NEGÓCIOS
Nº edição: 586 | 24.DEZ.08 - 10:00 | Atualizado em 05.02 - 16:06
Idéia iluminada?
Empresa paranaense ganha 20% do mercado de lâmpadas apenas com a importação do produto. Resta saber se essa estratégia sobrevive à alta do dólar
Por ROSENILDO GOMES FERREIRA
EM 2001, NO AUGE DO racionamento de energia elétrica, a curitibana Empalux surpreendeu o mercado ao importar, de uma só vez, um lote de 400 mil lâmpadas fluorescentes compactas. A carga trazida de avião rendeu estimados R$ 3 milhões, a preço de varejo, e literalmente iluminou o caminho de uma ilustre desconhecida em um setor dominado por gigantes. Fundada em 1993, a Empalux se tornou uma das marcas mais vendidas do País. Detém 20% do segmento de lâmpadas convencionais e 7,5% do nicho de fluorescentes compactas. Isso apesar de não dispor de uma única fábrica por aqui. Toda sua linha é feita por fornecedores instalados no Vietnã, na Coréia do Sul e na China. Uma estratégia de alto risco, já que, além de arcar com a alíquota de 18%, referente ao Imposto de Importação, a empresa ainda assume o risco cambial. Jairo Costa, diretor-geral do Grupo Empal, dono da Empalux, reconhece os pontos fracos, mas garante que ainda assim a operação é lucrativa. "Os asiáticos são imbatíveis em matéria de custo e não é por outro motivo que eles fornecem perto de 80% de todas as lâmpadas consumidas em todo o mundo", justifica o executivo, sem, no entanto, revelar o faturamento do grupo. O modelo de negócio desenvolvido pela Empalux vai muito além da simples importação. Os fornecedores são escolhidos a dedo e cabe à empresa definir a especificação técnica dos produtos nos quais vai estampar sua grife. Apenas neste ano, a Empalux investiu cerca de US$ 5 milhões em pesquisa e design. A política de preços e o esquema de distribuição também são diferenciados em relação às gigantes Philips, Siemens e General Electric, por exemplo.
Em vez de grandes redes de supermercados, a Empalux atua com distribuidores regionais, lojas de materiais de construção e mercadinhos de periferia. Enquanto as lâmpadas fluorescentes são vendidas por valores cerca de 15% abaixo dos das marcas líderes, as incandescentes têm como alvo a base da pirâmide de consumo. Hoje, a Empalux pode ser encontrada em cerca de 24 mil pontosde- venda de norte a sul do País. E a expectativa é ampliar esse número para 30 mil no próximo ano. "Oferecemos um produto de qualidade e que cabe no bolso do consumidor", argumenta Costa. Isso, contudo, pode não ser bastante para garantir o futuro da empresa. É que, além da pressão cambial, a lâmpada incandescente entrou na lista negra de ecologistas e governantes devido à baixa eficiência energética. A Austrália saiu na frente e anunciou a proibição da venda e da produção desse modelo a partir de 2010. E tudo indica que cedo ou tarde o Brasil seguirá a mesma trilha. Já existe até um projeto de lei semelhante tramitando na Câmara dos Deputados.
Segundo Costa, o Grupo Empal não vai esperar pelo pior. Com 80% das receitas oriundas de artigos de iluminação, a empresa está colocando em prática um plano de diversificação baseado em dois segmentos: florestal, com a produção de látex, e transportes, por meio da recém-criada Cargo Logistics. Na divisão de iluminação as mudanças já incluíram a ampliação do portfólio de clientes, com a adesão a projetos governamentais, como o Luz para Todos. O programa prevê a ampliação do fornecimento de energia elétrica para localidades remotas, além da troca de lâmpadas incandescentes por fluorescente, nas residências de famílias de baixa renda. "Já assinamos acordos com as concessionárias do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Goiás e de São Paulo", conta o diretor-geral do Grupo Empal. Também serão construídos dois novos centros de distribuição em cidades do Nordeste e do Sudeste. Hoje, as lâmpadas chegam ao porto de Paranaguá (PR) e são distribuídas, por caminhão, para todo o País. O novo formato prevê a entrega, por navio, em portos mais próximos dos principais centros consumidores. "Em um mercado pulverizado e no qual a concorrência é acirrada, é preciso controlar os custos na ponta do lápis", justifica Costa.
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