇAS

Nº edição: 661 | Finanças | 03.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 16.01 - 11:16

Prodent quer rir por último

Empresa de planos odontológicos prepara emissão alternativa de ações para crescer

Por Juliana Schincariol

O que fazer quando seus dois maiores concorrentes se unem? A pergunta passou pela cabeça do empresário Maurício Camisotti em outubro de 2009, quando a Bradesco Dental fechou negócio com a OdontoPrev e consolidou o topo do ranking do seguro odontológico no Brasil.
 

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Camisotti: "Queremos investir em fusões e aquisições"
 

Com 430 mil usuários, a pequena Prodent, fundada por ele em 1989, em Mogi das Cruzes (SP), de repente ficou ainda menor. Como não pretende vender sua empresa nem tem tamanho suficiente para lançar ações na Bovespa, o dentista está buscando formas alternativas de financiar o crescimento e manter-se num mercado em franco processo de expansão. A resposta para sua pergunta pode estar na Nasdaq, a bolsa eletrônica dos Estados Unidos.

A Prodent assinou uma carta de intenções com um fundo de private equity americano, o AII Global Equity, para fazer uma operação pouco conhecida no Brasil. É uma oferta pública alternativa, ou APO, na sigla em inglês. Em vez de levantar recursos diretamente com a emissão de ações da própria companhia, como se faz num IPO, no APO a captação é indireta.

O fundo AII irá comprar parte do capital da Prodent, para depois transferir essas ações a uma segunda empresa inoperante e sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. Esta empresa faria então a listagem de suas ações na Nasdaq. Cerca de 600 companhias chinesas chegaram à bolsa americana por meio desse processo, que facilita o acesso aos pequenos emissores. Em 2009, a Prodent faturou R$ 43 milhões. “O IPO é uma operação que exige um volume elevado, de R$ 500 milhões de faturamento. É só para grandes empresas”, diz Camisotti.
 

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Ele não revela os números envolvidos, mas adianta que a ideia é usar 20% do capital da Prodent para realizar o negócio. Se der certo, os recursos serão usados para comprar concorrentes. “Até hoje fizemos um crescimento orgânico. Queremos investir em fusões e aquisições e teríamos condições de fazer isso”, afirma.

No Brasil, há atualmente 450 operadoras odontológicas inscritas na Agência Nacional de Saúde (ANS). Dados do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo de Grupo (Sinog) mostram que a assistência médica tem crescido num ritmo de 5% ao ano, enquanto a odontológica tem tido um ritmo de pelo menos 20% ao ano. Em 2001, o setor possuía 3,2 milhões de beneficiários. Hoje são 13 milhões, contra 44 milhões na assistência médica, segundo a ANS. “Se continuar neste crescente, o mercado pode superar os 50 milhões de clientes nos próximos cinco anos”, estima Camisotti.

 

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