NEGÓCIOS
Nº edição: 659 | Negócios | 21.MAI.10 - 21:00 | Atualizado em 02.04 - 06:14
O malabarismo da Cutrale
A fusão entre a Citrosuco e a Citrovita, que criou uma gigante global dos sucos, força a Cutrale a se mexer e a olhar com mais atenção o mercado interno
Por Érica Polo
Mal esquentou a cadeira de diretor corporativo da Cutrale, gigante do setor de laranjas, o pecuarista – e agora executivo – Carlos Viacava, que ocupa o cargo há menos de dois meses, viu seu desafio aumentar radicalmente. É que, na semana passada, a Citrosuco, do grupo Fischer, e a Citrovita, do grupo Votorantim, anunciaram uma megafusão que dá forma a um colosso com sete fábricas, dez mil empregados, faturamento de R$ 2 bilhões e uma fatia de 25% do mercado global de suco.
Só de exportações, foram US$ 676,269 milhões no ano passado. São números que fazem a nova companhia ombrear com a Cutrale – a empresa de Araraquara também possui sete fábricas e exporta US$ 676,255 milhões. Trata-se de uma diferença mínima, é verdade, mas que incomoda.

"Precisamos ter um mercado interno mais forte"
Carlos Viacava, diretor da Cutrale
Afinal, a Cutrale sempre olhou os concorrentes do alto de seu poderio de fogo e agora, pela primeira vez em sua história, terá que se preparar para uma disputa acirrada. Por isso, chegou a hora de apostar em novas estratégias e Viacava deu indícios do que pode vir por aí. “Precisamos ter um mercado interno mais forte e reduzir a dependência do Exterior. É no que acredito e acho que a Cutrale tem que trabalhar com essa visão”, diz. “Devemos plantar mais laranjas e incentivar o consumo do suco no País, que não é baixo, mas inferior ao dos Estados Unidos, por exemplo.” O consumo per capita da bebida no País é de dez litros por ano, enquanto os americanos, grandes consumidores, bebem 16 litros por ano.
Embora o Brasil domine o negócio do suco de laranja concentrado, respondendo por 80% da produção mundial, que hoje é superior a um milhão de toneladas por ano, a Cutrale direciona apenas 3% do seu volume de produção para o mercado interno. O pouco que é vendido aqui é fornecido para indústrias de bebidas, como a Coca-Cola, que, segundo Maurício Mendes, presidente da consultoria AgraFNP, domina o segmento de sucos prontos com as marcas Del Valle, Suco Mais e Kapo.
“Acharia interessante se essas processadoras olhassem para o mercado interno, porque é um nicho espetacular e está maduro para ser atendido”, avalia. De acordo com dados da consultoria Canadean Liquid Intelligence, o potencial de crescimento do consumo de sucos e néctares prontos para beber no País é de 8,7% ao ano até 2012.

Detalhe: os brasileiros bebem 471 milhões de litros por ano. Uma das estratégias poderia ser a entrada no mercado de food service, vendendo sucos prontos diretamente para hotéis e restaurantes. Outra hipótese seria criar uma marca própria para competir no mercado.
“Mas o suco de laranja, embora seja o preferido do brasileiro, ainda é o terceiro no ranking de bebidas prontas, depois de uva e pêssego”, afirma Mendes, da AgraFNP. O público, diz ele, prefere suco de laranja feito na hora por ser mais saboroso. O gosto do produto pronto – ainda distante do natural – e a logística de distribuição são os desafios a vencer por parte das processadoras que desejarem entrar nesse negócio. “Essas empresas teriam que mudar muita coisa. Afinal, o suco pronto não é seu negócio central. Elas vendem commodities e não têm marca”, continua o presidente da AgraFNP.
Além dos desafios para ganhar mais espaço nesse segmento, outra tarefa de Viacava é tornar o diálogo entre empresa e fornecedores da fruta mais transparente. Recentemente, o sócio-proprietário da companhia, José Luís Cutrale, foi apontado pelo ex-empresário do setor Dino Tofini como o líder de uma suposta formação de cartel nos anos 90.
O setor ainda passa por investigação da Secretaria de Direito Econômico desde 2006. As processadoras esperam que que este ano seja melhor do que o anterior. Estima-se que a safra de laranja 2010/2011 será menor do que a atual no Brasil e na Flórida, os maiores produtores mundiais. Com isso, os preços de suco concentrado praticados no mercado internacional deverão subir. E só a Cutrale estima receita de US$ 800 milhões, cerca de 18% a mais do que o resultado obtido no ano passado.
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Daniel Archangelo
em 10/09/2010 17:43:42
Com relação a reportagem de Érica Polo,malabarismo de cutrale,o mais triste de tudo isso é o desprezo com que eles tratam produtores e funcionarios,fomos demitidos da unidade de Bebedouro-SP,Empresa do grupo Fischer sem explicações e até hoje a fábrica não reabriu e NINGUÉM se manifesta para ajudar.
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