NEGÓCIOS
Nº edição: 660 | Negócios | 28.MAI.10 - 21:00 | Atualizado em 16.01 - 11:52
Em busca de uma identidade
Os desafios da International Meal Company (IMC) para se tornar conhecida no mercado brasileiro de alimentação e convencer investidores a apostar em seus papéis
Por Crislaine Coscarelli
O escritório na avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos endereços mais movimentados de São Paulo, ainda é novo. Na sala da diretoria, a falta de decoração incomoda o principal executivo. “Um quadro vai ser providenciado para aquela parede”, diz o espanhol Javier Gavilan, presidente global da International Meal Company (IMC), assumindo que falta uma identidade ao local.
O escritório, na verdade, reflete a atual situação da IMC, que comanda as redes de restaurantes Viena, focada em lojas de shoppings; Frango Assado, localizada em estradas; além da doçaria Brunella. Trata-se de uma companhia em busca de identidade e até de uma nacionalidade.

Quer fazer um brinde?: Besalduch (frente) e Gavilan pretendem integrar suas empresas para se lançar novamente na bolsa
Com nome inglês, a empresa nasceu no México, ganhou um investidor norte-americano de peso, o fundo Advent — que no mundo administra US$ 24 bilhões em ativos — e adquiriu restaurantes em Porto Rico e na República Dominicana. Mas foi no Brasil que o negócio mais prosperou. “O País é hoje responsável por 75% dos negócios da IMC”, destaca o também espanhol Enric Besalduch, presidente da empresa aqui.
Além das marcas já tradicionais, também abastece companhias aéreas nos aeroportos de Congonhas (SP), Salgado Filho (RS) e Confins (MG) por meio do Grupo RA Catering. “Em três anos, investimos R$ 600 milhões no Brasil e vamos aplicar mais R$ 200 milhões até o fim de 2010”, diz Gavilan.
Esse dinheiro será usado na ampliação da rede e na reforma dos restaurantes. Afinal, os resultados começaram a aparecer. Com dez milhões de refeições servidas por mês, a IMC faturou R$ 528 milhões em 2009, crescimento de 50% desde que assumiu as operações em 2007. Para este ano, a expectativa é crescer 20%.

Menu em destaque: o Viena e a RA Catering ajudam a fornecer dez milhões de refeições mensalmente
Mas a companhia tem uma barreira pela frente. Suas marcas são muito diferentes umas das outras e as suas operações não são complementares. Os executivos sabem dessa questão. Tanto que recentemente, a IMC iniciou mudanças. O Viena, por exemplo, deixou de focar apenas em shoppings, foi para aeroportos, para a estrada e se internacionalizou, com a abertura de uma unidade em Porto Rico.
Já a Brunella ganhou quiosques tanto dentro do Frango Assado como do Viena. Mas ainda há um longo percurso a percorrer. “Não será nada fácil unir as três marcas. Elas têm posicionamentos totalmente diferentes”, diz Paulo Sérgio Quartiermeister, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Enquanto isso não acontece, a estratégia é fortalecer a holding IMC. Toda a diretoria executiva passou a ser sediada em São Paulo e, a partir da capital paulista, pretende conquistar mais mercados latinos. “Queremos ser referência em comida fora de casa na América Latina, sempre como uma brasileira”, diz Gavilan.

O desafio vai além, está ligado ao nome e desempenho da companhia. A IMC sentiu isso quando lançou seu IPO (oferta pública de ações, na sigla em inglês), no fim do ano passado. Os executivos esperavam que o valor de cada ação atingisse algo entre R$ 14 e R$ 17, mas o mercado não acompanhou a expectativa e os valores foram revistos para entre R$ 11 e R$ 14.
Na visão dos investidores, a IMC parece um grupo de várias empresas separadas e não um grupo empresarial integrado. Diante disso, a empresa retirou a oferta do pregão. “Foi bom que isso tenha ocorrido. O mercado estava ruim naquele momento”, diz Gavilan. Caio Pires, analista do setor de alimentos da Lafis Consultoria rebate a afirmação. “O mercado de alimentação fora do lar estava especialmente aquecido em 2009. Mesmo com crise, a alta foi de 7% contra os 3% de alimentos e bebidas em geral. O segmento, definitivamente, não estava ruim”, diz.
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