NEGÓCIOS
Nº edição: 658 | Negócios | 14.MAI.10 - 21:00
Para onde essa dupla olha?
Eles miram o mercado imobiliário de baixa renda. Armínio Fraga e Marcelo Odebrecht se unem para erguer 40 mil moradias até o fim de 2011
Por Crislaine Coscarelli
O mercado imobiliário foi erguido ao longo dos anos por empresários acostumados aos canteiros de obras. Recentemente, uma turma forjada nas faculdades de economia e finanças começou a explorar esse setor de olho no sobe e desce das bolas. O mais novo membro desse clube é o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Lado a lado: Marcelo Odebrecht (à esq.) e o novo sócio Armínio Fraga disputarão um mercado de R$ 176 bilhões
Com a missão de aproveitar a sua influência para atrair investidores nacionais e internacionais, na semana passada, ele se tornou sócio do grupo Odebrecht, comandado por Marcelo Odebrecht, ao adquirir 14,5% do capital social da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) por meio de sua empresa Gávea Investimentos.
Agora, os dois empresários, um criado no mundo da construção e o outro no mercado financeiro, compartilharão da mesma visão: explorar o mercado de baixa renda. “A demanda é grande e será prioridade do País por muitos anos”, afirmou Fraga à DINHEIRO. Os sócios não divulgaram o valor da negociação, mas os recursos para a compra de participação na OR saíram do fundo Gávea 3, com patrimônio de US$ 1,2 bilhão.

O investimento é o maior da Gávea até hoje, segundo o próprio Fraga. A gestora de fundos administra um patrimônio de R$ 10 bilhões e tem participação em empresas como Cosan, Americanas e RBS Comunicações, o que reforça o seu potencial em atrair novos investidores. “Passaremos a contar com a Gávea para atingir nossa meta de ser a escolha preferencial de investidores imobiliários tanto no Brasil quanto no Exterior”, afirmou o presidente da OR, Paul Altit.
A OR espera triplicar o faturamento de R$ 400 milhões, em 2009, e alcançar R$ 1,1 bilhão já neste ano. Para chegar a esse número, a OR mudou radicalmente o seu foco de atuação. Criada em 2004, a empresa começou com empreendimentos de alto padrão, como o Casas de Sauípe Grande Laguna, na Bahia, e abriu o leque para a mescla de luxo com turismo ao lançar o Reserva do Paiva, em Pernambuco, em 2007.
Diante das oportunidades geradas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que injetará R$ 176 bilhões na economia, o grupo lançou a marca Bairro Novo. Os executivos esperam entregar 40 mil residências até 2011. O que conta a favor da empresa nesse projeto é a vasta quantidade de terrenos que tem em mãos, avaliados em R$ 16 bilhões. Apesar desse poder de fogo de botar medo em muita construtora, a OR não terá, digamos, uma vida tão fácil.
O mercado imobiliário voltado para o público de baixa renda é hoje o mais disputado. Nesse campo, a companhia encontrará concorrentes de peso como a Camargo Corrêa, Rossi Residencial, MRV, Cyrela e a PDG Realty, que no início do mês adquiriu a Agre e passou a atuar em regiões onde não estava, como Norte e Nordeste.
A disputa se acirrou há 13 meses, com o lançamento do Minha Casa, Minha Vida, que ainda não atingiu nem 25% de sua meta de dois milhões de moradias. Até 10 de maio, o programa alcançou 496.163 imóveis financiados. Entre as causas da demora para atingir a meta estão as dificuldades de manter o preço final que o governo estabeleceu.
“Na capital paulista, por exemplo, é quase impossível de se fazer”, afirma o diretor de economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, referindo-se aos altos custos dos terrenos. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro. “O preço do metro quadrado na capital é até três vezes maior que no interior”, diz Rogério Chor, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ). Mesmo assim, o programa é atrativo para as empreiteiras que até agora já somaram investimentos de R$ 28,98 bilhões
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