ECONOMIA

Nº edição: 555 | 21.MAI.08 - 10:00 | Atualizado em 26.03 - 02:03

O peso da tragédia

Terremoto na China é mais um obstáculo à organização dos Jogos Olímpicos

Por GUSTAVO GANTOIS

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UM PROVÉRBIO CHINÊS diz que a adversidade é um espelho que reflete o verdadeiro eu. O terremoto que abalou o país na segunda-feira 12 é mais um caso que comprova a sabedoria popular. Quando a terra tremeu, a província de Sichuan transformou-se na vitrine de uma complicada escalada de acontecimentos que antecedem a Olimpíada de Pequim. Mesmo sem causar danos na capital, a catástrofe colocou em polvorosa uma população que já estava em festa. Pelas estimativas oficiais, mais de 15 mil pessoas morreram – o número pode chegar a 50 mil – e outras 64 mil ficaram feridas. Mais de US$ 160 milhões foram amealhados entre províncias para ajudar nos resgates. “É um pesadelo”, disse Yang Shumin, do Comitê Organizador. “Mas mostraremos que estamos preparados e nada vai apagar o brilho dos Jogos.”

Essa não é a primeira tragédia que coloca à prova a viabilidade dos Jogos. O caso mais emblemático foi a onda de protestos contra a política externa chinesa de repressão aos tibetanos. As manifestações chegaram a atingir o país politicamente, com a ameaça de chefes de Estado não participarem da abertura da Olimpíada. Para piorar, o governo foi constrangido com as acusações de que ingredientes contaminados causaram mortes de animais e seres humanos. “Há problemas com a segurança dos alimentos, mas não são tão sérios”, disse Li Dongsheng, viceministro da Administração Estatal da Indústria e Comércio.

A lista de tragédias ainda conta com dois pontos. O primeiro é a poluição. Um estudo do Banco de Desenvolvimento da Ásia revela que o ar de Pequim é cinco vezes pior do que o de Nova York. Mas a solução foi encontrada. Construções serão interrompidas, indústrias fechadas e a circulação de automóveis será restrita antes e durante os Jogos. Diferente é o caso das epidemias. Nos últimos meses, 32 crianças morreram e mais de cinco mil pessoas foram infectadas por um vírus intestinal. Para este problema o governo ainda não tem solução e, por isso, se refugia em outro provérbio, aquele que diz que das mais negras nuvens cai a mais límpida água.

 

 

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