MERCADO DIGITAL
Nº edição: 660 | Mercado Digital | 28.MAI.10 - 21:00
Staub de novo no ar?
Liberada pela Justiça, a Gradiente sai à caça de investidores para reabrir as portas
Por Rosenildo Gomes Ferreira
Nos últimos dois anos, o empresário Eugênio Staub, fundador da Gradiente, se debruçou sobre a tarefa de reerguer uma companhia que já foi sinônimo de aparelhos de som e tevês de alta qualidade. A empresa parou de funcionar por conta de erros estratégicos, como a compra da Philco, que minaram sua competitividade diante das rivais.
Resultado: a Gradiente acumulou dívida de R$ 385 milhões com bancos e fornecedores. Depois de muitas perdas, a primeira vitória do empresário aconteceu na segunda-feira 24, quando o juiz Caio Marcelo de Oliveira, da 2a Vara de Falências e Recuperação Judicial, homologou o acordo de recuperação extrajudicial acertado entre a Gradiente e seus credores.
O pagamento será feito em nove anos, a partir de 2012. A dívida fiscal, de R$ 150 milhões, está sendo tratada no âmbito do “Refis da crise”, programa lançado pelo governo federal. Para voltar à ativa, Staub pretende fundar a Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD).

Uma fábrica antiga e novos planos: em vez das velhas tevês de tubo, Staub (no detalhe) vai apostar
em modelos de LCD e notebooks, segmentos que batem recordes de venda a cada mês
Ela vai alugar ativos da Gradiente como as fábricas situadas em Manaus (AM) e a própria marca. Para voltar a produzir tevês de LCD e notebooks, Staub estaria costurando um aporte de R$ 130 milhões com fundos de pensão brasileiros e a americana Jabil Circuits. Resta saber, entretanto, se a nova Gradiente ainda teria espaço em um setor que se renovou bastante nos últimos dois anos.
Hoje, quem dá as cartas é a sul-coreana LG Electronics, no caso de tevês, e a brasileira Positivo, quando o assunto é informática. Para Joaquim Ferreira Sobrinho, professor de marketing da Trevisan Escola de Negócios, Staub terá uma árdua tarefa pela frente. “Apesar de a marca ser forte, ela carrega o estigma de quem ficou dois anos parada por conta de problemas financeiros”, destaca.

Uma possível solução, segundo ele, seria a criação de uma nova marca para os produtos de alto valor, utilizando a Gradiente para aparelhos de som, segmento no qual a empresa foi sinônimo de inovação nas décadas de 1980 e 1990. Se tudo der certo, Staub voltará ao mercado em um bom momento.
Em março, as vendas de tevês de LCD atingiram R$ 2,4 bilhões, resultado da comercialização de 1,2 milhão de peças. Um patamar que supera, pela primeira vez, o volume de todos os demais modelos, de acordo com a consultoria GfK Retail and Technology. O mercado de notebooks também está aquecido. Cresceu 70% no acumulado janeiro-março em relação a igual período de 2009, atingindo 1,36 milhão de unidades. Cabe a Staub cavar novamente seu espaço nessa arena.
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