NEGÓCIOS
Nº edição: 586 | 24.DEZ.04 - 10:00 | Atualizado em 06.02 - 13:26
Surge um novo Larry Flint
Como o americano Eric Langan montou uma bemsucedida rede de clubes para adultos, seguindo os passos de Larry Flint, o criador da revista Hustler
EM 1989, O JOVEM AMERICANO ERIC Langan, de 21 anos, vivia o seguinte dilema existencial: seguir no curso de contabilidade e tentar um emprego em uma grande empresa ou se aventurar na área do entretenimento abrindo o próprio negócio. Langan apostou na segunda opção. Vendeu a coleção de figurinhas de astros de beisebol e com os US$ 40 mil amealhados na transação comprou um clube de strip-tease em Forth Worth (Texas - EUA). Quem lhe ensinou os macetes dessa área foi a então namorada, uma das dançarinas desse estabelecimento. Hoje, o empresário desponta como um dos maiores nomes do segmento de lazer adulto dos Estados Unidos. A rede composta de 20 clubes de strip-tease, cuja principal bandeira é o Rick's Cabaret, deve render cerca de US$ 50 milhões neste ano. Ostentando uma taxa de crescimento na faixa de 15% ao ano desde 2003. E apesar dos prognósticos negativos para a economia americana, ele segue confiante na manutenção do ritmo atual. "É nos períodos de crise que as pessoas saem em busca de diversão, como forma de esquecer os problemas", disse Eric Langan à DINHEIRO. Mais que um clube para adultos, ele criou uma plataforma de negócio que inclui duas revistas (Teeze e Adult Store Buyer), além de um site de leilão de objetos eróticos (www.naughtybids.com) e outro de troca de casais (www.couplestouch.com).
Por conta disso, se tornou inevitável compará-lo ao controvertido Larry Flint, dono da revista Hustler e considerado o rei da pornografia. Langan, polidamente, rejeita qualquer semelhança com Flint. "Considero-me um empresário do ramo do entretenimento e não apenas um editor de revista erótica. Minhas publicações e sites são apenas acessórios para meu negócio principal que são os nigth clubs", explica. Langan garante que o Rick's Cabaret foge do estereótipo dos clubes de strip-tease tradicionais, cuja imagem está fortemente associada à prostituição, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Ao invés disso, ele criou um clube exclusivo no qual os homens de negócios vão em busca de prazer. No sentido platônico, bem entendido, já que as três mil dançarinas, chamadas de entertainers, oficialmente não podem ter relações sexuais com os clientes. Também é proibido consumir drogas ou usar vocabulário chulo. Quem não cumpre as regras está fora. No Rick's Cabaret é comum ver clientes desembolsando US$ 30 mil para fazer uma "festa" em sala privativa, incluindo dançarinas e um lauto banquete regado a champanhe. Na filial de Nova York, por exemplo, o menu tem como opção o sofisticado, e caro, bife de Kobe e o conhaque Luís XIII, vendido a US$ 3,5 mil a garrafa.
Essa política severa no campo dos "costumes", combinada com um grande tino comercial funcionou como um chamariz para atrair nomes insuspeitos do mundo financeiro. Os bancos Barclays e Morgan Staney, por exemplo, fazem parte da lista de investidores que subscreveram papéis do grupo quando ele lançou ações do Rick's Cabaret na Nasdaq, em 2005. E desde então não parou de crescer. No final de setembro Langan acertou a compra do Scores Strip Club, em Las Vegas. Pagou US$ 12 milhões à vista e outros US$ 3 milhões em debêntures e ações. Mas não é apenas nos limites da fronteira americana que o empresário está de olho. Sua ambição é espalhar os tentáculos para os demais continentes. Começando pela América Latina. "Temos um acordo de licenciamento da marca com um investidor argentino que se comprometeu a abrir uma franquia em Buenos Aires, até o final deste ano", explica o dono do Rick's Cabaret. E o Brasil deverá ser o próximo da lista. "Já fizemos algumas prospecções em busca de investidores locais", conta.
TENHO INTERESSE EM ATUAR NO BRASIL E NA ARGENTINA"
No melhor estilo self-made man, o jovem americano Eric Langan, converteu-se no rei da diversão adulta dos Estados Unidos. A seguir alguns trechos da entrevista que ele concedeu à DINHEIRO.
DINHEIRO - É verdade que os negócios ligados ao prazer são imunes à recessão? ERIC
LANGAN - De um modo geral, o que se diz é que as ações de "empresas pecadoras" têm maior possibilidade de êxito em ambientes adversos porque esses negócios funcionam como válvula de escape para problemas financeiros.
DINHEIRO - O sr. acredita que poderá manter a taxa de crescimento de 15% ao ano?
LANGAN - Sem dúvida. Nosso negócio é fortemente orientado para a satisfação do cliente. Ao desfrutar de uma atmosfera agradável, na companhia de belas mulheres e boa comida, eles tendem a se tornar consumidores fiéis. E é nessa lealdade que apostamos para continuar crescendo.
DINHEIRO - Como está o processo de expansão para além da fronteira americana?
LANGAN - Estamos começando esse projeto pela Argentina. Em parceria com um grupo local nós constituímos a Rick's Buenos Aires Sociedad Anonima, que será o master franqueado para o país. Agora, estamos em busca de empresários de outros países, incluindo o Brasil.
DINHEIRO - O sr. se considera um Larry Flint moderno?
LANGAN - Esse tipo de comparação não tem cabimento. Sou um empreendedor da área de entretenimento e não apenas um publisher de uma revista erótica.
DINHEIRO - Quanto é necessário investir na abertura de um clube no padrão Rick's Cabaret?
LANGAN - Isso depende do porte e também da cidade. O custo varia de módicos US$ 1,5 milhão até US$ 25 milhões.
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