MERCADO DIGITAL
Nº edição: 655 | Mercado Digital | 23.ABR.10 - 21:00 | Atualizado em 07.02 - 16:57
Os últimos são os primeiros
No setor de tecnologia, o pioneiro não é necessariamente o vitorioso. Conheça histórias de empresas que inovaram e criaram mercados, mas ficaram pelo caminho
Por Bruno Galo
O pioneirismo não é sinônimo de vitória no setor de tecnologia. Muitas empresas que inovaram e criaram mercados bilionários sumiram do mapa ou lutam para sobreviver. Quem chega depois tem sim uma grande chance de se dar melhor e conquistar a liderança do setor. É uma lógica subversiva: o vencedor leva tudo. Essa é a sina monopolista da área tecnológica, na qual os consolidadores ficam para dançar no melhor da festa. “Se você olhar para trás neste negócio, será esmagado. É preciso olhar para a frente”, disse, com precisão, o presidente da Apple, Steve Jobs. Conheça a história de seis pioneiras que, por diferentes razões, hoje eståo no cemitério das grandes ideias ou são apenas sombra do que já foram.

Busca
A pioneira: Em 1994, dois estudantes da Universidade de Stanford, Jerry Yang e David Filo, resolveram organizar os conteúdos da internet em diretórios. Criaram o Jerry’s Guide to the World Wide Web (O Guia de Jerry para a Web). Era o embriåo do Yahoo! e do mercado de buscas.

O que deu errado: “O Yahoo se focou demais em ser um portal”, disse à DINHEIRO Danny Sullivan, editor do blog especializado Search Engine Land. Na área de busca, o site fez parcerias com o Altavista e até mesmo com o Google. No ano passado, firmou acordo com a Microsoft e abandonou seu próprio sistema de busca.
Momento atual: Com mais de 80% da preferência mundial, o Google, de Sergey Brin e Larry Page, domina esse mercado. E o transformou em um negócio bilionário que gera mais de 90% do seu faturamento, de US$ 23 bilhões em 2009.

Próximo capítulo: A ascensão dos dispositivos móveis é uma oportunidade para bater o Google.
Mensagens instantâneas
A pioneira: Criado pela israelense Mirabillis, de Yossi Vardi, o ICQ dominou o mercado de mensagens instantâneas a partir de 1996. Ele apresentou ao mundo uma forma mais rápida e simples do que o e-mail para se conversar com alguém pela internet.

O que deu errado: Em 1998, a AOL comprou a Mirabillis por US$ 407 milhões. Enquanto ela poluía o ICQ com um mar de propagandas, a Microsoft desenvolveu o MSN Messenger e com uma agressiva campanha de divulgação foi conquistando o público.
Momento atual: A Microsoft, de Bill Gates, domina com o Messenger, com mais de 300 milhões de usuários, e o Google cresce com o Gtalk, que tem cerca de 100 milhões. Os comunicadores instantâneos são hoje uma importante ferramenta de trabalho.

Próximo capítulo: Os comunicadores instantâneos dentro das redes sociais ainda não decolaram, mas o Facebook e seus 400 milhões de usuários ainda podem incomodar a Microsoft.
Downloads de música
A pioneira: O Napster, de Shawn Fanning, inaugurou em 1999 a possibilidade de compartilhar música pela internet. O serviço se tornou um sucesso instantâneo com mais de 60 milhões de usuários em pouco mais de um ano.

O que deu errado: As gravadoras (exceção feita à BMG, que comprou uma parte do site) não perceberam que o Napster representava uma oportunidade de oferecer sua música diretamente ao público e foram aos tribunais. Acusado de ser pirata, o site acabou fechado em 2001.
Momento atual: “As gravadoras ganharam uma batalha na Justiça, mas perderam a guerra”, disse à DINHEIRO Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-Rio. Hoje, 95% das músicas baixadas não têm o seu direito autoral pago. No mercado formal, a Apple, de Steve Jobs, domina com a iTunes Store. A pirataria online se espalha e atinge filmes e, em menor grau, livros.

Próximo capítulo: Serviços legais em que o usuário não precisa baixar nada para ouvir músicas, como o Spotify e Sonora, ou ver filmes, como o Hulu e Terra TV, ganham força. E os downloads diminuem.
Mundos virtuais
A pioneira: O Second Life, de Philip Rosedale, tomou o mundo de assalto no ano de 2006. De repente, para onde quer se olhasse lá vinha alguém falando desse tal mundo virtual em que pessoas e empresas iriam faturar milhões com bens virtuais.

