FINANÇAS

Nº edição: 656 | Finanças | 30.ABR.10 - 10:00 | Atualizado em 22.05 - 17:55

Elo de gigantes

Num movimento ousado, Banco do Brasil e Bradesco se unem para criar uma nova bandeira de cartões de crédito. O alvo: a nova classe média brasileira. Os rivais: Visa e MasterCard

Por Milton Gamez e Márcio Kroehn

Ouça um resumo da reportagem sobre a nova bandeira brasileira de cartões de crédito

 

Confira também o comentário em vídeo de Milton Gamez, editor de Finanças da DINHEIRO, sobre o tema:

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O que acontece quando dois concorrentes de peso se unem para conquistar um mesmo mercado? Os gigantes Banco do Brasil e Bradesco recolocaram a pergunta na agenda dos competidores, dos órgãos de defesa da concorrência e dos consumidores. Os dois bancos, que se enfrentam há décadas nos mercados bancário e de seguros, anunciaram na terça-feira 27 um negócio histórico: serão sócios em nova empresa de cartões de crédito, a Elo.
 

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Aperto de mãos: Aldemir Bendine, do BB, Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco (da esq. para a dir.),
selam o acordo de criação de um novo gigante financeiro

 

Batizada a partir de uma marca antiga de cartões do Bradesco, a companhia nasce robusta, com ativos de até R$ 20 bilhões e a missão de conquistar 120 milhões de clientes em cinco anos. A estratégia é lançar a Elo como uma bandeira brasileira de cartões, oferecendo à classe média emergente uma alternativa mais barata para os selos Visa, MasterCard e American Express.

Os bancos estimam que há, no Brasil, mais de 628 milhões de cartões de crédito e débito. Dez anos atrás, eram 118 milhões. No período, o número de transações cresceu sete vezes, para 7,1 bilhões, e o volume aumentou 700%, para R$ 535 bilhões – 20% do PIB. Cada vez que os brasileiros pagam com o dinheiro de plástico, os acionistas da Visa e da MasterCard ficam um pouco mais ricos. É que as duas bandeiras estrangeiras dominam esse mercado, com 90% dos cartões.

Os plásticos ligados a elas geram receitas, na forma de royalties, pelo, uso das marcas. Esses números não são públicos, mas consomem 5% das taxas de administração pagas pelos estabelecimentos conveniados. Com a bandeira Elo, o BB e o Bradesco pretendem reduzir as remessas para o Exterior. Eles continuarão a oferecer cartões internacionais aos clientes. Porém, irão concentrar os esforços de venda da Elo para aqueles que usam o plástico apenas para fazer pagamentos locais. E estes respondem por mais de 70% das transações.

Em princípio, o Elo nasce como um cartão popular, que poderá ser oferecido até mesmo sem cobrança de anuidade, principalmente para não correntistas. “Será um cartão simplificado, econômico, uma espécie de genérico do cartão de crédito”, explicou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi.

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Inspiração antiga: O antigo cartão Elo, usado pelo Bradesco nas décadas de 70 e 80, teve mais de
um milhão de usuários e deu a liderança ao banco da Cidade de Deus durante muitos anos

O executivo anunciou a parceria em São Paulo, junto com Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração, e Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil (leia as entrevistas exclusivas no fim da matéria). No mesmo dia, o ministro da Justiça, Luis Paulo Barreto, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reuniram-se em Brasília para discutir a regulamentação do setor.

A ideia é dar competência ao BC para fiscalizar as administradoras de cartões e ao Conselho Monetário Nacional o poder de baixar normas de comportamento que evitem abusos por parte das empresas, como a cobrança de tarifas indevidas. Foi a pressão do Executivo, por sinal, que determinou o fim da exclusividade das empresas VisaNet (atual Cielo) e RedeCard no processamento de transações com bandeiras Visa e MasterCard, a partir do próximo 1º de julho. Essa medida abriu o mercado e acabou criando as condições para o negócio entre o BB e o Bradesco.

 

Confira as inovações tecnológicas do setor de cartões de crédito e débito

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A cada transação, os bancos nacionais pagam royalties às bandeiras visa, amex e mastercard. o objetivo é reduzir a conta.

O Santander, que era sócio de ambos na antiga VisaNet, preferiu criar sua própria companhia, em parceria com a GetNet – mas sem uma bandeira própria. Bradesco e BB, por sua vez, optaram por criar a Elo, de olho na nova classe média. “A abertura do mercado é que está criando as oportunidades”, resume Marcos Magalhães, diretor de varejo do Itaú Unibanco.

A eficiência do sistema e a concorrência estão aumentando, insiste Lázaro Brandão. “As duas maiores redes de atendimento associam-se, mais uma vez, para oferecer uma bandeira brasileira, colaborando para o aumento da competição no mercado”, afirmou o presidente do conselho do Bradesco. A transação deve gerar sinergias de R$ 1 bilhão para os dois bancos. Ao final do dia, os consumidores sairão ganhando, afirmou à DINHEIRO o presidente do BB, Aldemir Bendine.

“A Elo é uma empresa de muita escala, em que os ganhos serão transferidos para o cliente”, disse. De certa forma, a nova holding (leia estrutura na página seguinte) repete o modelo da antiga Credicard, sociedade entre Citibank, Itaú e Unibanco, que atuava em todas as pontas do negócio.
 

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Esse mercado evoluiu muito nos últimos anos. A participação dos pagamentos privados com dinheiro de plástico saiu de 9% em 2000 e deve chegar a 25% no final deste ano. Na outra ponta, o cheque desabou de 34% para 6% no mesmo período. Pelas previsões da consultoria em varejo financeiro Boanerges & Cia., o domínio dos cartões continuará ascendente.

