ECONOMIA
Nº edição: 656 | Economia | 30.ABR.10 - 10:00 | Atualizado em 02.10 - 11:22
A festa mais cara do mundo
Xangai organiza a maior Exposição Universal da história. Com investimentos de US$ 45 bilhões, as obras vendem a China como grande potência mundial. Mas só os chineses estão interessados no evento
Por Ralphe Manzoni Jr., de Xangai
Logo ao chegar em Xangai, a maior cidade da China, com 19 milhões de habitantes, você se depara com uma figura quase onipresente. É um boneco azul, com rosto simpático, largo sorriso e um topete que lembra uma onda do mar. Trata-se de Haibao, o mascote da edição 2010 da Exposição Mundial (Expo), que começou no dia 1º, em Xangai, com a participação de 190 países e 50 organizações internacionais.

Pavilhões da expo: acima, o pavilhão que conecta as principais áreas de exposição. Abaixo o da Coreia do Sul.
A Expo 2010 é considerada a maior e mais cara festa da história. O governo chinês diz que gastou US$ 4,2 bilhões na área da exposição, o dobro do valor da Olimpíada de Pequim. Mas estima-se que aproximadamente US$ 45 bilhões foram investidos em obras de infraestrutura que mudaram a cara de Xangai. São esperados 70 milhões de pessoas, cerca de 400 mil por dia, durante os seis meses do evento. A maioria, cerca de 95%, será de chineses, um sinal de que exposições dessa ordem não chamam mais a atenção de estrangeiros como no passado.

Desde 1851, quando aconteceu a primeira Exposição Universal, em Londres, na Inglaterra, o impacto nas cidades onde são realizados esses eventos pode ser comparado a acontecimentos como os Jogos Olímpicos e as Copas do Mundo. Os legados deixados para a população são melhorias urbanas e arquitetônicas.
Em 1889, Paris ganhou a Torre Eiffel. Em 1915, São Francisco, nos EUA, foi reconstruída, depois de um grande terremoto em 1906. Portugal, em 1998, deu uma nova e mais moderna cara para a tradicional capital Lisboa. Não foi diferente com a festa de Xangai. Conhecida como a Nova York da Ásia, a cidade ganhou ares ainda mais modernos.
Dois novos terminais aéreos foram inaugurados. Novas vias e viadutos foram construídos. A rede de metrô passou de 210 quilômetros para 420 quilômetros, a maior do mundo. “Quando cheguei, em 2003, havia só duas linhas de metrô”, diz o brasileiro Carlos Alberto Cordeiro dos Santos, garçom do restaurante Latino. “Agora, são 13.”
As transformações de Xangai estarão na mesa de discussão das delegações estrangeiras presentes à Expo 2010. Afinal, o tema do evento deste ano é Cidade Melhor, Vida Melhor. Nesse século, há mais pessoas vivendo em áreas urbanas do que em rurais. A China é, provavelmente, o principal exemplo dos desafios que as grandes cidades terão de enfrentar.

Haibao: o mascote da Expo 2010 pode ser encontrado por toda a cidade
Hoje, o país tem 175 municípios com mais de um milhão de habitantes. Os EUA, por exemplo, contam com 46. A Europa, 60. Mesmo com todas as obras, Xangai ainda é uma cidade caótica. Boa parte de suas ruas é estreita e há congestionamentos por toda parte. O crescimento da indústria automobilística chinesa, que vendeu 13,6 milhões de carros em 2009, ultrapassando as vendas do mercado norte-americano, está tirando das ruas as tradicionais bicicletas. Embora ainda presentes na paisagem, elas são cada vez menos frequentes nas ruas. Pior: em vez de pedalar, chineses que não têm poder aquisitivo para adquirir um carro estão comprando bicicletas elétricas.
Nada disso impediu a China de usar esta Exposição Universal para se apresentar ao mundo como uma potência, capaz de organizar dois megaeventos em um curto período de tempo. Há vários símbolos na Expo 2010 cujo objetivo é demonstrar o poder chinês. O seu pavilhão é o mais alto do evento. Com 63 metros de altura, ele é três vezes maior do que qualquer um dos outros 46 pavilhões.

Ele pode ser facilmente visto de qualquer lugar da área de exposição, que tem 5,2 quilômetros quadrados, o equivalente a mil campos de futebol. Um touro gigante de bronze, criado por Auturo DiModica, o artista ítalo-americano que deu a Wall Street o seu famoso mascote, foi uma das surpresas da festa.
O “animal chinês” pesa 3,2 mil quilos, duas vezes mais que seu irmão de Nova York. “Mas ele é mais jovem e simboliza a energia da economia de Xangai”, declarou à imprensa local Zhou Wei, uma autoridade do governo chinês. Os requintes de extravagância estão em todos os lugares. A Dinamarca, por exemplo, está trazendo a tradicional estátua da “Pequena Sereia”, que deixou pela primeira vez o porto de Copenhague.
A Arábia Saudita, que investiu US$ 164 milhões, o maior valor entre os países, com exceção da China, importou palmeiras originais e tem uma tela de cinema de 1,6 mil metros quadrados, o equivalente a ¼ de um campo de futebol. A Finlândia tem uma área de sauna para os convidados vips. O Brasil, cujo investimento entre governo e iniciativa privada foi de R$ 50 milhões, vai apostar no futebol para cativar os frequentadores do evento. Uma tela interativa permite que os visitantes joguem o esporte mais popular do País com os celulares.
Multimídia
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Aline Lopes almeida
em 02/10/2011 11:19:19
Eu acho barato &_ Eu já gastei 74 mil reais em uma feesta .
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