MERCADO DIGITAL
Nº edição: 660 | Mercado Digital | 28.MAI.10 - 21:00 | Atualizado em 11.05 - 05:58
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Depois de uma crise que gerou a demissão de seu presidente e um pedido de desculpas aos clientes, a SAP lança produtos e anuncia aquisições em uma velocidade como há muito tempo não se via
Por Rodrigo Caetano, de Orlando (EUA)
As palavras de Jim Hagerman Snabe, um dos co-CEOs da SAP, maior desenvolvedora de software corporativos do mundo, dão o tom do que aconteceu nos últimos 100 dias na companhia. “Em um mundo onde vulcões e crises financeiras mudam o ambiente num instante, é preciso saber tomar as decisões rapidamente”, disse.

Dupla dinâmica: Bill McDermott (acima) e Jim Snabe acreditam que a
compra da Sybase abre oportunidades na área de mobilidade
Nos últimos anos, a SAP cometeu uma série de erros que culminaram com a saída, há três meses, de seu presidente, Léo Apothekeras, e em um pedido público de desculpas do fundador, Hasso Plattner, aos seus clientes. Para tentar recolocar a companhia nos trilhos, Plattner convocou dois de seus executivos e não deu a eles o direito de errar novamente. “A nova SAP se move mais rapidamente”, garantiu em entrevista exclusiva à DINHEIRO Bill McDermott, o outro co-CEO da empresa, durante evento, em Orlando, nos EUA.
Em 100 dias, a dupla Bill McDermott e Snabe criou um novo panorama para a SAP. Um sistema voltado para pequenas e médias empresas, que estava sendo prometido há três anos, foi finalmente lançado. Em um movimento ousado, a companhia comprou por US$ 5,8 bilhões a empresa de software americana Sybase, que desenvolve sistemas de banco de dados.
Essas eram duas lacunas da SAP, que seus principais rivais – IBM, Microsoft e Oracle – exploravam. O resultado financeiro no primeiro trimestre de 2010 demonstrou que o cenário começou a mudar. O faturamento cresceu 5%, mas o lucro saltou 97%, chegando a 387 milhões de euros.
O alvo da companhia, agora, é o Brasil, quinto maior mercado para a empresa e o de maior crescimento, mas no qual ela aparece na segunda colocação. Bill McDermott, durante a conversa com DINHEIRO, deixou claro que a meta é conquistar os parceiros e os canais de vendas da brasileira Totvs, que lidera o mercado de software para empresas no País.
“Quem quiser se juntar a nós pode vir”, afirma o executivo. “Garanto um universo de oportunidades muito maior do que com os competidores locais.” Resta saber se essa velocidade inicial da companhia é de um atleta que corre os 100 metros ou de um maratonista.
Entrevista: “Garanto um universo de oportunidades”
Bill McDermott diz à DINHEIRO que vai em busca dos parceiros dos concorrentes locais do mercado de softwares empresariais. Confira:
Qual a estratégia para colocar a companhia de volta nos trilhos?
Nossa estratégia é estar presente nas empresas desde a sala da diretoria até o chão de fábrica. Para isso, os funcionários das empresas precisam estar em ação o tempo todo. E a mobilidade é a chave para isso. Este foi o principal motivo que nos levou a comprar a Sybase. Muita gente pensa que fomos atrás do banco de dados da empresa. Mas esquecem que ela é líder em softwares para celulares e outros dispositivos móveis.
Um dos principais entraves para os produtos da SAP no Brasil, entre as médias e pequenas empresas, é a fama de serem caros e difíceis de implantar. Como reverter essa imagem?
Primeiro, acho que falta informação aos empresários em relação aos produtos da SAP. Isso em grande parte é culpa nossa, pois não fomos capazes de comunicar da melhor forma. Temos uma grande variedade de produtos que podem ser mais ou menos complexos e de baixo para médio custo.
Como a SAP enxerga o mercado brasileiro?
O Brasil é o quinto país mais importante para a SAP e o que mais cresce. Somos fortes em segmentos como finanças e indústria.
Quando a SAP começou a trabalhar de forma mais agressiva para conquistar as pequenas e médias empresas, há cerca de três anos, a expectativa era de que acabaria com a concorrência local. Não foi o que aconteceu. Quando a companhia vai melhorar o desempenho neste setor?
A hora é agora. Estamos criando um novo ecossistema em torno dos nossos produtos. A ideia é buscar novos parceiros no mercado brasileiro, trazendo para a SAP empresas de software ou de serviços que trabalham com concorrentes locais. Estamos abertos para quem quiser se unir a nós. Garanto um universo de oportunidades muito maior do que com os competidores locais.
Acompanhe também a entrevista em vídeo com o vice-presidente para América Latina da SAP, Rodolfo Cardenuto. O executivo que o Brasil deve passar de quinto para terceiro maior mercado do mundo para a companhia:

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