ESTILO
Nº edição: 657 | Estilo | 07.MAI.10 - 21:00 | Atualizado em 07.02 - 15:50
O produtor das estrelas
Roy Cicala, que produziu e mixou discos para John Lennon e outros artistas, cria um novo modelo de estúdio, no Brasil
Por Vanessa Barone

O americano Roy Cicala (à esq.) e o músico brasileiro Apollo Nove: modelo de negócio que reduz
em cerca de 30% os custos de produção e mixagem de CDs
Cicala, que deixou os Estados Unidos há quatro anos para viver em São Paulo, onde mora sua filha Hanna, 21 anos, conheceu Apollo por meio de amigos em comum. Em comum os dois tinham também a intenção de abrir um estúdio “dos sonhos” para qualquer artista, em início ou auge da carreira. O S.A. Plant – que recebeu R$ 500 mil de investimento – foi se formando ao longo de um ano, período em que os músicos uniram expertise de produção e equipamentos.
Os de Cicala vieram direto dos Estados Unidos e são da época em quem o engenheiro musical pertenceu ao Record Plant Studios, de Nova York, e trabalhou com grandes artistas – entre 1969 e 1989. Foi com esses equipamentos, por exemplo, que Cicala mixou as músicas dos álbuns de Lennon, de Imagine (1971) a Double Fantasy (1980). Cicala mixava outras obras do músico quando ele foi assassinado, em 8 de dezembro de 1980.
Esse vasto conhecimento na mixagem de música de diversos estilos, trazido por Cicala, está agora à disposição de artistas brasileiros. E por meio de um modelo mais econômico que o tradicional. Para se ter uma ideia, o custo de produção e gravação de um CD começa em cerca de R$ 70 mil, sem incluir custos de divulgação.

Clientes famosos: Frank Sinatra, Tom Jobim, Bruce Springsteen e John Lennon foram alguns dos músicos
que passaram pelo Record Plant Studios, de Roy Cicala, entre os anos de 1969 e 1989
Segundo dados de mercado, para fazer um artista explodir nas paradas, não se gasta menos de R$ 1 milhão. E o dinheiro tem ido cada vez mais para o ralo. Em 2002, foram vendidos 75 milhões de CDs e DVDs, no Brasil. Esse número chegou a 31,3 milhões de unidades, em 2007, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD).
“A produção à distância pode reduzir custos em pelo menos 30%”, afirma Apollo Nove. Isso ocorre principalmente porque não há necessidade de o artista se deslocar até o estúdio. Discussões de produção podem ser feitas por telefone ou e-mail e os arquivos chegam ao estúdio digitalmente. Cicala também se mostra animado.
“No Brasil estão os melhores músicos do mundo”, diz com a autoridade de quem mixou músicas para Moraes Moreira, trabalhou com a banda Olodum – na faixa The Obvious Child, do disco The Rhythm of the Saints, de Paul Simon – e também com o mestre Tom Jobim.
Nesse curto período de existência, o S.A. Plant assinou a trilha sonora do filme O Cheiro do Ralo, do diretor Heitor Dhalia. Atualmente, a dupla de produtores mixa o novo álbum do americano Garland Jeffreys. “Em muitos casos, somos nós que decidimos bancar o artista, por acreditar que ele pode estourar.”
O trabalho novamente remete ao que fez Cicala, na década de 1970, com Bruce Springsteen. Com pouca expressão no mercado da época, o artista teve seu álbum Born to Run (1975) mixado no Record Plant sob a supervisão de Cicala. Tudo na base da amizade. E deu no que deu. “Ouvi meu coração. Eu simplesmente acreditava naquele rapaz”, diz Cicala.
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