FINANÇAS
Nº edição: 660 | Finanças | 28.MAI.10 - 21:00
A caixa-preta dos bancos espanhóis
Intervenção na CajaSur e fusão de quatro instituições de poupança são os sintomas de uma crise que ninguém sabe aonde vai parar
Por Márcio Kroehn
Nem só de Grécia vivem os pessimistas do mercado financeiro. A Espanha também tem contribuído para aumentar a volatilidade das bolsas e enfraquecer o euro. O foco de preocupação é o sistema bancário. Na semana passada, quatro instituições de poupança – Caja Mediterraneo, Cajastur, Caja Cantabria e Caja Extremadura – apresentaram ao Banco da Espanha um plano de fusão de suas operações.

O quarteto deverá formar uma das cinco maiores instituições financeiras espanholas, com E 135 bilhões em ativos e 2,3 mil agências. A pressa em concretizar a união ocorreu depois de o governo ter intervido no Cajasur, de Córdoba, no domingo 23. Bancos regionais desse tipo são responsáveis por 48% do total de empréstimos no país e também surfaram na bolha imobiliária anterior à crise de 2008.
O Cajasur, com carteira de crédito de E 13 bilhões, tentou uma união com o concorrente Unicaja, mas não conseguiu fechar negócio e teve de ser socorrido pelo Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária, criado com E 99 bilhões para salvar instituições em situação de perigo. A meta do BC espanhol é diminuir de 45 para 15 o número de instituições regionais com menos de E 50 bilhões em ativos ainda este ano.
Elas estão mais expostas ao setor imobiliário, atividade que impulsionou a economia espanhola até que a crise estourasse nos Estados Unidos e se espalhasse pelo planeta. Há quem diga que a reação dos mercados é exagerada. “O risco imobiliário existe, mas não é o que está fazendo a confiança cair”, avalia Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco. “Não haverá quebradeira de bancos pela Europa, mas pequenos ajustes ao longo do tempo.”
A Espanha precisa correr contra o tempo. Assim como a Grécia, ela faz parte de um grupo de risco, países como Portugal, Irlanda, Itália e Reino Unido, cujas finanças públicas beiram o colapso e exigiram profundos cortes de gastos. O ajuste fiscal ambicioso do governo de José Luiz Zapatero, com cortes de E 15 bilhões no orçamento, foi bem recebido pelo presidente do Santander, Emilio Botín. “São medidas concretas e quantificáveis e caminham na direção correta para alcançar o objetivo prioritário de reduzir o déficit público”, afirmou.
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