FINANÇAS
Nº edição: 656 | Finanças | 30.ABR.10 - 10:00 | Atualizado em 22.05 - 16:55
Museu dos escândalos
Exposição em Wall Street retrata as maiores falcatruas do mercado financeiro
Por Milton Gamez, de Nova York
O som das sirenes e o forte policiamento não deixam dúvidas: há algo de podre no ar em Wall Street. São quase 11 horas da manhã da quinta-feira 22 e o sol brilha forte em Nova York. Algum figurão está na área. Seu nome? Barack Obama. O presidente veio ao prédio do colégio Cooper Union defender in loco a reforma do sistema financeiro, com a qual pretende impedir crises e escândalos futuros.

O Enigma das pirâmides: Bernie Madoff lesou milhares de clientes com o esquema criado por Charles Ponzi (no destaque) e acabou no mesmo lugar: a prisão
A agitação dos pedestres e dos policiais perturba um pouco mais a região sul de Manhattan, hoje um caótico destino de turistas e operários que trabalham no Ground Zero. Não por acaso, próximo dali, os funcionários do Museum of American Finance dão os últimos retoques na nova exposição: Escândalo! Os crimes financeiros, as tramoias e a corrupção que abalaram os Estados Unidos.
A galeria dos vilões foi aberta ao público na quinta-feira 29, no número 48 da Wall Street. Quem visitá-la conhecerá em detalhes os golpes dos maiores estelionatários do mercado americano dos últimos 300 anos. Destaque para Charles Ponzi, o imigrante italiano que inventou o esquema de pirâmide financeira nos anos 20 do século passado, e seu maior discípulo, o contemporâneo Bernie Madoff, sentenciado a 150 anos de prisão depois de sumir com US$ 50 bilhões de investidores incautos.
De William Duer, o homem que causou o crash de 1792, à quebra do banco de investimentos Lehman Brothers em 2008, a viagem no tempo inclui também escândalos protagonizados por membros do governo e por empresas, como as manipuladoras de balanços Enron e WorldCom. Fotos, documentos e artigos de jornais ajudam a compor os personagens e a explicar esse lado negro do capitalismo. “Os escândalos fazem parte da nossa história e atraem o interesse geral.
Enquanto houver dinheiro, sempre haverá algum escroque no mercado tentando tirá-lo das pessoas”, disse à DINHEIRO Marc Hodak, curador da exposição e professor da New York University. O museu é uma instituição independente, com foco na educação financeira, e escolheu esse tema para atrair o interesse do seu principal público no dia a dia: as crianças americanas. E o que aprender com esses vilões? Quando se trata de investimentos, o que parece bom demais para ser verdade, não é.
“A principal lição é: nunca invista seu dinheiro em algo que você não entende. As vítimas de Madoff não entendiam como ele conseguia bons retornos sempre”, alerta Hodak, que usa as histórias dos escândalos para ensinar a evolução da governança corporativa aos seus alunos na universidade. Com a ajuda de Obama, dos órgãos reguladores e dos jornalistas, as notícias ruins sobre o comportamento de banqueiros gananciosos não saem da mídia. Isso aumenta a atratividade do assunto para fins educativos, lembra Hodak.
“Enquanto houver dinheiro, sempre haverá algum escroque no mercado tentando tirá-lo das pessoas” Marc Hodak, professor da New York University
Na semana passada quem estava sob os holofotes era o lendário banco de investimentos Goldman Sachs. A Securities & Exchange Commission (SEC) acusou o Goldman de fraudes de marketing contra seus próprios clientes. Enquanto se desfazia de ativos imobiliários tóxicos, o banco ganhava e seus investidores tinham prejuízo.
Executivos trocaram e-mails dizendo que as aplicações em derivativos imobiliários eram um “shitty deal” (negócio de merda), embora vendidas como se fossem ótimas oportunidades. Seis executivos e ex-funcionários foram convocados pelo Senado na semana passada para dar explicações sobre as denúncias. Se o banco for condenado, o chefão do Goldman, Lloyd Blankfein, poderá entrar para a galeria da infâmia do museu de Wall Street. Nela já está Dick Fuld, o ex-presidente do Lehman Brothers, que alavancou os ativos do banco 42 vezes e não tomou precauções para proteger a instituição. Deu no que deu.
Galeria de picaretas
Existe beleza nos escândalos financeiros? O curador da exposição, Marc Hodak, acha que sim. “Aprendemos com eles e melhoramos a governança corporativa ao longo dos séculos”, afirma. Ao lado, alguns dos inúmeros vilões que fizeram história nos Estados Unidos
William Duer
Thomas Jefferson o chamou de “O Rei do Beco”. Especulador com passagem pelo Tesouro, foi o pivô do primeiro escândalo financeiro nos EUA, que resultou no crash de 1792. Condenado por fraudes, morreu na prisão

Albert Fall
Em 1929, o secretário do Interior Albert Fall foi subornado por empresas petrolíferas no escândalo do Tea Pot Dome, o maior até Watergate. Foi o primeiro membro do governo a ser preso por suas ações no poder

Ivar Kreuger
Maior produtor de palitos de fósforo do mundo, o sueco Kreuger emprestava dinheiro barato a governos para deter monopólios em seus países. Vendeu bônus nos EUA para financiar o esquema. Matou-se em 1932

Kenneth Lay
Ao lado de Jeffrey Skilling, foi responsável pelas fraudes contábeis bilionárias na Enron no final dos anos 90. As ações de Investidores e funcionários viraram pó e a empresa de auditoria Arthur Andersen desapareceu

ASSUNTOS RELACIONADOS
Multimídia
TAMBÉM NA ISTOÉ dinheiro
-
Buy Tramadol
em 19/10/2010 07:00:11
ook disks ecology Tramadol Online saachdevab itself scans outlooks tramadol cheap
-
Buy Phentermine
em 18/10/2010 00:52:11
Buy Phentermine smes berridge blogland kapoorcs Phentermine,mudh auspices weights strengthens grouponline
-
Buy Ambien
em 14/10/2010 04:13:23
Buy Ambien framework fault flickr globalsummit Buy Ambien Online richman ambition zeal analysis responsive .
-
Buy Valium
em 12/10/2010 19:33:19
buy valium online coroners antecedents predicates .Buy Valium ueprrac djkus client fields
Isto é compartilhar
Últimas Notícias
- Monti: disciplina fiscal é 'insustentável' sem crescimento
- AL tem consolidado seu sistema financeiro mesmo com baixa inclusão bancária
- Europa tenta impulsionar crescimento em reunião com foco em Grécia e Espanha
- Esquerda radical decidida a manter Grécia na Eurozona caso vença eleição
- Merkel se diz surpresa por críticas a suas medidas econômicas





