O que deu errado: Era necessário um computador de última geração para entrar no Second Life e os problemas no site, que sempre foi mais conhecido do que usado, somados ao desinteresse do público em manter sua "segunda vida”, foram minando o crescimento.
Momento atual: “Onde os mundos virtuais certa vez mandaram, hoje os games sociais dominam”, escreveu Daniel Terdiman, jornalista do site especializado em tecnologia Cnet. O FarmVille é o mais famoso e popular jogo social. Sua dona, a Zynga, de Mark Pincus, está avaliada em US$ 3 bilhões. Seu negócio? Vender bens virtuais.

Próximo capítulo: Gigantes do mundo dos games, como a Electronic Arts (EA), dona da série de games Fifa e Need for Speed, devem intensificar sua presença nesse filão. A EA comprou recentemente uma concorrente da Zynga, a Playfish, de jogos como Restaurant City, por US$ 300 milhões.
Smartphones
A pioneira: Em 1996, o fundador da Palm, Jeffrey Hawkins, lançou o Pilot, um computador de mão que setransformou em sucesso imediato. Ancestral dos smartphones, ele não fazia ligações. Em 2003, a Handspring emplacou o Treo, que deu início à febre dos smartphones. No fim de 2004, a Palm comprou a Handspring.

O que deu errado: Com o tempo, o interesse pelos PDAs diminuiu, enquanto celulares e smartphones proliferavam. Até 2007, a Palm se mantinha graças à força da sua marca e à aura de inovação à qual já não fazia mais jus. “A Palm parou no tempo, mas não percebeu”, afirmou à DINHEIRO Willy Shih, da Harvard Business School.
Momento atual: Em 2009, a Palm esboçou uma reação com o Pre, mas as vendas decepcionaram. Hoje, busca um comprador. Desde 2008, o iPhone e BlackBerry, da RIM, de Jim Balsillie, dominam o mercado de smartphones. Em 2009, período de crise, foram vendidos 172 milhões de telefones inteligentes, alta de 24%.

Próximo capítulo: O Google, com o Android, surge como a maior ameaça à Apple e à RIM.
Browsers
A pioneira: Marc Andreessen desenvolveu o Mosaic, primeiro navegador de internet, que depois deu origem à Netscape. Em agosto de 1995, a empresa abriu o capital, em data que é celebrada como o nascimento da economia web. Suas ações começaram cotadas a US$ 28 e fecharam em US$ 58, com pico de US$ 75 ao longo do dia. Chegou a ter 80% de participaçåo de mercado e valor de US$ 6 bilhões.

O que deu errado: “A Netscape assustou a Microsoft, que investiu pesado nesse mercado”, diz à DINHERO Rob Enderle, da consultoria Enderle Group. Em 1995, Bill Gates resolveu usar seu poder no mercado de PCs para recuperar o tempo perdido. Lançou o Internet Explorer (IE) e o integrou ao sistema operacional Windows. Isso lhe valeu um longo processo antitruste nos EUA nos anos 90. Quando perdeu, a Netscape, que havia sido comprada pela AOL por US$ 4,2 bilhões, já havia virado fumaça.
Momento atual: O Firefox tem 25% do mercado, mas o Internet Explorer, de Bill Gates, ainda domina com 61%. Google e Apple têm pífias participações, 6% e 5%, respectivamente.

Próximo capítulo: A maior ameaça ao IE e à própria Microsoft parece estar nos dispositivos móveis (leia-se smartphones, netbooks e tablets). Esses são mercados em que a companhia é coadjuvante ou sofre forte concorrência.
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- comentários (10)
- Sua opinião
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Jesse Rodrigues
em 25/04/2010 01:03:40
Ótimo artigo! O que se pode dizer sobre as redes sociais? O Orkut ainda estah firme enquanto Facebook e Twitter crescem. Acredita q algm seja jogado pra fora da pista logo?
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Alessandra
em 24/04/2010 20:50:25
A julgar pela matéria, quase tudo está ou vai estar na mão da Apple e do Google, com a Microsoft correndo por fora. Quem será que leva a melhor?
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Roberto
em 24/04/2010 18:53:51
Programas como ICQ, Netscape e Napster realmente marcaram época. Já o Second Life foi apenas uma modinha que não pegou.
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Adélio
em 24/04/2010 15:25:04
"Desde 2008, o iPhone e BlackBerry, da RIM, de Jim Balsillie, dominam o mercado de smartphones." Oh, really? Em que mercados?
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