Em 2020, o meio de pagamento eletrônico vai rivalizar com o dinheiro em espécie (43% a 48%), enquanto o talão de cheque será um item raro na carteira dos consumidores. “Teremos muitas novidades daqui para a frente no mercado”, diz o especialista Boanerges Ramos Freire. “Mais serviços e alternativas estão em desenvolvimento, além de custos menores para lojistas e usuários.”

A meta da Elo é conquistar 15% da base de cartões em cinco anos. Até lá, o número de plásticos em circulação no País deve atingir 800 milhões, preveem os executivos do setor. A nova classe média brasileira, que já alcança metade da população, é o principal alvo da operação, que deve forçar novos movimentos de concorrentes como Itaú Unibanco, Santander, HSBC e Caixa Econômica Federal. O BB já convidou a CEF para entrar na parceria com o Bradesco, mas não teve resposta.
 

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O Itaú Unibanco mantém dentro de casa a Hipercard, a bandeira de cartões mais popular da região Nordeste. A Hipercard nasceu na rede Bompreço, varejista que hoje pertence ao Walmart, e se espalhou por toda a região. A popularidade cresceu e a aceitação passou a ser maior que a das tradicionais bandeiras Visa e MasterCard entre os consumidores nordestinos.

Agora, o Itaú Unibanco pode dar o troco à criação da Elo tirando a Hipercard da gaveta. Dentro do banco, a estrutura é separada e conta com um executivo exclusivamente dedicado ao negócio, Ivo Vieitas. Por enquanto, nenhum comentário é feito sobre os próximos passos e a utilização da marca que está dentro de casa. As cartas – ou os cartões – estão na mesa.

Colaboraram: Juliana Schincariol e Rodrigo Caetano

 

 

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Aldemir Bendine, presidente do BB

O que significa esta aliança?
 Continuamos concorrendo na ponta, ou seja, na distribuição. Porém, as duas instituições têm um histórico de parceria muito forte. A maior parceria de sucesso foi na antiga Visanet, hoje Cielo. Bradesco e BB inovaram e criaram esta empresa, ainda com o Banco Real. Naquela época, o Brasil deveria ter menos de 100 mil estabelecimentos credenciados. Saltamos para mais de 1,5 milhão. Juntar forças de uma plataforma e trabalhar a distribuição traz sucesso. Esse movimento está se repetindo.

Onde começa a parceria e termina a concorrência com o Bradesco?
 Na distribuição. Este sempre foi um pacto que tivemos, inclusive quando nos tornamos sócios na Cielo. Em todas as cadeias somos parceiros, compartilhamos decisões e estratégias. Mas, chegou na distribuição, a guerra é para valer.

A meta de 15% do mercado de cartões no Brasil, ou 120 milhões, não é muito ousada?
Somos agressivos. E há uma inserção cada vez maior de cidadãos na classe C. Um dos modos de fazer a inclusão bancária se dá pelo cartão.

Este negócio já estava na estratégia quando houve a mudança da marca Visanet para Cielo?
BB e Bradesco já falavam em juntar operações. Mas estamos passando por um momento de regulação do setor e, como a operação é um pouco mais complexa, resolvemos esperar.

O governo, naquele momento, poderia entender como concentração?
 Exatamente, porque não sabíamos o que aconteceria. Apesar de ser de concentração, este é um movimento reverso que é benéfico para o setor. Criar mais uma bandeira no mercado vai gerar preços melhores.


 

 

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 Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco

Quem teve a iniciativa? 
Ela surgiu de múltiplos interesses. Evidente que o assunto aqueceu muito nos últimos meses em função do processo regulatório. A quebra de exclusividade da rede de adquirência abriu a possibilidade de montarmos essa bandeira nacional.

Qual é a vantagem da bandeira Elo?
Na ótica do regulador, é criar competição. Havia uma convergência muito grande entre as bandeiras existentes e seria bom que surgisse uma nova. Ela dá possibilidade de negociar com os comerciantes e com os portadores. A bandeira nacional surge exatamente no momento em que o mercado de consumo está oferecendo espaço de crescimento.

 A grande vantagem será o fim do pagamento dos royalties?
Para determinados segmentos, o pagamento de royalties não se justifica. São clientes que têm um cartão de compra de uso doméstico. Se vão usar aqui dentro, a viabilidade da bandeira nasce com um grande apelo.

Onde acaba a concorrência e começa a parceria com o Banco do Brasil?
 A parceria começa exatamente nas atividades em comum. Ter um cliente bancarizado é um objetivo do Bradesco e do Banco do Brasil.

 A Caixa pode entrar como sócia da Elo?
Podemos conversar. Ela soma e é bastante desejável para a operação porque grande parte da emissão de cartões da Caixa é para clientes que não vão usá-los fora do País.

Como o governo recebeu esta aliança?
Muito bem. Ter uma quarta bandeira extremamente competitiva no Brasil favorece o aumento da concorrência.

 

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  • em 07/02/2012 12:35:39

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    • em 07/02/2012 08:38:20

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      • em 07/02/2012 04:42:19

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        • em 07/02/2012 00:41:22

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          • leoanrdo teofilo

            em 31/03/2011 12:04:58

            Está certo ficar mandando dinheiro pra fora do país com a visa mastercard e outras pagando toda transação 5% pra eles sacanagem é isso ai, quem usa cartão só aqui no Brasil deveria aderir a essa nova bandeira, diminui a saida de dinheiro do Brasil, ficando mais dinheiro na economia Brasileira.

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            • michel almeida dos santos

              em 18/08/2010 14:21:56

              Quero ser o primeiro cliente a ter esse novo cartão de credito Elo contem comigo...

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