NEGÓCIOS

Nº edição: 586 | 24.DEZ.08 - 10:00 | Atualizado em 06.02 - 13:18

O Big Brother da Telefónica

Depois de espalhar 40 mil câmeras de segurança pelo País, empresa lança um sistema de monitoramento residencial, acoplado ao telefone

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO filmado. Essa frase já se incorporou ao dia-a-dia das pessoas que transitam por lojas, edifícios comerciais e até mesmo igrejas e cemitérios de diversas cidades brasileiras. E não é para menos. Existem nada menos que um milhão de câmeras espalhadas de norte a sul do País. E esse verdadeiro Big Brother coletivo cresce na razão direta do aumento da sensação de insegurança por parte da população. Para alegria das empresas que comercializam e fazem a gestão de sistemas eletrônicos de vigilância e controle. Um setor cujo faturamento avança na faixa de 13% ao ano e deve fechar 2008 com receita de US$ 1,4 bilhão, de acordo com a Abese – entidade que congrega as companhias do setor. Isso fez com que o comando da Telefónica, baseado em Madri (Espanha), resolvesse “soltar as amarras” de sua subsidiária Telefónica Engenharia de Segurança (TES) no Brasil. Agora, a TES se prepara para dar seu maior salto: a venda de um alarme residencial. O equipamento funciona a partir de um aparelho telefônico comum, acoplado a um sensor de presença conectado a uma central de monitoramento. O produto foi desenvolvido pela equipe local da TES e será produzido por fabricantes israelenses. A venda começa no primeiro trimestre de 2009 e marca a entrada da Telefónica no promissor mercado de vigilância doméstica.

Algo inédito na corporação em termos globais. Até antão, a TES operava apenas com clientes corporativos. O novo sistema é uma das marcas da gestão de Reinaldo Rodríguez no cargo de diretor-geral da subsidiária brasileira. O executivo, contudo, terá de se contentar de ver à distância a implantação do projeto. Isso porque ele acaba de ser promovido ao posto de diretor da TES para a América Latina e passará a dar expediente na capital espanhola. A ascensão meteórica deve-se ao trabalho iniciado em meados de 2006. Ele assumiu a filial com carta branca para fazer as mudanças necessárias para tornar o negócio menos dependente da Telefonica. “A divisão operava de forma antiquada e sem vocação para explorar um segmento em franca expansão”, recorda. Isso, segundo ele, ficava evidente no perfil do faturamento cuja maior fatia (60%) era obtida com serviços para a própria Telefónica.

Hoje, a “nave-mãe” colabora com apenas 12%, enquanto o restante vem de contratos com empresas do porte de Magazine Luiza, Bradesco, Banco Santander, McDonald’s, Accor e Novartis. No total, a TES possui cerca de 40 mil câmeras espalhadas por 50 clientes de todas as regiões do País. Rodríguez não revela o faturamento da subsidiária, diz apenas que sua expectativa é fechar o ano com uma receita 100% maior em relação à obtida ao ano passado. Para 2009, a companhia já tem garantido outro contrato de peso. Trata-se da instalação de 160 câmeras de monitoramento para a Polícia Militar do Estado de São Paulo. A vitória nessa concorrência reforça o domínio da TES no mercado paulistano, onde já possui contrato semelhante com a Guarda Civil Metropolitana. “O nome Telefónica abre portas”, reconhece o executivo. Ele destaca, porém, que, além da grife, a divisão foi bem-sucedida porque apostou em serviços diferenciados, tais como o monitoramento de espaços críticos, como câmaras frias e alto-fornos siderúrgicos, equipamentos caros e que necessitam de supervisão contínua. “Para se dar bem nesse setor é preciso ir além da câmera de segurança e do sensor de presença”, destaca o executivo.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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