FINANÇAS

Nº edição: 660 | Finanças | 28.MAI.10 - 21:13 | Atualizado em 12.07 - 09:57

Gisele é a isca

A top model já inspirou até um índice de ações. E, com o Brasil na moda, bancos saem à caça de investidores globais

Por Juliana Schincariol

Quando criou o índice Gisele Bündchen de ações, em 2007, o economista e professor americano Fred Fuld queria medir o efeito da top model brasileira sobre as ações das empresas que a contratavam para promover suas marcas. O resultado, para quem é fã de Gisele, não poderia ser outro: o desempenho do indicador, que reúne companhias como Volkswagen, Polo Ralph Lauren e Vivo Participações, superou o do Dow Jones Industrial, principal termômetro da bolsa nos EUA.

De janeiro de 2007 a setembro de 2009 (última vez que foi medido), o Dow Jones caiu 23% e o índice da beldade perdeu somente 2%. Hoje, Fuld acha que o País tem muito mais do que o sorriso franco e as curvas perfeitas de Gisele Bündchen para oferecer aos investidores estrangeiros. “O Brasil é o melhor país para se investir no momento”, afirmou à DINHEIRO, de São Francisco, na Califórnia, onde tem uma empresa de informações financeiras, a Wall Street Network.
 

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A musa e a bolsa: Gisele Bündchen em frente à bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York
 

Por mais que o índice Gisele Bündchen possa ser visto mais como uma tacada de marketing e autopromoção de Fuld, não se pode negar o efeito dessa publicidade positiva sobre a massa de investidores. Depois de conquistar os investidores institucionais, que respondem por mais de 25% das transações na Bovespa, os bancos querem trazer para cá os dólares do varejo.  No mês passado, o JP Morgan lançou no Reino Unido o fundo JP Morgan Brazil. A ideia é aplicar entre 25 e 50 companhias listadas no País. Com foco na economia doméstica, o banco anuncia: “Participe de uma das economias mais emocionantes do mundo!” Um dos primeiros cotistas é o professor de inglês, John Kendle, que vive em Brighton.

Kendle encontrou no Brasil uma alternativa à crise europeia. “Não dá para tirar os olhos do Brasil e nem da América Latina”, afirmou à DINHEIRO. Ele descobriu os mercados emergentes há pouco tempo. Há um ano, comprou uma cota no fundo Baillie Gifford Emerging Markets, que possui 15% de exposição ao Brasil.

Neste, investe a módica quantia de 30 libras por mês (R$ 81) – puro varejo. Na comparação com a União Europeia, que passa por uma crise monumental e lançou um pacote de quase US$ 1 trilhão para socorrer países que tenham problemas de rolagem na dívida pública, como a Grécia, o Brasil, que cresce a taxas de 6% ao ano, parece irresistível. Mas conquistar o investidor de varejo, como Kendle, não é tarefa simples.
 

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A americana BlackRock aposta em educação financeira do investidor estrangeiro. Há dez anos, a instituição criou o MSCI Brazil, fundo voltado para residentes nos Estados Unidos. O patrimônio do fundo passou de US$ 20 milhões em 2000 para US$ 10 bilhões em 2010. O interesse da pessoa física também cresceu muito.

“Hoje eles representam metade dos cotistas”, diz Daniel Gamba, CEO para América Latina. Dentre as iniciativas para aumentar a visibilidade do mercado brasileiro lá fora, está o lançamento de três fundos de índice na Bovespa em 2009.

O interesse do investidor de varejo em aplicar no Brasil começou por volta de 2008, segundo Aquiles Mosca, estrategista do Santander Asset Management. Antes disso, apenas os fundos de pensão e os private banks estrangeiros já percebiam a economia brasileira como promissora.“Hoje, temos oito fundos geridos no Brasil para investir o capital estrangeiro”, diz ele.

E de onde vem o dinheiro? Europa, Japão e México. Também de olho neste filão, o Itaú Unibanco possui parcerias com gestoras do Japão, Luxemburgo, Chile e Coreia do Sul. O patrimônio resultante da criação de diversos fundos é de mais de US$ 10 bilhões.

O criador do índice Gisele Bündchen não parou por aí. No ano passado, Fuld lançou o livro Investing in Brazil (Investindo no Brasil), à venda na Amazon.com. Dentre os ativos brasileiros, ele recomenda Petrobras, Vale, Vivo, Itaú Unibanco e CPFL. Para que os gringos possam aplicar diretamente na Bovespa, a bolsa lança até o final do ano o que ele chama de “home broker internacional”.

Os estrangeiros não-residentes poderão fazer a compra de ações em dólar, sem precisar contratar uma instituição para fazer o câmbio. As operações serão intermediadas por bancos internacionais. “Os estrangeiros estão dentro da nossa meta de conquistar cinco milhões de investidores individuais em cinco anos”, afirma Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa.

 


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • Magali Souza

    em 12/07/2010 09:57:21

    Bom dia! Com referência à reportagem acima, como faria para conseguir o contato do Sr. Fuld ou o seu representante no Brasil? Somos uma empresa de Comércio Exterior, e meu Diretor-Presidente gostaria de ter este contato. Agradeço antecipamente pelos comentários. Atenciosamente, Magali Souza

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