NEGÓCIOS

Nº edição: 657 | Negócios | 07.MAI.10 - 21:00

Alô, alô, CVM, tem alguém na linha?

Governo confirma que Telebrás será a gestora do plano de banda larga. As ações subiram 22,7% em um único dia. E quem deveria proibir a especulação até agora nada fez

Por Rodolfo Borges

O governo confirmou que a Telebrás, uma empresa criada na década de 70 e sem nenhuma função desde o processo de privatização das telecomunicações em 1998, será a gestora do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Foi o bastante para elevar as ações da estatal em 22,7% na quarta-feira 5, dia do anúncio do projeto.
 

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Linha cruzada: Erenice Guerra e Paulo Bernardo anunciam plano de banda larga

Com isso, ela acumulou alta de 26.964,61% ao longo de todo o governo Lula, de acordo com o levantamento da consultoria Economática. Desde que os primeiros boatos sobre o ressurgimento da antiga holding do setor de telecomunicações surgiram, em 2008, a especulação com os papéis da empresa já fez muitos milionários.

E, até agora, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado de capitais, nada fez. Questionada pela DINHEIRO, a CVM informou que “continua apurando fatos relacionados com os impactos no mercado de valores mobiliários das notícias e comentários sobre o possível aproveitamento da Telebrás no âmbito do PNBL”. Não precisou, no entanto, a data de conclusão do trabalho.

Na quinta-feira 6, os investidores que acreditaram no projeto de banda larga federal observaram uma queda das ações da Telebrás de proporções parecidas. Elas despencaram mais de 20%. Tudo isso por que o mercado analisou com calma o projeto anunciado pela ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

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De concreto, apenas a intenção de capitalizar a estatal que vai gerir o plano em R$ 3,22 bilhões pelo Tesouro Nacional a partir de 2011. Vago, sem ser finalizado e considerado de caráter eleitoral, o PNBL – que pretende triplicar o acesso de banda larga no País – corre o risco de nem sair do papel. A execução vai ficar para o próximo governo.

Há muitas dúvidas sobre este projeto. O decreto que cria o plano, por exemplo, nem sequer foi redigido. Os detalhes de como as operadoras vão participar do fornecimento de internet não foram esclarecidos. Elas, inclusive, estudam brigar na Justiça se o governo seguir adiante com o projeto. E um projeto que é vital ao desenvolvimento do país, parece sucumbir aos interesses políticos. Enquanto isso, quem tem informação privilegiada em ano eleitorial continua fazendo a festa.

 

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